Archive for abril 8th, 2010

pensando a poesia com Gaston Bachelard

pensando a Poesia com em Vidráguas



O poeta fala no limiar do ser. O devaneio pode se confundir com o sonho, mas o devaneio poético prepara gozos poéticos para outras almas, não se trata mais do caminho fácil das sonolências. O espírito pode relaxar-se; mas no devaneio poético a alma está de vigília, sem tensão, repousada e ativa. Para fazer um poema bem estruturado, será preciso que o espírito o prefigure em projetos. Mas para uma simples imagem poética não há projeto, não é necessário mais que um movimento da alma.

Numa imagem poética a alma afirma a sua presença. Pierre-Jean Jouve escreve: “A poesia é uma alma inaugurando uma forma”. A alma inaugura. Ela é aqui potencia inicial. É dignidade humana. A alma vem inaugurar a forma, habitá-la, comprazer-se nela. Na ressonância ouvimos o poema; na repercussão o falamos, ele é nosso. A repercussão opera uma inversão do ser. Parece que o ser do poeta é o nosso ser.

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