A meteorologia
(palavra sem poesia)
avisa: chuva nem pensar,
continuará seco:
o pampa, a serra,
o planalto, o litoral…
a boca, a alma e o corpo,
seguem a previsão:
secos, (coisas do coração).
Haydeé Schlichting Hostin Lima, Poesia no ônibus, 17ª edição.
Ferreira Gullar, o poeta maior, completa 80 anos. Pena que ninguém leia mais poesia
A poesia talvez seja a manifestação mais excêntrica da linguagem. Esqueçamos por ora do espírito humano ou da figura do poeta, mera abstração que as teorias de estruturalistas sobre a “morte do sujeito” enterraram nos anos 60. Suponhamos, mal seguindo Michel Foucault, Jacques Lacan e Derrida, que a poesia não passe de um prurido mórbido do código verbal, recalque da “phoné” ancestral, um signo incômodo. Ou, como ensinou o linguista Roman Jacobson, uma reles sobreposição do eixo do significante sobre o do significado. Completa inutilidade. A que vem ela então? A que vem o poeta? Cada escritor tem pronta a sua resposta. Vou tentar dar a minha.
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