Archive for julho 6th, 2010

no Acroático, poema homenagem a Roberto Piva

*Leiam aqui ou lá, no blog de Julio Rodrigues Correia:
http://acroatico.blogspot.com/

POEMA PARA ROBERTO PIVA NO AZUL

5a[1]

Na mesa restos de poemas
palavras partidas ao meio
a solidão do instante seminal
refletida no alpendre da noite
o relógio parado na circunferência
do tempo ácido,
a voz embargada na garganta
e o poeta de olhos cerrados
salta sobre o dorso de seu cavalo
de brumas e cavalga sereno e imponente
em busca de inifinitas manhãs
e a colher rosas olentes nos jardins
da gleba dos ausentes.

Poema de Julio Rodrigues Correia

pensando a Poesia de Cecília Meireles com Dileta Silveira Martins

PENSANDO A POESIA DOS DOZE NOTURNOS DA HOLANDA DE CECÍLIA MEIRELES COM DILETA SILVEIRA MARTINS

Interpretar é desvelar uma significância possível no texto dito poético. Nisso reside a sensibilidade do analista de extrair de um tipo particular de discurso – o poema – o conteúdo do ato criador e a reelaboração do processo linguístico, através de possibilidades múltiplas, consubstanciadas no próprio poema.

No poema Doze Noturnos da Holanda pressente-se, pela leitura global, que o título está ligado a uma visão panorâmica das noites insones, vivenciadas pela poeta, no país dos moinhos, dos diques e dos canais através de evocações, lirismo e musicalidade.

O conjunto poemático abre-se para uma significância que se cristaliza no título: Doze Noturnos, ou seja, as noites versificadas em doze composiçoes poéticas. Associa-se a isso a leveza polifônica dos versos como metáforas de vida e morte, debuxados em construções musicais de caráter evocativo e revelador: noturnos. Nos poemas Doze Noturnos da Holanda apreende-se, no encadeamento sêmico a consciência da fluidez do tempo, desvelada criativamente, numa relaçao nostálgica entre o humano e o temporal, expressa na universalidade e na condição efêmera da vida.

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sonambolismos, para que pés?

CartierBresson6

Sonambulismos

Para que pés…

Tenho asas
voo
rodopio em fantasias

Para que pés…

Piso em nuvens
transfiguro lágrimas
em chuva

Para que pés…

Se enquanto penso
uma máscara relaxa

Para que pés…

Bailo
Tango
e quero-te em meus passos

Pés
quero-te sonâmbulos em meus rastros.

Poema: Carmen Silvia Presotto
Fotografia: Henri Cartier-Bresson