impossível escolha, ora bolas…

Impossível Escolha
a Mario Quintana

ora bolas, como dizia o poeta!

Ora bolas, como dizia o poeta…

Se escolhesse o dia de minha morte
seria um ensolarado domingo de outono.

Alegre, morno, brando, aninhado a folhas de plátanos
douradas, atapetando o chão que me abrigaria.

Se escolhesse o dia de minha morte
seria um esvoaçante cobertor sem dor por partir.

Um dia em que os pássaros e as borboletas
brincassem no céu.

Um dia em que o sol vibrasse por novos horizontes.
Um dia feito piquenique com toalha xadrez
cesto de vime e cálices de vinho.
Um dia em que o findar não encontrasse a noite.
Um eterno dia…

Se escolhesse o dia de minha morte
seria um dia trocado.

Um dia impossível de escolhas.
Talvez um Domingo chuvoso, abafado.
Ou uma Sexta-Feira que me acordasse no Domingo.
Cristo!
Quem sabe não morro…
Ora bolas!

Poema: Carmen Silvia Presotto, Dobras do tempo.
Fotografia: Ricardo Hegenbart, Outono em Londres.

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3 respostas para “impossível escolha, ora bolas…”

  1. Letícia L. H. Dotto Says:

    Muito legal, a foto tá linda!!

  2. Marcio Almeida Nicolau Says:

    “Um dia… pronto! me acabo.
    Pois seja o que tem de ser.
    Morrer que me importa?… O diabo
    É deixar de viver!”

    (Mário Quintana)

    Parabéns Carmem.

  3. aline morais farias Says:

    Hum…..
    Sempre bom falar do meu poeta… meu guru…
    Obrigada por me trazê-lo hoje!
    ” O dificil não é ter um sono eterno
    Dificil mesmo é a insonia eterna”
    (Mario Quintana)
    Adorei…E a foto é realmente incrível!
    Aline Morais Farias
    Blog: Periódico Subversivo
    http://alinemoraisfarias.blogspot.com/

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