Archive for julho 2nd, 2010

vibrações, poema anáguas…

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Vibrações

Curvo o espaço
para nas cordas do tempo
te alcançar

vias
véus
veias
fado
que no amor me tens…

Poema:Carmen Silvia Presotto
Fotografia: Patrick Demarchelier

mulheres artistas, em Interiores

Mulheres artistas: recortes e reflexões
por Berenice Sica Lamas

Picasso.Guernica2

Em uma sociedade em que talvez milhares de mulheres estejam sem espaço para criatividade alem do biológico, com seu imaginário cerceado pelo papel feminino pressuposto da domesticidade, com suas possibilidades de expressão artística interditas, mais do que nunca é necessário pensar, ler, escrever e refletir a respeito. Merecem lembrança as obras que nunca chegaram ao papel, à tela, à partitura, ao palco, à galeria, ou seja, arte não construída, e não apenas desvelar compositoras, escritoras, pintoras cujas obras chegaram ao domínio público.

Nossa cultura reconhece a competência para criar como qualificativo masculino, dificultando espaços ao trabalho da mulher artista profissional. Não faz parte da representação da sociedade aceitar a posição de criação cultural da mulher, em que sua capacidade criativa, sua imaginação criadora prescindem do útero.

Uma das implicações em uma sociedade de domínio masculino é a mulher ser cerceada em sua expressão de criação artística, como uma maneira de aprisioná-la. O fato de algemar seu imaginário, não permitindo que expresse sua visão de mundo, que narre suas experiências, é outra forma de anulá-la e manter o domínio. Uma mulher artista foge ao olhar patriarcal, que não consegue prendê-la nem dominá-la. Ela escancara através de sua obra o seu desejo, suas lutas, mágoas, e denuncia o regime masculino. Com sua arte ela abre espaços políticos, um novo poder, um questionamento, uma dissonância nos papéis postos.

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