Archive for the ‘Cartografias Poéticas’ Category

rodando Paris, Rodin

RONDANDO RODIN EM PARIS
Por Berenice Sica Lamas
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Embebi-me do museu Rodin em Paris: rua Varenne 77/ 79 – 7° arrondissement, perto de Les Invalides. Dedicado ao escultor francês Auguste Rodin, sediado no palácio estilo rococó Hotel-Biron, moradia do artista nos últimos anos de sua vida – de 1908 a 1917, expõe mais de 6000 esculturas. Um ano antes de sua morte, ele doou toda sua obra à França.

rodin jovem trabalhando

O palácio também pertence hoje ao governo e trata-se, por si, de uma belíssima construção, com delicados ambientes e salas envidraçadas permitindo visão do jardim.

paris jardim museu rodin lago escultura

As obras espalham-se pelos dois planos do museu: um interno e outro externo. No jardim, bosques árvores plantas canteiros de flores alamedas para caminhar, um ambiente ao ar livre agradabilíssimo, fiquei maravilhada com todas as esculturas distribuídas em meio a natureza, destacando-se através dos passeios.

Ao externo, então: “Orfeu”
Orpheus Auguste Rodin bronze sculpture LACMA

“O Pensador”, as figuras dramáticas dos “burgueses de Calais”, “A Porta do inferno”, “Balzac”, “Ugolino”… O ambiente verde já valoriza, por si, as obras expostas ao longo do jardim. Sua força, paixão e vigor são potencializados pelos contrastantes e superpostos tons de verde: vegetação e matizes verdes do próprio bronze.

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Bologna habitada

Bologna
por Berenice Sica Lamas

Bologna16

Bologna deserta
silenciosa

se torna campo prado
oca cicatriz
no coraçao de Emilia-Romagna

Bologna suspira,
sozinha

a cidade vazia
calor e medo
sol resplandece

pessoas partem à
praia, campanha, montanha
é ferragosto na
cidade coagulada

vitrinas constrangem ao consumo
gatos de prata espelhos do tempo
cultivam crimes insolúveis em café solúvel

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pesadas portas de madeira
fechaduras gigantes
cidade labirinto

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de calendário invertido:
onde Natal é inverno
neva na Páscoa
não tem Carnaval
dia dos namorados, fevereiro
flores não desabrocham em setembro
onde o Cruzeiro do Sul?


esférica circunferência
mapa redondo, Bologna
complexidade e voragem
veludo e pedra
casario e verdeza

bela forma de uma teia
aranha e insetos

cidade que captura, ao mesmo tempo
capturada
ruas, fios; esquinas, nós
e o viale marginal circundante
a borda: o muro, ruínas
o resto, periferia: fora do muro

Bologna engolfa
devora
devolve
no vazio de ferragosto
o fio da minha vida
as ruas dos passos meus

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em palavras, uma visita ao Museu da Língua Portuguesa em São Paulo

COM SABOR DE LÍNGUA PORTUGUESA
Berenice Sica Lamas

Em março de 2006, Inaugura-se o Museu da Língua Portuguesa na Praça da Luz no Bairro da Luz em São Paulo – uns meses depois tomo um avião de manhã bem cedinho para uma visita que me deslumbra.

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Trata-se de um projeto quase único, inédito, somente existindo na África um local semelhante para cuidar de um idioma. A transformação e adaptação do local – de três andares – o prédio do início do século da Estação da Luz é bastante simbólico, já que a esta estação confluíam os imigrantes chegados a São Paulo com toda sua babel de outros idiomas.


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A proposta e seus objetivos, as exposições, a origem, história e evolução da língua, a virtualidade lúdica, a combinação de arte e tecnologia, as cores e luzes e sombras, o impacto de tanta informação e aprendizagens, ambientes moderníssimos, elevadores transparentes – Fernando Pessoa, Guimarães Rosa (homenagem aos 50 anos do Grande sertão: veredas), Clarice Lispector – instalações instigantes. A imensa escultura “A árvore da língua”. Os espaços “A árvore da palavra”, “O beco das palavras” ou “Jogo da etimologia”, “As palavras cruzadas”. Trata-se de um museu interativo, onde a língua parece estar viva (paradoxalmente num museu) e dialogar conosco. Que deleite, tanta e tanta palavra…

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visitando Dostoievski e Anna Akhmatova

Museus literários em São Petersburg
por Berenice Sica Lamas

3 Capitais 166

O museu Fiodor Mikhailovic Dostoievski em São Petersburg (ex-Leningrado) na Rússia, situa-se na rua Kuzhnechny, na casa em que o renomado escritor russo viveu os 3 últimos anos de sua vida, de 1878 a 1881 , com sua segunda mulher e alguns filhos.

O ambiente do apartamento respira seriedade, transmitindo uma sensação de respeito e louvor. O silêncio e o recolhimento. Simplicidade. Poucos visitantes de cada vez.

Divide-se em literário e memorial – as peças (seções) se sucedem: banheiro, quarto de dormir, quarto com brinquedos de criança, sala de jantar, gabinete/escritório, cozinha. Através do mobiliário, objetos, artefatos, pertences, papéis, desfila sua história – talento criativo, prisão (a visão da corrente enferrujada que prendia a perna é tenebrosa), exílio – sua genialidade literária – páginas de seu último romance Os Irmãos Karamazov – que aqui escreveu. Às vezes dormia no sofá do gabinete.

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Seus pertences – capote, chapéu no cabide, guarda chuva, porcelanas, móveis, objetos de decoração e de uso cotidiano – escrivaninhas, cadeira de balanço, quadros, candelabros, relógios, porta-retratos, porta-lápis, jarra de lavar-se – e papéis referentes à sua vida desfilam ante nossos olhos trazendo uma memória antiga e suscitando imaginações. É possível conhecermos um pouco mais do escritor e da pessoa. Vê-se o quadro “Nossa senhora das dores”, verdadeiro ícone para o escritor

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e… em Verona, Carmen não morre

CARMEN DE BIZET NA ARENA DE VERONA
por Berenice Sica Lamas (*)
partitura

No anfiteatro romano Arena da cidade de Verona assistimos ao drama lírico Carmen, inspirada em um conto do escritor francês Prospero Mérimée de 1845 e transformada em opera lírica e musicada pelo compositor também francês Georges Bizet em 1875. Cantada em língua francesa, original em 3 atos, é uma das operas encenadas no 87° festival lírico anual da cidade, célebre em toda a Europa.


Arena Verona 016

O Arena, localizado no centro histórico de Verona, é o maior teatro lírico a céu aberto do mundo. Majestoso, de grandes proporções, estrutura toda de pedra clara, de forma circular elíptica, clássica a todos os anfiteatros, é o terceiro em tamanho da Itália. Sua acústica parece perfeita, as vozes saem límpidas e cristalinas chegando a toda a imensa platéia sem problema algum. Sua antiguidade é estimada em metade do século I (período Augusto/Tibério aproximadamente), não havendo fontes precisas quanto a data de sua construção e inauguração.

Verona é uma cidade muito turística da região do Veneto, norte da Itália, conhecida pelo museu e balcão das personagens Romeu e Julieta de Shakespeare, uma rica vida cultural, mercados e o próprio Arena. A palavra arena origina-se no latim, significando a areia que havia na parte interna de todos os anfiteatros romanos.

Desta feita o diretor é Franco Zeffirelli e o maestro/diretor de orquestra é Plácido Domingo – comemorando 40 anos de sua primeira apresentação no Arena -, aplaudidíssimo pelo publico presente, que já foi Don José em encenações pretéritas em outros países e neste mesmo festival de 2009 repetirá, protagonizando os atos finais de 3 óperas em uma só noite, chamada “Noite de Gala com Plácido Domingo”, uma delas Carmen.

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A orquestra é do próprio anfiteatro, bem como o corpo de baile e o coro. Convidados especiais da noite são os primeiros bailarinos espanhóis Lucia Real e Jose Porcel, bem como o grupo de ballet espanhol El Camborio de Lucia Real.

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