a hora imóvel, um poema de Rubens Jardim
*Obrigada, Querido Poeta, pelo livro encaminhado e agora com Cantares da Paixão em mãos, espalho os versos…
A HORA IMÓVEL

Tenho dúvidas
se estou por dentro
ou por fora
mesmo na hora do amor.
Pareço letra perdida à procura
da palavra.
Mas as palavras também se perderam
dos usos cotidianos
e da realidade.
Elas escaparam do papel
e criaram seus próprios espaços
cênicos.
Fala-se que as palavras se libertaram
e que elas hoje frequentam
outros ambientes.
Estão em objetos e performaces.
Em leis que não são aplicadas.
E eu fico aqui me perguntando
onde esta a palavra antes da palavra?
Aquela que nos devolve sem cessar
a consciência da total ambivalência?
Aquela que rompe com os marcos
da duração e estabelece a hora imóvel
que os relógios não marcam?
Rubens Jardim, p.28, Cantares da Paixão, editora artepaubrasil.
Leiam mais poemas, artigos, escritos e reflexões e hoje o comentário-desabafo: “Para vivere a modernidade é preciso uma constituição heróica”, no site do autor:http://www.rubensjardim.com/







