Deslizamentos…

Da trama de teus olhos
umideço
úmida de ti
úmida de mim
deslizas
e desapareço…
Poema: Carmen Silvia Presotto
Fotografia:Patrick Dermarchelier

Da trama de teus olhos
umideço
úmida de ti
úmida de mim
deslizas
e desapareço…
Poema: Carmen Silvia Presotto
Fotografia:Patrick Dermarchelier
Uma leitura em Espiral, poemas de Luiz Otávio Oliani
por António Amaral Tavares (Portugal)http://acasaquecaminha.blogspot.com/

“Na poesia de Luiz Otávio Oliani, não se ouve o escopro ou o cinzel trabalhando a pedra, nem o polir da madeira ou o cortar das sebes. Abafa-se esse ruído. Esse é de bastidores, de mãos a trabalhar, de um progredir de ideias.
Na sua poesia as palavras saiem para a rua limpas de sangue e de poeiras de oficina ou de caminhar, para que nada desvie a atenção do leitor do núcleo do poema. Exige para isso, economia nas palavras e síntese nas emoções. E por acreditar que o leitor é inteligente, liberta o poema de pontuação excessiva, grafismos ou palavras supérfluas, holofotes que lhes apontem a primazia de uma face, uma estrada, uma parede do poema; na pele do poema não se vêem marcas de esforço ou cicatrizes da luta com o poeta, pelo que as palavras aparentam não terem a importância que realmente têm e que uma leitura atenta atestará.
Os poemas de Oliani são curtos, não por toda esta economia linguística, mas porque, na maior parte das vezes, o poeta procura a luz indivisível dos elementos que lhe compõem a colheita. Não encontrarão vastos lamaçais na poesia de Oliani.
E os poemas de Oliani são curtos, não porque o poeta se faça ouvir no silêncio entre as palavras (essa é uma tarefa mais para o leitor), mas porque as palavras que escreve são varas incontornáveis no caminho do poema: “a poesia não dorme / enquanto o verbo não sacia / a fome louca de gritar” (Enigma).”
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