Archive for julho 17th, 2010

pensando a Poesia com Júlia Kristeva e Dileta Silveira Martins

PENSANDO A POESIA COM O TEXTO KRISTEVIANO E COM DILETA SILVEIRA MARTINS

Na Semiologia há uma preocupação com o signo e com o sujeito da comunicação, através do centramento desse mesmo sujeito, ao passo que na Semanálise descentra-se o sujeito e ocorre o deslocamento da superfície do signo, anulando a representatividade e inscrevendo-se o inconsciente. Configura-se, por isso, uma bipolaridade: de um lado, o discurso como estrutura finita e opaca; de outro, o texto dito poético como estrutura infinita e profunda – produtora de sentido. Assim, o texto inscreve-se na história e a história lê-se no mesmo. Texto emoldura uma operação translinguistica: dentro da língua e estranho à mesma.


De acordo com Julia Kristeva, o texto dito poético difere da linguagem de comunicação, porque, através de operações sintáticas e semânticas, produz-se um novo espaço poético. Essas ditas operações exercitam os conjuntos sêmicos que apagam, dissolvem as coerções dos limites das unidades lexicais, abrindo-se para outros significados. Da correlação entre o nível fônico-semântico emerge a aplicação das unidades sintáticas e semânticas. Ler um texto implica romper com as normas gramaticais e reconstruir a linguagem – como é o caso do poema moderno.

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pedaço de conversa, poema de Eunice de Souza

INDIA

Pedaço de Conversa

Certo dia, minha tia educada à portuguesa
pegou um shivalingam de barro
e disse:
Isso é um cinzeiro?
Não, respondeu o vendedor,
é o nosso deus.

Poema de Eunice de Souza, tradução de Valeska de Aguirre, publicado no Caderno Prosa & Verso de 17/7/2010.