Archive for julho 12th, 2010

pensando a Poesia com Ana Maria Lisboa de Mello

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A poesia tem profunda afinidade com o mito. Os poetas, não só os modernos, fazem renascer ou regenerar, através de sua imaginação, símbolos arquetípicos próprios da produção mítica. A linguagem e a arte se desprendem no solo nativo comum do pensar mítico. Na lírica, é da linguagem, voltada sobre si mesma, que emerge a força e a magia do mundo mítico. Mito e linguagem brotam do mesmo impulso de formulação simbólica, a partir de uma experiência emotiva.


A imagem, no poema, é uma representação que institui, simultaneamente, presença e ausência, na medida em que o evocado se faz de algo fugidio, inapreensível. No texto poético, a linguagem é, sobremaneira, ambígua, polissêmica, equivoca e, por tudo isso, rica e inesgotável.

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um livro, um poema de Adriana Bandeira

Chá das cinco

Parto de gente


Sem remédio. Quero-me acordada para sentir a chuva que já vai passar. Ouvir-nos em todas as vozes que moram estações: primaveras,outonos,invernos…

Da angústia,a melhor canção!

Sem remédio,doutor! Quero receber o filho,quando um eu nascer em adoção.

Poema de Adriana Bandeira

as pontes de Nova Iorque, poema de António Amaral Tavares

*Série Retratos de Nova Iork, leiam aqui e em A casa que caminha:

AS PONTES DE NOVA IORQUE

(Berenice Abbott. Pike and Henry Streets, Lower East Side. 1936)
O olhar encontra de uma vez só
uma porção ínfima da cidade que se escolheu

o rosto rígido dos edifícios sobre a rua

na continuidade da vista e da rua
uma ponte surge envolta na neblina do dia
em que se chegou

e como uma sombra branca
lembra a ideia vaga de uma partida

é um cavalo sem dono a partida
não se morre duas vezes na mesma cidade.