da lei da vida, um poema de Portugal

DA LEI DA VIDA
Sombra que fura o peito precário
e floresce na terra arenosa do tronco
por não ter outro lugar onde ser
senão na casa a que enfim chegar
nada existe que me encha a alma de presente
ou ido nada que a memória detenha
pode atravessar essa fina parede de gesso escrita
de um lado apenas se mesmo a alma vai vazia
isso de levar palavras comigo é coisa proibida
e guardar essa flor tão só é ainda querer
olhar caminhar pensar e viver
à margem da lei da vida.
Poema de António Amaral Tavares
Fotografia de Robert Parkeharrison
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