dezembro 6th, 2009 in Cartografias Poéticas, Receitas de Poetas | No Comments »
RONDANDO RODIN EM PARIS
Por Berenice Sica Lamas

Embebi-me do museu Rodin em Paris: rua Varenne 77/ 79 – 7° arrondissement, perto de Les Invalides. Dedicado ao escultor francês Auguste Rodin, sediado no palácio estilo rococó Hotel-Biron, moradia do artista nos últimos anos de sua vida – de 1908 a 1917, expõe mais de 6000 esculturas. Um ano antes de sua morte, ele doou toda sua obra à França.

O palácio também pertence hoje ao governo e trata-se, por si, de uma belíssima construção, com delicados ambientes e salas envidraçadas permitindo visão do jardim.

As obras espalham-se pelos dois planos do museu: um interno e outro externo. No jardim, bosques árvores plantas canteiros de flores alamedas para caminhar, um ambiente ao ar livre agradabilíssimo, fiquei maravilhada com todas as esculturas distribuídas em meio a natureza, destacando-se através dos passeios.
Ao externo, então: “Orfeu”

“O Pensador”, as figuras dramáticas dos “burgueses de Calais”, “A Porta do inferno”, “Balzac”, “Ugolino”… O ambiente verde já valoriza, por si, as obras expostas ao longo do jardim. Sua força, paixão e vigor são potencializados pelos contrastantes e superpostos tons de verde: vegetação e matizes verdes do próprio bronze.
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outubro 3rd, 2009 in Cartografias Poéticas, Poemas, Versos que Conversam | 1 Comment »
Bologna
por Berenice Sica Lamas

Bologna deserta
silenciosa
se torna campo prado
oca cicatriz
no coraçao de Emilia-Romagna
Bologna suspira,
sozinha
a cidade vazia
calor e medo
sol resplandece
pessoas partem à
praia, campanha, montanha
é ferragosto na
cidade coagulada
vitrinas constrangem ao consumo
gatos de prata espelhos do tempo
cultivam crimes insolúveis em café solúvel

pesadas portas de madeira
fechaduras gigantes
cidade labirinto

de calendário invertido:
onde Natal é inverno
neva na Páscoa
não tem Carnaval
dia dos namorados, fevereiro
flores não desabrocham em setembro
onde o Cruzeiro do Sul?
esférica circunferência
mapa redondo, Bologna
complexidade e voragem
veludo e pedra
casario e verdeza
bela forma de uma teia
aranha e insetos
cidade que captura, ao mesmo tempo
capturada
ruas, fios; esquinas, nós
e o viale marginal circundante
a borda: o muro, ruínas
o resto, periferia: fora do muro
Bologna engolfa
devora
devolve
no vazio de ferragosto
o fio da minha vida
as ruas dos passos meus
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agosto 22nd, 2009 in Cartografias Poéticas, conversando sobre literatura | No Comments »
COM SABOR DE LÍNGUA PORTUGUESA
Berenice Sica Lamas
Em março de 2006, Inaugura-se o Museu da Língua Portuguesa na Praça da Luz no Bairro da Luz em São Paulo – uns meses depois tomo um avião de manhã bem cedinho para uma visita que me deslumbra.

Trata-se de um projeto quase único, inédito, somente existindo na África um local semelhante para cuidar de um idioma. A transformação e adaptação do local – de três andares – o prédio do início do século da Estação da Luz é bastante simbólico, já que a esta estação confluíam os imigrantes chegados a São Paulo com toda sua babel de outros idiomas.

A proposta e seus objetivos, as exposições, a origem, história e evolução da língua, a virtualidade lúdica, a combinação de arte e tecnologia, as cores e luzes e sombras, o impacto de tanta informação e aprendizagens, ambientes moderníssimos, elevadores transparentes – Fernando Pessoa, Guimarães Rosa (homenagem aos 50 anos do Grande sertão: veredas), Clarice Lispector – instalações instigantes. A imensa escultura “A árvore da língua”. Os espaços “A árvore da palavra”, “O beco das palavras” ou “Jogo da etimologia”, “As palavras cruzadas”. Trata-se de um museu interativo, onde a língua parece estar viva (paradoxalmente num museu) e dialogar conosco. Que deleite, tanta e tanta palavra…

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agosto 1st, 2009 in Cartografias Poéticas, conversando sobre literatura | No Comments »
Museus literários em São Petersburg
por Berenice Sica Lamas

O museu Fiodor Mikhailovic Dostoievski em São Petersburg (ex-Leningrado) na Rússia, situa-se na rua Kuzhnechny, na casa em que o renomado escritor russo viveu os 3 últimos anos de sua vida, de 1878 a 1881 , com sua segunda mulher e alguns filhos.
O ambiente do apartamento respira seriedade, transmitindo uma sensação de respeito e louvor. O silêncio e o recolhimento. Simplicidade. Poucos visitantes de cada vez.
Divide-se em literário e memorial – as peças (seções) se sucedem: banheiro, quarto de dormir, quarto com brinquedos de criança, sala de jantar, gabinete/escritório, cozinha. Através do mobiliário, objetos, artefatos, pertences, papéis, desfila sua história – talento criativo, prisão (a visão da corrente enferrujada que prendia a perna é tenebrosa), exílio – sua genialidade literária – páginas de seu último romance Os Irmãos Karamazov – que aqui escreveu. Às vezes dormia no sofá do gabinete.

Seus pertences – capote, chapéu no cabide, guarda chuva, porcelanas, móveis, objetos de decoração e de uso cotidiano – escrivaninhas, cadeira de balanço, quadros, candelabros, relógios, porta-retratos, porta-lápis, jarra de lavar-se – e papéis referentes à sua vida desfilam ante nossos olhos trazendo uma memória antiga e suscitando imaginações. É possível conhecermos um pouco mais do escritor e da pessoa. Vê-se o quadro “Nossa senhora das dores”, verdadeiro ícone para o escritor
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julho 18th, 2009 in Cartografias Poéticas, Conversando sobre cinema, conversando sobre literatura | 4 Comments »
CARMEN DE BIZET NA ARENA DE VERONA
por Berenice Sica Lamas (*)
No anfiteatro romano Arena da cidade de Verona assistimos ao drama lírico Carmen, inspirada em um conto do escritor francês Prospero Mérimée de 1845 e transformada em opera lírica e musicada pelo compositor também francês Georges Bizet em 1875. Cantada em língua francesa, original em 3 atos, é uma das operas encenadas no 87° festival lírico anual da cidade, célebre em toda a Europa.

O Arena, localizado no centro histórico de Verona, é o maior teatro lírico a céu aberto do mundo. Majestoso, de grandes proporções, estrutura toda de pedra clara, de forma circular elíptica, clássica a todos os anfiteatros, é o terceiro em tamanho da Itália. Sua acústica parece perfeita, as vozes saem límpidas e cristalinas chegando a toda a imensa platéia sem problema algum. Sua antiguidade é estimada em metade do século I (período Augusto/Tibério aproximadamente), não havendo fontes precisas quanto a data de sua construção e inauguração.
Verona é uma cidade muito turística da região do Veneto, norte da Itália, conhecida pelo museu e balcão das personagens Romeu e Julieta de Shakespeare, uma rica vida cultural, mercados e o próprio Arena. A palavra arena origina-se no latim, significando a areia que havia na parte interna de todos os anfiteatros romanos.
Desta feita o diretor é Franco Zeffirelli e o maestro/diretor de orquestra é Plácido Domingo – comemorando 40 anos de sua primeira apresentação no Arena -, aplaudidíssimo pelo publico presente, que já foi Don José em encenações pretéritas em outros países e neste mesmo festival de 2009 repetirá, protagonizando os atos finais de 3 óperas em uma só noite, chamada “Noite de Gala com Plácido Domingo”, uma delas Carmen.

A orquestra é do próprio anfiteatro, bem como o corpo de baile e o coro. Convidados especiais da noite são os primeiros bailarinos espanhóis Lucia Real e Jose Porcel, bem como o grupo de ballet espanhol El Camborio de Lucia Real.
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