Archive for the ‘Cartas’ Category

a amigos, um poema, uma carta, um bom final de semana

CHOQUES

Quando penas chocam na vidraça do sono,
lágrimas despenam o Etna…

Do adormecido,
desviro a terra do mundo.

Aqueço palavras com beijos

Pássaro pendurado aos filhos do vento
sou o ar desviado de mundo.

Larva
sou a mão úmida de caminhos.

e

Sigo acreditando que a Escritura é a materialidade com que se tece a vida, por isso trabalho, para mim e para outros.

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vamos faxinar 2009?

Oi, Amigos Queridos!

faxinando...

Vamos fazer aquela faxina de fim de ano?! Limparmos gavetas, armários, separarmos as roupas que não usamos mais, os calçados, os acessórios. Depois separamos os papéis, os livros, os objetos de escritório, selecionamos o que deve e o que não deve permanecer no ambiente. Daí prosseguimos faxinando a sala e a cozinha.

Durante esse processo nos perguntamos: o que quero manter aqui dentro? Quais objetos realmente trazem benefícios e tornam minha vida melhor? Quais eu guardo movida por um apego ilusório? Até que ponto esse apego me faz manter objetos que estão ocupando o lugar de algo que me daria mais conforto, alegria, prazer? Por que não deixar espaços vazios? Abertos para serem ocupados por novos objetos… ou não! Talvez seja melhor que aquela gaveta fique vazia, mas cheia de ar.

O que fazer com tudo que não quero mais?

leia toda carta
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cartas preciosas, assim caminha a Poesia…

*Obrigada, Professor Armindo Trevisan por permitir compartilhar esta preciosidade em Vidráguas!!!


Cartas a Um jovem Poeta
Cecilia Meireles
cecilia-meireles1

“Armindo Trevisan, caro Amigo:

armindo_trevisan

Dada a franqueza com que me escreve, procurarei atender a seu pedido, relativo à minha opinião sobre versos.Não acredite na minha opinião. (Sublinhado pela missivista. Toda vez que o fizermos, é porque ela o fez). Nenhuma opinião alheia vale nada, em si mesma. ( isto não é literatura). O que vale é a opinião própria, do artista. Mas, para que essa opinião valha, efetivamente, é preciso que ele se construa, se edifique. E só assim poderá criar e, ao mesmo tempo, fazer autocrítica.

Uns lhe dirão: gosto destes versos, não gosto daqueles, etc. Acontece que V. goste do que os outros não gostam, e vice-versa. Porque uns vêem os versos de fora, como obra criada e V. os vê de dentro, como instante de criação. E isso é muito confuso.

Quanto à espontaneidade, sem dúvida é uma qualidade, mas excessiva, pode tornar-se mecânica. Tenha cuidado. Escreva, guarde, deixe de ver o que escreveu por algum tempo, depois volte a ler, como se fosse não autor, mas leitor.

(…)lembre-se que cada um de nós é uma pessoa diferente, guardando tênues correlações com as demais. Cada um de nós tem um ritmo de alma. Deixe que seja esse o de seus versos.

Meu conselho – como professora de Literatura posso dá-lo, mas V. não é obrigado a segui-lo, pois um jovem de 20 anos deve estar contra tudo, é natural que esteja, mas aos 30 está de acordo com o que lhe diziam… Meu conselho: procure, primeiro, ter uma idéia clara da Literatura Brasileira. Procure uma boa história da Literatura. Não há muitas. Se encontrasse a de Ronald de Carvalho, teria um panorama conciso e útil. As de Romero e Veríssimo(José) são boas, mas um pouco inatuais. Procure sentir o espírito das letras, nos poucos séculos da nossa história. Dada a sua origem italiana, faça o mesmo em relação à grande, à bela literatura de seus antepassados. Verá por essa leitura, a evolução que experimentam os poetas – que é a evolução do mundo. Nada se repete. Mesmo que um tema seja o mesmo, o tratamento é diferente, as palavras são outras, o giro de linguagem, etc. É o que torna reconhecível um poeta, um escritor, uma época, um país…

Depois da História da Literatura Brasileira, poderá estudar uma História da Literatura Geral… É uma pena que seja tão mal ensinada a Literatura, mesmo nas faculdades… Em seguida, vá as antologias, de diferentes épocas e países. Para ter uma visão do mundo das letras. Não creio isso desnecessário. Pense num pianista: ele pode ter o dom de executar ou compor, mas para adquirir a plenitude desse dom, precisa conhecer o instrumento, a técnica, etc. Não é só cantar: é conhecer os sons, e a sua combinação, etc. Não é só escrever: é preciso conhecer o instrumento: a palavra, como som, sentido, repercussão…

Naturalmente, há o poeta popular, o trovador, o que não sabe como faz o que faz. Também há, é certo. Mas é o poeta popular, note bem. É outra categoria.
Se quer um conselho mais: não tenha pressa. Aos vinte anos, todos estão com pressa. Por que? Depois – conheço vários casos – desanimam, se o grande esforço de publicar um livro( porque custa muito caro!) não é correspondido com grande aceitação por parte do público, – em geral displicente em matéria artística, pobre para comprar tudo quanto aparece, e, como é natural, mais voltados para os valores mais amadurecidos.

Não é porque não sejam bons os seus versos, – mas porque poderão ser melhores. Todos começam modestamente. A vida é breve, a arte é longa – e não se pode começar pela perfeição. Nem pela experiência. A experiência vem depois. E o sofrimento. E o descobrimento ou a invenção do mundo. Pelo menos do mundo particular que cada um possui, e que é a única revelação a fazer… A nossa visão da vida… Como um relato de marinheiro de volta do fim do mundo. Com a família, a tribo atenta, a ouvi-lo, aprendendo com o que ele viveu…

Leia Rilke. Leia os grandes. Tagore, Fernando Pessoa. Garcia Lorca. Leia os antigos. Horácio, Ovídio, Virgilio. E os gregos. Leia os chineses. Esse delicado Li-Po, que vai amar, e Tu-Fu, e tantos… Leia os árabes, muito derramados em amor, mas com uma prodigiosa riqueza de imagens, e os meus queridos persas, que falarão sempre de vinho, etc., mas o vinho é outro… transponha isto misticamente. Leia.Leia.

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caros amigos: uma letra, uma carta, um adeus

Amigos!
por Carmen Silvia Presotto
capa-chico-buarque
Estar no Rio de Janeiro no feriado de 1º de maio, foi poder assistir a peça Meu Caro Amigo com Kelzy Ecard, acompanhada ao piano por João Bittencourt, para seguir caminhante com a nata musical de Chico Buarque, através da personagem Norma, uma personagem feito nós, Chiquetes por excelência, que através de canções nós faz reviver a história recente do país.

Com as canções de Chico Buarque e a genial interpretação de Kelzy, vamos passeando pelas memórias, compartilhandas pelo amor e admiração deste genial artista e chegamos ao domingo, dia 3 de maio, para dar adeus a Augusto Boal, um dos nossos maiores teatrólogos.

E,novamente, Chico Buarque é o chão da estrada. Desta vez, Caro amigo, chega junto com Francis Hime para nos recordar que houve um tempo, onde a arte tinha que ser driblada em vinil ou cassete para chegar a quem teve que partir pelas duras penas…
Então, num final de semana, pude confirmar que teatro é platéia, sim. Arte que escoa onde o povo está, sem opressão, ri e chorei, revivi O Arena, O Opinião para seguir caminhante tipo Mulheres de Atenas por mais histórias embaladas em canções…

augusto-boal

Meu Caro Amigo
Composição: Francis Hime e Chico Buarque

Meu caro amigo me perdoe, por favor
Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita

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poema à Carolina

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Foto: Marc Riboud, Magnun Photos, French mime artist Marcel Marceau.

Poema
à Carolina

Breviário
face
de pó
vento
ao fogo
Ar
antiga moeda
de escuras sombras
Homem
névoa louca
de um breve Poema,
reVersos…

Carmen Silvia Presotto