Archive for março 27th, 2010

preguiça al dente, uma macarronada poética

Preguiça al dente
* Aline Morais Farias

Esse é um prato
Fácil de fato
De preparo rápido
E ingredientes simples
Receita de última hora
Mas que todo mundo adora!
Primeiro escolha bem a massa
Não amassa!
Massa pronta
Não seja tonta!
Nesse caso vamos de penne
Que vai explodir na boca
Recheado de creme de leite
Deleite!
Hum… azeite!
Por cima do penne al dente
Misturando sal e cebolinha verde
Não misture quente
Calma
Não serve
Reserve
Beba um pouco de vinho
Que combina com a massa
E fica bonito na taça
Agora vamos ao molho
Que é um encanto
Todinho branco
Na panela deixa derreter
Uma colher grande de manteiga
Nada de margarina
Que essa não me anima
Corte a cebola em cubinhos
E seca com paninho
E cantarola uma música
Do Cartola
Ou um chorinho
Do Paulinho da Viola
Escorra uma lata de atum
E uma de palmito
Refogue tudo com a cebola e manteiga
Aproveita e cheira
Agora acerta o sal
Prova na colher de pau
Regue tudo com leite
Creme de leite
E leite de coco
Requeijão
Que tentação
Misture tudo na travessa
Chame um amigo para conversa
Dessas bem à toa
Que acompanha comida boa
Queijo ralado na mesa
Cochilo de sobremesa!

Leiam mais poemas no blog da autora:

http://alinemoraisfarias.blogspot.com/

Psiu! E Estômago é um ótimo filme, assistam!

poema de Luís Serguilha traduzido à Lingua de Borges

La afinidad de los ejércitos de musgo es formada rigurosamente
en los sentidos galvanizados
por el canario del mar
que expone el babor de las plantas en las embajadas
luminiscentes
donde los guardianes de las circunferencias marinas
desnudan perpetuamente
la intervención molecular de los ondeos
sobre los codos metódicos del agua

como la continuidad vertiginosa de las aves de migración a
descomponer los tableros bilingües de los surcos cronológicos
entre el insulamiento de las efigies sintonizadas
y imperturbablemente una frontera de manos laboriosas es
adicionada a las movimientaciones indescifrables de los follajes
para diseminar los pórticos minusculos
que atrincheran los tejados cilíndricas de las tardes

La interioridad de las bibliotecas gotea en los pianos alegres de las mujeres
donde el fruncimiento descuidado de las horas es
predestinado a los bostezos pélvicos de las colinas unísonas
donde los vestidos mates de los torrentes supuestos
tonifican solamente
los garabatos ressalvados en el escurrimiento de las antorchas
para entregaren las correspondencias de los pájaros a las
dislocaciones continuas de los florecimientos extravagantes

Poema de Luís Serguilha,in: Embarcações / 2004
Tradução de Leonardo de Magalhaens

A afinidade dos exércitos de musgo é formada rigorosamente
nos sentidos galvanizados
pelo canário-do-mar
que expõe o bombordo das plantas nas embaixadas
luminescentes
onde os guardiões das circunferências marinhas
desnudam perpetuamente
a intervenção molecular dos adejos
sobre os cotovelos metódicos da água
como a continuidade vertiginosa das aves migratórias a
decompor os tabuleiros bilingues dos sulcos cronológicos
entre o insulamento das sintonizadas efígies
e imperturbavelmente uma fronteira de laboriosas mãos é
adicionada às indecifráveis movimentações das folhagens
para disseminar os minúsculos pórticos
que entrincheiram os telhados cilíndricos das tardes

A interioridade das bibliotecas goteja nos pianos alegres das mulheres
onde o franzimento descuidado das horas é
predestinado aos bocejos pélvicos das uníssonas colinas
onde os vestidos baços das supostas torrentes
tonificam unicamente
as garatujas ressalvadas no escoamento dos archotes
para entregarem as correspondências dos pássaros às
deslocações contínuas dos extravagantes florescimentos