Archive for julho 4th, 2010
que país é este?, Vidráguas a Roberto Piva
* Um beijo Tânia e obrigada por esta Crônica Homenagem a este Mestre da Poesia, com sua Poesia seguimos com ele vivo em nossos corações.!!!
QUE PAÍS É ESSE?
por Tânia Du Bois
Que País é esse que chora quando a seleção de futebol é desclassificada, mas a perda do poeta Roberto Piva é chorada apenas pelos amantes da poesia?
Que País é esse em que todos param para assistir ao jogo da seleção e não para, nem por alguns minutos, para ler um livro e descobrir, por exemplo, o escritor Roberto Piva, que tanto inovou a literatura brasileira, trazendo-nos o quanto um livro pode ser companheiro e abrir novos horizontes?
Que País é esse em que a televisão mostra, por exemplo, quando um jogador de futebol adoece, o que está fazendo, o que tem, e tudo o mais. E pouco mostrou sobre o poeta Roberto Piva, sempre uma celebridade literária, uma raridade como poeta, por ter introduzido novas linguagens contribuindo, assim, com a cultura, nosso maior bem? E quem soube da doença e das necessidades passadas por Roberto Piva? Só os amantes da literatura.
Futebol, reconheço, é fator cultural na vida do brasileiro. E a literatura, a poesia, em qual escala se situa para o nosso povo?
Choro a morte de Roberto Piva. Choro a sua ausência (mesmo que inconsentida) na vida literária e choro, choro e choro a perda do grande poeta. Consolo-me com sua obra que está comigo. Sinto através de seus poemas que o terei sempre.
“.. Não serei domesticado, /
Pelos rebanhos / Da terra. / Morrerei inocente / Sem nunca ter /
Descoberto / O que há de bem e mal / De falso ou certo / No que vi.”
Lembrar Roberto Piva é lembrar a inovação. Revolucionou a poesia, realizando mudanças de porte e ofereceu soluções (mais) criativas à literatura. Ler sua obra é inesquecível: até porque mais raro. Emociono-me cada vez que lembro o quanto esse País o deixou de lado, esquecido. Ele será sempre lembrado com amor, respeito e admiração pelos amantes da literatura.
Agora, caro Poeta, você pertence a outro “País”. E que “País” é esse?
palavras a Saramago
O meu mestre José. Saviano recorda Saramago
por Roberto Saviano, Repubblica, 19 junho 2010
*Tradução de Rossana Benevenutti

De todas as coisas que poderia fazer, morrer é aquela mais inesperada. Se conhecias José, realmente não levavas em conta. Sim, certamente todos morrem, inclusive alguns escritores.
Mas ele realmente não te dava a impressão de estar cansado de viver, respirar, comer, amar. Foi-se consumindo nos últimos anos, entre a carne e os ossos parecia haver sempre menos espessura, a sua pele parecia uma manta que cobria o crânio. Mas dizia “Se eu pudesse decidir, não iria embora nunca”.
Falar da morte de alguém que gostamos, gostamos muito, corre o risco de ser somente um exercício retórico, uma proclamação de memória e virtude do falecido. O único modo para nos mantermos sinceros é aquele de tentar descrever o espaço de vida a mais que te deu quem terminou de respirar. Isso vale a pena fazer. Ver o quanto foi somado a tua vida, aquilo que permaneceu dentro, que conseguirás passar a quem encontrares, e isso sim, tem o sabor da vida eterna. No fundo, pouco foi embora se muito conseguiste armazenar.
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pequeno deslize…

Pequeno Deslize
Aqui não!
Se aboleta com outra
Que meu sangue é nordestino
e nem por destino
que vou deixar você se apoderar
assim da minha alma…
Até te emprestei o corpo
mas foi só de deslize
pura reprise!
Poema de Aline Morais Farias
Leiam este e mais poemas no blog da autora:
http://alinemoraisfarias.blogspot.com/





