Em Interiores, vida:sonho, realidade ou ficção?

SE SONHAR SONHAMOS TODOS, POR QUE HÁ OS QUE NÃO SONHAM?
por Carmen Silvia Presotto

Picasso.Guernica2

Em 1900, Freud desperta o sono do mundo ao divulgar seus escritos sobre a Interpretação dos Sonhos. Desde então, os sonhos, para alguns, nunca mais foram iguais e como toda a Ciência, a investigação dos Sonhos não parou.

Freud, através de seus escritos, tem feito discípulos e seguidores de que o trabalho vale a pena, a angústia e o papel por uma tinta de vida que nos grife mais humanos. Vale o investirMENTE, porque mais do que uma abordagem científica, seus escritos em sua matrix, em sua teoria, trazem a vivência e a fonte para trabalharmos com a Teoria do Inconsciente, material científico que nos leva a investigar o suceder psíquico através da construção do homem que constrói o próprio homem. Uma diacronia inconsciente e constante, que desembocará numa temporalidade em que todos somos iguais em tecido e textura, já que todos temos tempo de vida e de morte.

Leia todo o artigo


Existência, essa é a validade que nos situa num contexto que poderá nos remeter ou não, conforme o desejo e digo mais, conforme a importância que dermos a nossos desejos, à busca de ser sujeitos de outros tempos. Por isso, a Psicanálise trabalha a tese de que há duas vidas em todos os humanos: uma vida desperta e outra adormecida. Uma que deseja viver para sempre e outra que só quer descansar.

No entanto, se a teoria nos diz :sonhar, sonhamos todos, já a vida cotidiana nos alerta: por que há os que não sonham?

Ao percebermos que 100 anos para uma ciência é um tempo muito restrito, brota um novo campo novo, gerando uma necessidade urgente de trabalhar sobre traços já escritos junto a teorias psicanalíticas e a grande poesia universal. É nesse entorno que Platão, Freud, Lacan, Marx, Heidegger, Nietzsche, Shakespeare, Drummond, Gullar, Woolf, Plath e tantos outros Saberes Universais nos reúnem junto a uma contemporaneidade de conhecimentos, que somados, tornam-se releituras para outros escritos.

É sabido que do nada, nada advém. Então, escrevemos, falamos e escutamos para inscrever novos atos que nos instiguem a alcançar essa nova mirada. Sem angústia, sem repressão, sem o limite da origem e do fim, não haverá progresso. Paradoxal… mas, é justamente neste deslocamento, nessas idas e vindas, que nascem outros cruzares, outros sentidos de possibilidades criativas. Um norte que nos encaminhará a uma humanidade.

Ao bebermos dessa nascente que nos pulsa, percebemos um sangue vital, anunciando que teremos um fim no tempo real. Surge outro cenário, outra realidade.

Vida! Sonho, realidade ou ficção?

Quando a carne compreende que findará, nos prendemos na contra-lógica e por aí as palavras não serão mais palavras, associações livres de uma linha temporal, e sim berço, onde uma verdade poderá ser escrita e transformada. Surgem outras ligações redesenhando figuras em movimentos, para que fantasmas, palavras mal-ditas comecem a sair de baús para se libertarem e se sentirem mais livres e alçar vôos em escritos ou num divã.

Desde aí, uma escuta, um tempo inconsciente nos diz que verdades podem ser construídas dentro de um espaço temporal, porque ao falar, o desejo passa a ser manifesto e por isso mutável. Uma verdade não nasce pronta, ao ser interpretada ela remexe almas adormecidas.

Dói, porém quando aceitamos o desafio de trabalhar e investigar nossos sonhos, nosso desejos escondidos, podemos preencher páginas em branco e ganhar existência, tecer uma escritura própria, mesmo que para isso tenhamos muitos pesadelos.
Dói, mas falar permite que alguém não adoeça por mistérios não contados.

E como nos alerta Freud, um dito preso na garganta ao sair das sombras ganha um corpo novo, um Campo de Linguagem, onde um tempo adormecido não será mais um sintoma da carne, nem uma doença, mas sim um tempo de compreensão que muito Além do Princípio do Prazer, muito além dos pesadelos, poderão ser realizações que nos permitam dizer que a felicidade também é um projeto e um trabalho para ser construído por um ser falante, um sujeito psíquico, um ser de um tempo… E se sonhar, sonhamos todos, o que nos autenticará como seres de um tempo é a concretização de nossos desejos. Pois então, sonhemos!

Tags: , , , ,

uma resposta para “Em Interiores, vida:sonho, realidade ou ficção?”

  1. Marcio Nicolau Says:

    Sonhemos despertos.

deixe um recado