Lendo Manoel de Barros: Livro sobre o nada

Hoje, o Céu deve estar bem mais Natural. Paz e luz Manoel de Barros, vamos sentir saudade!

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5.

Sou um sujeito cheio de recantos.
Os desvãos me constam.
Tem horas leio avencas.
Tem horas, Proust.
Ouço aves e beethovens.
Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin.

O dia vai morrer aberto em mim.

7.

Sei que fazer o inconexo aclara as loucuras.
Sou formado em desencontros.
A sensatez me absurda.
Os delírios verbais me terapeutam.
Posso dar alegria ao esgoto ( palavra aceita tudo ).
( E sei Baudelaire que passou muitos meses tenso
porque não encontrava um título para os seus poemas.
Um título que harmonizasse os seus conflitos. Até que
apareceu Flores do mal. A beleza e a dor. Essa antítese o
acalmou.)

As antíteses congraçam.

BARROS, Manoel de ( 1916 – 2014 ). In: Livro sobre nada. Rio de Janeiro: Record, 1996. p.p. 45,49.

2 Comentários

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