cronicando…
E no princípio era o verbo: cronicar!
por Carmen Silvia Presotto
Mas, cronicando, vivo vidas que nunca imaginei… ritmos que ecoam de qualquer fenda, de qualquer passo.
Cronicando, vivo de mentiras sinceras, de gênios enlouquecidos de onde jogos e momentos de aspirar colam lúdicas palavras com o pensamento para que eu reviva de olhares, de aroma de plantas, do som dos pássaros e das ondas do mar…
Cronicando, de imensas águas sou peixe saltitante, de castelos na areia, arquiteta e criança que deforma, informa, mistura tempos no espaço sem muitas amarras.
Cronicando passeio pelos bosques, crio um tempo natural junto a fadas, gnomos e amigos…posso colher caramujos, lágrimas e sorrisos como se fossem águas de chocolate e multiplicar-me em papéis, fábulas ou feitos para enfeitar o real de presentes imaginários.
Cronicando escrevo e escrevendo descortino a cegueira de um mundo invisível e se no princípio era o verbo, ao cronicar amo e odeio, vivo e morro, mas para não ser mais uma crônica criatura me finjo de pequeno deus e escrevo, escrevo, escrevo…
Crônica publicada no Livro Cronicando, Organização Ivette Brandalise, editora MaisQNada.





