abril 17th, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | 2 Comments »
*Obrigada Aline e Ivan por este brinde poético e seguimos!!

Ainda há tempo….
Porque o mundo ainda esta girando
Porque já ta escurecendo
Porque ficou muito tarde de repente
Porque a música ainda toca alto
Porque aqui dentro ainda é festa
Porque para sempre é muito tempo
Porque muito bom é agora
Porque sofro com sua demora
Porque a candura acaba
Porque a doçura fica rala
Porque ainda há tempo
Porque esse amor quer acontecer
Porque preciso te ter
Porque guardei bem teu beijo
No bolso da frente
Do lado esquerdo
Ao alcance da tua boca
Porque a minha só quer a sua
De mais ninguém
Porque sim
Vem!
Poema de Aline Morais Farias
Fotografia: Ivan Bueno
Leiam mais poemas nos blogues dos autores:
http://alinemoraisfarias.blogspot.com/
e
http://www.eng-ivanbueno.blogspot.com/
abril 17th, 2010 in Poemas, Receitas de Poetas, Versos que Conversam | No Comments »
* Poema de Rubens Jardim, publicado em seu site em homenagem a Luiz Carlos Mattos, leiam aqui e lá:
http://www.rubensjardim.com/blog.php
PARA O POETA LUIZ CARLOS MATTOS
Estou aqui em tua casa
como se estivesse diante de um espelho.
Não penso.
Não peso.
Não peço.
Apareço e desapareço
como simples reflexo
imagem
que o tempo não devolve
e poderá estar
gravada
–perdida ou registrada–
em corações
olhos
e álbuns que desconheço.
É noite na tua casa
e eu procuro em gavetas
o bairro que se foi,
a praia
que desapareceu,
a alma
que está mais sozinha,
e até o lampião que ficou aceso
e ainda ilumina
este momento
de inexistência da casa
de praia do vô Bento.
Solemar, você sabe,
não é uma varanda aberta
aos horizontes do mar.
Também não é uma rede rasgada
nem o remo estilhaçado.
Solemar é um queixume de sal
nas ondas, um uivo de bóias
trazendo nossos medos
ao alcance de nós mesmos.
Solemar é mais ainda: um mar torto,
um viés de enxergar sempre
e de não chegar nunca.
Mas que infância não foi assim?
Todos nós não nascemos
para os heróicos brados retumbantes?
Não fomos feitos para avançar
por um itinerário qualquer,
a qualquer hora e em qualquer direção?
Ou será que alguns de nós
–os atrasados e os desajeitados–
escolheram o caminho das pedras
só para provar que o caminho é infindo
e que chegar é adiar uma despedida.
Não, não quero repetir a velha cantilena
que nem mesmo habitou a velha Helena.
Mando Homero às favas.
Mas onde está a minha família
que ficou minguada
e as casas que se precipitaram
em precipícios
preservando cristaleiras conversas de cozinha
cômodos escuros paredes velhas
frestas no rodapé
e baratas que nos causavam medo.
Lembrar, é claro, é função humana.
Mas nós
que éramos mais frágeis que a pena
na penumbra
já insistíamos em guardar:
papagaios de papel,
caramujos que traziam os barulhos do mar,
meninas que despertavam as comunhões mais plenas
e mais impossíveis,
e emoções que ficaram presas
em conchas, em barulhos de gaveta, em revistas
que já se foram, em ruas que desapareceram e nunca retornaram.
Tudo isso que estava ali, à nossa frente,
era apenas um horizonte? Uma possibilidade?
E o que fizemos com essas pertencenças,
com essa sensação de estar presente no móvel profundo
das águas e das areias?
No fundo do poço
nós cavávamos a nossa sede.
Algum dia, dos lábios impronunciáveis, surgiria a palavra
companheira,
imã e irmã,
talvez romã rebentando nossa ancestralidade
em um muro.
E tudo isso não dividia nada. Nem separava nosso destino
do destino daqueles que significavam tudo pra nós.
Não demos murro em ponta de faca. Antes atávamos a vida com barbante.
Mas, de algum jeito, sabíamos:
nossa boca encontraria a boca imaginada, nosso corpo ganharia a dimensão do outro corpo.
Mas ignorávamos as resultantes:
as águas misturando-se as águas,
as ondas nascendo das ondas,
e aquela areia, apagando pra sempre,
o desenho de nossos pés.
Rilke diria: tudo isso era missão.
Acaso a cumpriste?
abril 17th, 2010 in Foto do Dia, Poemas, Versos que Conversam | 2 Comments »
Nós
por Carmen Silvia Presotto
O bom do Ser livre
é , apenas, estar preso àqueles
que esticar a corda…

Fotografia: Patrick Demarchelier