Archive for julho 15th, 2010

cidade distante, uma cartografia poética…

Tadeu
(Tadeu)

POEMA DA CIDADE DISTANTE
de António Amaral Tavares

Há um rio que une toda a cidade como um verso friamente queimando a memória
e que une a cidade ao mar como um cordão umbilical de mistério latente
os gatos habituaram-se à luz pontiaguda dos espelhos
e à noite vigiam a morte do cimo dos telhados e das árvores.
É uma das muitas cidades que se descobrem rumo a norte
com janelas iluminadas de quartos devorando a noite por dentro
as ervas parecem gostar deste vento frio que as une mais à terra
abrindo à navalha planaltos no olhar
há dias em que o meu coração tem a forma de uma serpente
e quando é assim as mãos procuram buracos e noites fechadas à chave
vivo assim desde que o medo arrombou portas e janelas como um furacão.

Leia toda a cartografia poética
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