Archive for abril 21st, 2010

autorretrato, um poema de Antonio Carlos Secchin

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Autorretrato

Um poeta nunca sabe
onde sua voz termina,
se é dele de fato a voz
que no seu nome assina.
Nem sabe se a vida alheia
é seu pasto de rapina,
ou se o outro é quem lhe invade,
com a voragem assassina.
Nenhum poeta conhece
este motor que maquina
a eclosão da coisa escrita
contra a crosta da rotina.
Entender inteiro o poeta
é bem malsinada sina:
quando o supomos em cena,
já vai sumindo na esquina,
entrando na contramão
do que a palavra lhe ensina.
Por sob a zona da sombra,
navega em meio à neblina,
mesmo que seja pequena
a poesia que o ilumina.

Antonio Carlos Secchin, p.97, Revita RenovArte, 2010 – Ano III- nº 3 – Rio de Janiero – Brasil.