Archive for maio 26th, 2010

posso errar?

Posso Errar?
*Por Leila Ferreira

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Há pouco tempo fui obrigada a lavar meus cabelos com o xampu “errado”. Foi num hotel, onde cheguei pouco antes de fazer uma palestra e, depois de ver que tinha deixado meu xampu em casa, descobri que não havia farmácia nem shopping num raio de 10 quilômetros. A única opção era usar o dois-em-um (xampu com efeito condicionador) do kit do hotel.


Opção? Maneira de dizer. Meus cabelos, superoleosos, grudam só de ouvir a palavra “condicionador”. Mas fui em frente. Apliquei o produto cautelosamente, enxagüei, fiz a escova de praxe e… surpresa! Os cabelos ficaram soltos e brilhantes – tudo aquilo que meus nove vidros de xampu “certo” que deixei em casa costumam prometer para nem sempre cumprir. Foi aí que me dei conta do quanto a gente se esforça para fazer a coisa certa, comprar o produto certo, usar a roupa certa, dizer a coisa certa — e a pergunta que não quer calar é: certa pra quem? Ou: certa por quê?

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pensando a poesia com Jayme Paviani

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É difícil dizer o que é poesia. Poesia é vida, emoção, ideia. É um modo especial de captar a realidade ou de criar a realidade. A poesia está em toda parte, nas coisas, objetos, eventos, pessoas. Pode-se tirar poesia de tudo. Depende de nosso olhar sobre o mundo. O músico ao compor faz poesia, o pintor ao pintar faz poesia, o poeta ao escrever poemas faz poesia. Poesia e poema não são a mesma coisa: a poesia está aí, anda solta, livre. O poema é um modo de prender a poesia nos versos que seguem determinada forma, mais livre ou mais fixa. A poesia é como se fosse um pássaro e o poema uma gaiola. Cabe ao leitor libertar a poesia.

Quando um poema é bem elaborado, com arte e criatividade, mais poesia contém. Por isso, é fácil sentir a poesia, difícil é escrever o poema. Fui aos poucos descobrindo na musicalidade, no ritmo e nas metáforas o poder do pensamento misturado com o sentimento. Observo que os poemas precisam ser reescritos. É preciso trocar um verbo, cortar um adjetivo, riscar um verso para que a expressão poética ganhe mais força. Cada poeta tem seu próprio estilo. Cada escritor é ele mesmo, inconfundível.

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dissipa-se o corpo…

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dissipa-se o corpo
intangível
desgovernado


e no veludo crepuscular, a mão
com um punhado de recém-nascidas
estrelas


sobras de azul papel

Poema de Berenice Sica Lamas