Archive for abril 13th, 2010

ao dia do beijo, um beijo…

beijo vidráguas

Teu beijo
me reserva
momentos

desabitado
de tempo
eco
e te beijo…

Carmen Silvia Presotto

mácula, poema inédito de Pedro Du Bois

Overflow

MÁCULA

Desprovido de mácula mancho o passo
com o sangue: acetinado preço
do inocente declarado; o pecado
urdido em mortes se rebela
contra o antagonismo da verdade;
o sangue jorra minha vida esvaída
ao sentido de me dizer libertado;
maculo histórias em interpretações
despropositadas, reinvento atos
de coragem em paródias
prosódias


sarcasmo
desprovido em mácula.

O sangue cessa o alvor
do corpo despropositado.

Poema de Pedro Du Bois
Fotografia: Robert Parkeharrison

Leia mais poemas no blog do autor:

http://pedrodubois.blogspot.com

hoje, melhores poemas de Luiz de Miranda

convite

Lírica

A cor do amor
é transparência
refletida dia a dia
na lembrança

Mas que fazer ao dia
que é moinho
entre os caminhos
moinhos só e sem vento
moinhos reduzidos ao pensamento

Que fazer à vida
que é viagem
a transportar a poesia
de cada dia
a abrir ventos na alma?

Que fazer na vertical medida
deste amor em morte
desta dor sozinha
como um véu de sombra
dentro da chuva?

É preciso cuidado vítreo
no amor
para não perder o vigor
o contínuo viver do espelho
interno
onde a figura amada
é sempre uma beleza transladada

Luiz de Miranda, p146, Nova Antologia Poética, 1997,Editora Sulina.