pensando a Poesia com Júlia Kristeva e Dileta Silveira Martins
PENSANDO A POESIA COM O TEXTO KRISTEVIANO E COM DILETA SILVEIRA MARTINS
Na Semiologia há uma preocupação com o signo e com o sujeito da comunicação, através do centramento desse mesmo sujeito, ao passo que na Semanálise descentra-se o sujeito e ocorre o deslocamento da superfície do signo, anulando a representatividade e inscrevendo-se o inconsciente. Configura-se, por isso, uma bipolaridade: de um lado, o discurso como estrutura finita e opaca; de outro, o texto dito poético como estrutura infinita e profunda – produtora de sentido. Assim, o texto inscreve-se na história e a história lê-se no mesmo. Texto emoldura uma operação translinguistica: dentro da língua e estranho à mesma.
De acordo com Julia Kristeva, o texto dito poético difere da linguagem de comunicação, porque, através de operações sintáticas e semânticas, produz-se um novo espaço poético. Essas ditas operações exercitam os conjuntos sêmicos que apagam, dissolvem as coerções dos limites das unidades lexicais, abrindo-se para outros significados. Da correlação entre o nível fônico-semântico emerge a aplicação das unidades sintáticas e semânticas. Ler um texto implica romper com as normas gramaticais e reconstruir a linguagem – como é o caso do poema moderno.
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