o fantástico em interiores…

FANTÁSTICO: ponte para o insólito
por Berenice Sica Lamas

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A presença do fantástico acompanha a criação literária desde a antiguidade. O homem já traz o fantástico dentro de si, relacionando-se estreitamente com o mundo imaginário. O fantástico constitui-se num universo de aspectos supra reais, insólitos e ilógicos que revelam o rompimento das leis naturais e da realidade cotidiana. No texto fantástico há uma incerteza na região fronteiriça entre real e irreal, mágico e racional, verossímil e inverossímil. O relato fantástico se caracteriza por sua brevidade, sobriedade em detalhes, mantendo a tensão até o desenlace.

O efeito vivo da surpresa é importante para a formação do impacto, causando terror, atarantamento e confusão na mente do leitor (José Paulo Paes). Os elementos essenciais são a revelação ou não-revelação total, a ruptura do equilíbrio da ação, a intensidade do efeito causado pela relativa brevidade e sua condensação (Maria Luiza Amaral Soares). O homem traz o fantástico dentro de si (Charles Nodier). Toda literatura è fantástica (Jorge Luis Borges). O fantástico manifesta um escândalo, um corte, uma irrupção insólita, quase insuportável dentro do mundo real (Roger Caillois). O que caracteriza o fantástico é o jogo com o medo (Louis Vax). A hesitação da personagem e do leitor perante o acontecimento estranho identifica a situação fantástica, havendo a instauração de uma incerteza: explicação natural ou sobrenatural ? (Todorov). A narrativa fantástica é a primeira volta de um parafuso sem fim (Henry James). A narrativa fantástica é ambivalente, contraditória, ambígua, essencialmente paradoxal na apresentação das tensões (Irene Bessiere). Não existe o fantástico sem a presença de uma transgressão, seja em nível semântico, sintático ou verbal (Rosalba Campra). Ficam diluídas as fronteiras entre o normal e o absurdo; o fantástico é mais uma possibilidade para o homem contemporâneo reencontrar-se consigo mesmo (Jean Paul Sartre).

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A aparição é a marca essencial do fantástico, insinuando-se de modo lento, o que seria inadmissível num mundo sem nada de insólito. Existe a presença de ambiguidade, que praticamente obriga o leitor a negar ou a afirmar o sobrenatural. O modo como o escritor utiliza os motivos fantásticos é mais significativo do que o próprio motivo – e os temas permanecem fantásticos ao contrariarem o possível. Temos como exemplos de temas: lobisomem, vampiro, alterações de tempo e espaço, extra terrestres, mundo além morte, patologias, outros. Existe a necessidade de um elemento sobrenatural, uma interdição, uma intervenção irreal em acontecimentos que na vida cotidiana não existem.

A poética do relato fantástico supõe premissas advindas de áreas como filosofia, religião, esoterismo, magia, realizando a desconstrução destes conhecimentos. Neste tempo de realidade vertiginosa e estranha, o fantástico é apresentado pelo alegórico. A alegoria é uma ferramenta ideal para representá-lo, porque ao mesmo tempo afirma e nega, vela e expressa, oculta e evidencia a realidade.

O fantástico moderno é essencialmente alegórico, nascido da realidade concreta, muito mais um meio do que um fim em si, pois seus elementos não vêm de fora. Elementos ditos normais ou anormais, reais ou irreais, habituais e estranhos convivem no mesmo mundo. O enigma e o mistério instaurados pelo fantástico emergem como a irrupção de uma realidade não lógica, irracional e absurda, que analisa criticamente a própria realidade. Mistério? A vida real.

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uma resposta para “o fantástico em interiores…”

  1. Marcio Almeida Nicolau Says:

    Literalmente fantástico o texto. Muito didático, mas nem um pouco enfadonho. O final é ótimo tb. Lembrei do Mário Quintana: “tudo que acontece é natural, inclusive o sobrenaural”
    Parabéns a autora.

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