Lendo Pedro Lyra

Pedro Lyra: “LAVRAGEM XIX – ATÉ DA LEMBRANÇA”

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Passou
pois tudo passa nesta vida
se a vingança das coisas
é passar:
passa o rio
– com ele seus murmúrios;
passa o tempo
– com ele seus martírios;
passa o sonho
– com ele seus mistérios.

Pois, assim, passa o amor.

Mas este
ao menos
deixa o que o vai levando:
o ter vivido,
o ter crestado
em gozo
o próprio amor
– tudo que justifica um vir ao mundo
mas que até da lembrança
há de passar.

E pois que passe
passe
pois que torna
mais amplo
mais aberto
mais sabido
o espaço por onde outro há de chegar.

(Porém que passe assim:
sem chaga
ou culpa.)

(Do livro “Desafio – Uma poética do amor”)

A foto foi colhida aqui: http://www.blocosonline.com.br/…/saciedi…/13/pedrolyra01.php

1 Commentário

  1. Francielly
    dez 17, 2014

    Passe, pois passear é necessário… Passar ante os olhos, passar sobre a pele, repousar em sentimento, em seguida continuar, passear nas palavras… Passos leves, como diz o poera: “sem chaga ou culpa”. Bravo!

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