março 18th, 2010 in Poemas, Receitas de Poetas, Versos que Conversam | 1 Comment »
Poesia concreta: tensão de palavras-coisas no espaço-tempo.

- A poesia concreta começa por assumir uma responsabilidade total perante a linguagem: aceitando o pressuposto do idioma histórico como núcleo indispensável de comunicação, recusa-se a absorver as palavras como meros veículos indiferentes, sem vida sem personalidade sem história – túmulos-tabus com que a convenção insiste em sepultar a ideia.
- O poeta concreto não volta a face às palavras, não lhes lança olhares oblíquos: vai direto ao seu centro, para viver e vivificar a sua facticidade.

- O poeta concreto vê a palavra em si mesma – campo magnético de possibilidades – como um objeto dinâmico, uma célula viva, um organismo completo, com propriedades psicofisicoquimicas, tato antenas circulação coração: viva.
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março 18th, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | No Comments »
A integridade da geometria renasce justamente nos nós
ingênuos das vibrações caudalosas
que fendem os pulmões inventados na abóbada do barco indigente
A delicadeza dos territórios luminosos permite um embate de
consonâncias
num arquipélago alienadamente descalço
pelas conversões perspicazes das citrinas febres
Sinto a cedência das ameixas na unidade das reminiscências
captadas mecanicamente no
tejadilho do labirinto carnudo
e os autocolantes das luzes aspiram as progressões
únicas das manjedouras pictóricas
sobre a convergência das balizas oceânicas
que contemplam o silêncio economizado na devotação das ilhas
As primeiras gaivotas embaciam as ampolas dos ementários
das fábulas
na ascensão transformadora dos ramos flamejantes
como a imutabilidade das pequeníssimas regiões a concentrar-se
na continência obsessiva da exígua manhã
Uma mancha de aveia ensina os assimétricos pulsos a reverem-se
nos sulcos paralelos dos caracóis
que delineiam a dentadura da lenha
e tu aprisionas vertiginosamente
a opulenta arquitectura dos sulcos
nos mostruários do calor
*
Guardarás a expedição dos símbolos nas vertentes atrasadas dos
meridianos
e a adolescência das luzes é anulada devagarinho no
tropel errante das escápulas
que justificam a concordância das agulharias
sobre os óleos estimulantes das têmporas
ocultamente concentradas
é aqui que o desenvolvimento magnético das abelhas conserva
a descendência do insulamento das lavouras transparentes
onde as propriedades viajantes das minúsculas fogueiras
ferem as líquidas mortalhas das cerejas
para congerminarem a dissertação das sílabas no
vértice profundo das pálpebras pubianas
Poema de Luís Serguilha, in Embarcações / 2004
Tradução de: Leonardo de Magalhaens
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