Archive for julho 10th, 2010

meditações líricas, mais um poema de Vertentes

Meditações Líricas – Quinta Parte (trecho)

Poeta, lembra-te de Zoroastro
e acende a chama na planície do coração!
A poesia é divina
e cada poeta é grande em sua dicção.
A inspiração não escolhe a quem,
mas antes vem o mérito e o dom da recompensa.
Vejo os verdes montes cobertos de ternura
e recolho os madrigais da ventura.
Poeta sou e de ânimo celeste coroei-me a fronte.
Não por mim mesmo, mas pela fonte do dia.
Pela luz das serenas alturas,
pela estrela rútila das madrugadas.
É por ela que venho colhendo alvoradas.

Poema de Márcio Catunda, Vertentes, Coletânea de poemas e fortuna crítica, fiveStar.

impossível escolha, ora bolas…

Impossível Escolha
a Mario Quintana

ora bolas, como dizia o poeta!

Ora bolas, como dizia o poeta…

Se escolhesse o dia de minha morte
seria um ensolarado domingo de outono.

Alegre, morno, brando, aninhado a folhas de plátanos
douradas, atapetando o chão que me abrigaria.

Se escolhesse o dia de minha morte
seria um esvoaçante cobertor sem dor por partir.

Um dia em que os pássaros e as borboletas
brincassem no céu.

Um dia em que o sol vibrasse por novos horizontes.
Um dia feito piquenique com toalha xadrez
cesto de vime e cálices de vinho.
Um dia em que o findar não encontrasse a noite.
Um eterno dia…

Se escolhesse o dia de minha morte
seria um dia trocado.

Um dia impossível de escolhas.
Talvez um Domingo chuvoso, abafado.
Ou uma Sexta-Feira que me acordasse no Domingo.
Cristo!
Quem sabe não morro…
Ora bolas!

Poema: Carmen Silvia Presotto, Dobras do tempo.
Fotografia: Ricardo Hegenbart, Outono em Londres.