Archive for julho 20th, 2010

aos amigos, um beijo e uma reflexão… feliz dia do Amigo!

Textos fantasmas? Ghost internetês?
por Carmen Silvia Presotto



Escritos crônicos de Arnaldo Jabor e Lya Luft, indicam que há muita covardia rolando nas escrituras. Por trás das palavras, há os que escondem seus preconceitos em nome de outros… No entanto, estive pensando que se o eu que escreve e o eu que lê sempre são sujeitos diferentes, mesmo que a mão do ato tenha sido a mesma, isso não deveria nos preocupar.

Leiam todo o escrito
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pensando a Poesia com Nei Duclós

EM BUSCA DA IDENTIDADE PERDIDA DA LINGUAGEM
por Nei Duclós

A poesia é a linguagem em busca da sua identidade. Para cumprir seu destino, deixou de lado o amplo espectro dos temas e concentrou-se na sua própria ciência: modernidade pelo avesso, já que o único exercício é recuperar a magia perdida ou dispersa na selva minada pelo jornalismo, a publicidade, a mídia eletrônica, a diplomacia, a advocacia, o cinema ou a música. Não é buscar a fórmula exata, mas a palavra-chave, reinstauradora do verbo.

Pois no caos – que podemos batizar de discurso, linguagem em ruínas – fazer poesia é inventar a carne. Morder, por enquanto – nessa transição de signos -, a “carne intermediária”, de que nos fala Paulo Henriques Britto no livro Mínima Lírica .Aquela que existe entre a “casca e o caroço” da vida, em que “a língua elabora a doce palavra”. Ou promover o “curto-circuito da frase”, opção de Rubens Rodrigues Torres Filho em Poros. Trata-se de uma luta de arma branca: a poesia não encontra nos mísseis sua metáfora mais contundente, mas na faca, na lâmina. O corte fala melhor do que a bomba. Por isso os poetas não apertam botões, eles ainda afiam espadas e continuam carregando os mesmos detritos: “Há algum tempo coleciono cadáveres” (Britto); “Longas, frias, vazias – certas letras somem ao olho que tombado cai” (Torres Filho).

Leia todo o ensaio aqui ou no blog do autor:

http://outubro.blogspot.com/

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doces dezesseis

INDIA

Doces dezesseis

Bem, não se pode dizer
que não tentaram.
As mães nunca falaram em mentruação.
Uma freira gritou: garota vulgar
não diga sutiã
diga corpete.
E prendeu mangas de papel
em nossos vestidos sem mangas.
O padre ameaçou:
Nunca saiam sozinhas como um homem.
Sozinhas nunca
e mesmo que estejam noivas
somente beijos sem paixão.

Aos dezesseis, Phoebe me perguntou:
Pode acontecer, quando se está num baile
quero dizer, você sabe,
ficar de barriga e tudo o mais, enquanto
se dança?
Eu, com dezesseis, lhe garanti
que podia.

Poema de Eunice de Souza, tradução Valeska de Aguirre, publicado no Caderno Prosa & Verso de 17/7/2010 do jornal O Globo.

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