imaginário, em Interiores

IMAGINÁRIO: abertura para o infinito
por Berenice Sica Lamas
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O imaginário constitui–se nesse universo de mitos, arquétipos e símbolos individuais e coletivos de conteúdo ilimitado e misterioso. Não possui território: é mais um trajeto construído pela humanidade. Incluem-se ainda imagens primordiais, modelos culturais, lendas tradições, estórias de fadas, o fantástico, representações inconscientes, fantasias, sonhos, iconografias, onirismo, ritos de passagem e iniciaticos, simbolismo religioso, experiências criativas, poesia, energia, luzes sombras, experiências arcaicas da humanidade, inconsciente coletivo. É a herança psicológica da humanidade, de pulsões biológicas, experiências que se relacionam diretamente com as bases instintivas e filogenéticas da raça humana.

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As produções do imaginário são uma defesa contra a certeza do passar do tempo e contra a face tenebrosa da morte. A função da imaginação nasce da condição humana de finitude e do ardente desejo do ser humano de fugir da morte. A função da imaginação é faculdade essencial e distinta das pessoas, revitalizadora e fecunda da vida psíquica, contendo uma força vital, agregadora e transcendente de todas as demais atividades conscientes. Entre a mentalidade cientifica (lógica racional) e o imaginário existe uma tensão, hoje mais diluída no sentido de que a ciência e os fatos da imaginação se entrelaçam com maior estreiteza. São considerados os dois maiores expoentes dos estudos do imaginário Gaston Bachelard e Gilbert Durand.

Bachelard entende o poder criador da imaginação como a faculdade de deformar imagens fornecidas pela percepção – não somente a capacidade de produzir imagens. Uma das maiores contribuições do cientista-filósofo e escritor aos conhecimentos sobre o imaginário é seu estudo dos 4 elementos: terra, ar, água e fogo – consideradas forças arquetípicas desse mesmo imaginário e os “hormônios da imaginação”. Ele concebe o imaginário como um dinamismo criador e toda invenção como um exercício da imaginação criadora. O imaginário da poética – descoberto por ele – é uma ordem não-científica que caminha paralela a outros tipos de saberes.

Durand postula que o conjunto de imagens e modelos arquetípicos constitui-se no capital pensado da humanidade, contendo toda criação imagética do pensamento humano. O antropólogo o coloca no próprio cerne da organização psíquica, considerando-o uma transdisciplinaridade, o espírito de todos os saberes. O imaginário se compõe ainda da expressão criadora e da espontaneidade espiritual, é uma atividade que transforma o mundo. A noção do trajeto antropológico de Durand consiste em 2 pólos: o subjetivo individual e o objetivo cultural, que se conectam pelos esquemas, arquétipos e símbolos, travando incessante troca entre as pulsões subjetivas e os estímulos do meio cósmico e social.

O professor canadense Laurent Lapierre conceitua imaginário como um universo fantasmático, em parte inconsciente, subjacente ao pensamento e à ação de um sujeito e que estrutura tanto sua relação com seu mundo interior quanto com o mundo exterior. Ele utiliza a palavra imaginário remetendo-a ao processo e ao produto da imaginação, tanto em sua dimensão cognitiva (idéias, pensamentos, concepções, visões), quanto em sua dimensão afetiva (afetos, desejos, defesas psicológicas, ambições, compromissos profundos) – considerando o imaginário uma realidade subjetiva, a base dos processos mentais. De todos os nossos registros – o real, o simbólico e o imaginário – o poder do imaginário transcende o mundo lógico-racional. A imaginação sustenta o conhecimento. Imaginário. Imagem. Imaginação. Magia.

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