Pneuma, um poema de Lisa Alves em Vidráguas

Pneuma poema de Lisa Alves Ó almas presas, mudas e fechadas Nas prisões colossais e abandonadas, Da Dor no calabouço, atroz, funéreo! Nesses silêncios solitários, graves, que chaveiro do Céu possui as chaves para abrir-vos as portas do Mistério?! Cárcere das almas – Cruz e Sousa Do tempo rememoro crepúsculos – misturas de cores sorvidas pela escuridão: O Homem invisível pesca olhos curiosos. O velho viajante é veloz a olho nu. Várias portas cavadas para destinos que não suportam essa gravidade. Teci uma roupagem que desvestiu minhas máscaras – traje atemporal e assexuado. Provei a terra e todas as suas complexas criaturas. Solucei por poucas quedas e gargalhei seus mistérios. Estou ali esperando o retorno das novidades em nosso...

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A Dríade de Lisa Alves em Vidráguas…

A Dríade por Lisa Alves “É que por enquanto a metarmofose de mim em mim mesma não faz sentido. É uma metamorfose em que eu perco tudo o que tinha, e o que sou. E agora o que sou? Sou: estar de pé diante de um susto. Sou: o que vi. Não entendo e tenho medo de entender, o material do mundo me assusta, com seus planetas e baratas.” Clarice Lispector Respirava provocando vida e as forças afloravam lentamente, existência entre existência é experimento uno e metamórfico. Sentiu a terra lambendo sua tez e mergulhou na sensação de sentir-se entre a pele e o seu elemento de equilíbrio. – terra, raízes e organismos decompositores uniram-se a sua superfície de carne. Agora o barulho, as máquinas perfurando o solo chegavam a tremê-la, uma vez...

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O Álbum de Maria Antônia, por Lisa Alves!

O Álbum de Maria Antônia por Lisa Alves Meus avós maternos Efígies imortalizadas naquele álbum de fotografias – historíolas contadas em sépia, preto e branco e papéis amarelos: sorrisos imortais, uma felícia clandestina surpreende-me ao ver a menina-eu capturada por acidente – uma flor ao chão e a miúda mão indo ao encontro da vermelhidão espinhosa. Casais que o tempo levou a paixão, roupas que já se volveram em hortelã e alface. O mar que o avô usava de fundo – hoje recebe os dejetos do mundo. A prima que partiu aos vinte e um. A amiga que se matou aos quinze. Onde estão? Estão? A mesa repleta de frutas e a tia ali sorvendo à seco os desaforos dos irmãos. O canteiro de folhas místicas – hábeis a arrancar mal olhado,...

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Em Vidráguas, O troco por Lisa Alves…

O Troco por Lisa Alves Mas quase nos entendemos nesse leve desencontro, nesse quase que é a única forma de suportar a vida em cheio, pois um encontro brusco face a face com ela nos assustaria, espaventaria os seus delicados fios de teia de aranha. Clarice Lispector – Água Viva Desencaminhou sua quietude ao cruzar com sua meia alma. O encaixe despontou como um Big Bang de sensaçõesB – ele desmoronou, gemeu, seu corpo não suportou o atrito de energias tão compatíveis.Trêmulo estendeu a mão para que ela o alcançasse e ela sem delongas correu ao seu encontro – presenteando-o com um doce toque de cobre na calçada. Lisa Alves, grande leitora de Lispector, Sylvia Plath, Bukowski e tanto outros que nos enlaçam o caminho, escreve conosco em...

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O amanhã de Gaia por Lisa Alves…

O Amanhã de Gaia poema de Lisa Alves Gaia de God of War “Só uma guerra é permitida à espécie humana: a guerra contra a extinção.” Isaac Asimov A lágrima de uma primavera que sangra tinge a casa velha de dor e vingança. O céu-pólvora-cinza traduz o vazio no peito de mães orfãs. ( mães cedidas as valetas de uma Cidade do Sol) No palanque o erro dos covardes é legitimado. Ocidente e Oriente são enlaçados pela mesma doutrina do papel vil. Furei as mãos para lembrar o suplício de um messias esquecido. (não é o seu messias, é o messias esquecido) Fui ao funeral de Meena e jurei não esquecer as suas crianças. As estações passaram – esqueci – Perdão! O meu continente jogou...

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Estéril Coletivo por Lisa Alves…

Estéril Coletivo por Lisa Alves* Ignorar o cheiro dessa maresia – ser tão antidionisíaco. Fechar o corpo ao calor dos trópicos. Cegar-se, perfurar a íris com versículos e leis. Atravessar o instinto, enjaular-se, calar o bálsamo terra-e-água. Abrigar-se por signos: crucifixos e ideais. Eis aqui um Eunuco. *Lisa Alves é poeta, escritora que leio sempre e recomendo, para saber e ler mais escritos da Autora, visitem seu blogue: A Fábula de Um Mundo...

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Monalisa Suburbana poema de Lisa Alves…

Monalisa Suburbana poema de Lisa Alves Fotografia e Arte de Lisa Alves “Tenho vinte e cinco anos de sonho e De sangue e de América do Sul. Por força deste destino, Um tango argentino Me vai bem melhor que um blues.” À Palo Seco – Belchior Mais uma vez ouço o piano. Canção impudica e indigesta. Pasma, peço a Deus que empurre o (a) intrumentista desse devaneio. Sou lagartixa – dieta insetica. Paladar com repudia a requinte. Aumento o som dos tamborins e abafo a penumbra classicista. Enquanto isso as mãos de antepassados pintam-me na gothica city. Exausta inundo-me de tinta e som. Por Valquírias andrógenas sou penetrada. Desço ao submundo e danço o trance macabro de Wagner em cima da ceia da viciniana. Lisa é uma poeta,...

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As mesmas mãos poema e mais escritos de Lisa Alves…

As Mesmas Mãos poema de Lisa Alves Da mão do tempo colhi experiências: flores autênticas com espinhos artificiais. A proteção desfigura-se – nada guarda a chuva. Pingo tempestades, choro dilúvios. E o mar da tranqüilidade pertence ao vizinho. Disseram para livrar-me desses pensamentos. Mas as idéias enterradas nos pés da massa, multiplicaram-me. Estou neles, estou eles e agora somos os mesmo pés e as mesmas mãos. Na dança da multidão, ganho horários e cartões de compras. Andar reto nesse coletivo insano. Os meses são demais, mas são poucos os anos. Um mapa traçado na face – ainda não é sinal do fim. Gero despesas, abomino a TV e quando vou às compras volto com a sacola cheia de Nada. A falta de sentido me causa dor – é melhor...

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A prisioneira do bosque um conto de Lisa Alves em Vidráguas

A Prisioneira do Bosque – Desintegração dos Quarks por Lisa Alves Fotogragia de Juliana Botão, Arte de Lisa Alves Respire, inspire o ar Não tenha medo de se preocupar Vá, mas não me deixe Olhe em volta, escolha seu próprio chão Por muito tempo você viverá e voará alto (…) Corra, corra, coelho, corra Cave esse buraco, esqueça o sol E quando finalmente o trabalho estiver terminado Não vá se sentar, é hora de começar a cavar outro” Breathe do álbum – Darkside Of The Moon – Pink Floyd – E então, como é envelhecer? Consegue sentir a indelicadeza do tempo? – Eu não posso falar com você, estou em uma fase racional! – A sua ingenuidade continua permanente. As duas se entreolharam, uma estava diferente a outra permanecia...

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Quadro de avisos, um poema de Lisa Alves em Vidráguas

Quadro de Avisos poema de Lisa Alves Há tempo de chuvas e guarda-chuvas. Há tempo de secas e tempestade de areia. Há tempo de sorte e milagres na mesa. Há tempo de mesmice e singularidades. Os tempos se conectam, fundem-se no hermetismo da vida. A criança de ontem abre o caderno de economia. A mãe sai as seis e retorna no final da noite. O padre estuda o evolucionismo. A indústria que degrada usa selos de sustentabilidade. E acreditamos em nossas coincidentes diferenças (usamos o mesmo céu e rezamos a mesma cartilha) Discutimos comportamento, aceitamos as imposições (o homem mais rico do mundo continua certo) Há tempo de indiferença. Há tempo de alienação. Há tempo de injustiças. A iniciativa privada priva-nos de qualquer iniciativa. O...

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