Archive for the ‘comentário sobre o site’ Category

Vidráguas ao dia do Livro, este cidadão de sempres…

O que é Vidráguas, a não ser uma busca diária entre Livros?
VIDRAGUAS
Sabedores de que os primeiros livros eram feitos em barro, e que os primeiros manuscritos são raros. Numa tentativa de reaproximar mundos, leitor e obra, com este trabalho, busco tecer uma analogia entre o nascimento do livro ao nascimento de um humano. Os dois têm como ponto de partida uma Escritura, isto é, um tempo e um espaço, um Corpo Físico e Simbólico.

Segundo a Bíblia, é do barro que surge uma cópia divina do que seria, ideologicamente, a invenção do humano. Já, a Ciência nos anuncia que “é um Humano que construirá o próprio humano”. Portanto, uma vez que tudo que nasce está para ser transformado, se poderia dizer que quem diz cópia diz erro. Seja através da criatividade, seja através do próprio tempo, se poderia conjecturar que um Livro é uma porta, um trabalho, um berço para que outros renasçam.

Então, para que um Livro nasça, mais além da imaginação e da inventividade que é atribuída ao autor, necessita-se de uma aproximação do leitor à Obra Literária, uma vida tecida entre vidas. Independente da idade, ao abrir um Livro sempre estaremos diante de um jovem leitor.
Os livros, as leituras vão além: aproximam pólos distantes: Oriente e Ocidente. Jovens e velhos. Gerações. Sincronia e diacronia unem o que acreditamos ser possível: imagem – palavra – em ação, levando-nos a rever o próprio espaço e o tempo de quem os lê, de quem os escreve ou os escuta.
Entrecruzam culturas, gêneros literários que, além da narrativa, vão caracterizando funções míticas do próprio mito, o Livro, uma materialidade que nos move a rever a Linguagem e, seguindo o que nos diz Umberto Eco, argumentam-nos a “emendar-se continuamente como uma prática recomendável”.

Cada capítulo, traz uma cena às palavras que vão sendo colocadas. E uma vez que o simbólico, vai se identificando com a própria existência. Percebemos que em qualquer linguagem, este mesmo simbólico é arte que nos subverte, porque ao nos contrapor fenômenos, culturas, muito diversas entre si, também nos hibridiza, aproximando-nos para não seguirmos lendo de uma maneira ingênua, propiciando-nos uma nova maneira de ler, emitiremos alguns erros, porém erros para seguirem cruzando caminhos.
Lendo, vamos percebendo que a Escritura é um trabalho, onde o duplo sentido deve ser decifrado. Tendo em conta a alteridade que nos leva à metáfora que não pertence à ordem do simbólico já que ela é uma criação, uma comparação mental, e será ela quem nos deslocará às múltiplas interpretações e a outras re-significações.

Dos sujeitos ao objeto, surge uma cartografia, composta por datas, épocas, cores, signos, sintagmas, paradigmas, significantes, DNAS, cuja história narrada vai abrindo mundos desde uma significação mítica a uma universalidade.
E para que um livro seja mais do que um amontoado de folhas, mais do que um simples mapa, ele necessita ter um papel, uma marca. Assim, como o humano, para ser alguém além de carne e osso, necessita mais do que uma certidão, necessita cuidados, aproximações e carinho com sua arquitetura.
Portanto ser um veículo, um mundo, pede que as relações do fazer e de quem faz sejam forças de trabalho, características de quem não se basta por ser imaginado ou idealizado. Estes para existirem têm que expressar suas impressões, projetar um plano que não os “achate”, dessa maneira respirarão e co-habitarão para si e para outros tempos e histórias.

Um Livro e um Homem para existir têm que atuarem. Estar na Escritura, na Vida, em Memória, registrando, desde as capas sua função de vestir imagens e peles, páginas de rosto e anexos, que lhe darão proteção junto a nomes e inscrições que vão abrindo fronteiras, destinações e destinatários, onde o significante se converta em elemento significativo do discurso que determinará os atos, as palavras e o destino de um sujeito sem que ele saiba.

Saussure dividiu o signo lingüístico em duas partes. Chamando significante à imagem acústica de um conceito, ressignificado ao conceito em si. Desde ai, sabemos que o signo lingüístico une um conceito com uma imagem acústica e, também visual, a uma coisa com um nome. Por outro lado, sabemos que o signo forma parte de um sistema de valores, que será medido por sua relação com todos os outros signos.
Portanto, não seria preciso que se descodificasse o mito e que ele fosse traduzido numa fórmula abstrata, como tentou fazer Lèvi- Strauss com Édipo. Pois, isso reduziria o mito justamente àquilo que ele não é, a uma pura lógica conceitual.

Já no plano existencial, onde o “amor desejaria a eternidade e a liberdade, mas esbarra no limite”, por que não tentar?

E que diferença teria este amor com um nascer de um texto ou com um nascimento de um bebê, onde padrinhos, enxoval, batizados e ritos de passagem vão especificando nomes, posicionando, objetivando o que antes era apenas projeto de um mundo imaginário?
Portanto, os dois, texto e homem, necessitam serem simbolizados, ganhar contornos físicos em uma realidade objetiva, direcionando o desejo ao amor pelo que virá, pelo que está para ser construído como Livro e História. Por isso, tanto um quanto outro são entregas, que acolhidas por outras mãos, outros olhos, outras subjetividades também viverão além da Imagem.

Escrever um Livro é um desejo de muitos, ler e publicar já é um trabalho. Ter filhos é da espécie, cuidar, etimologicamente, passa a ser um contrato social com a Cultura, já que no Social está contida a capacidade de Amar para além de si.
A gêneses é a mesma.
Se um livro contém uma orelha, é porque neste aparato estará outra escuta. E dar canção moral, dar importância ao que virá direciona este fazer a um prólogo, a uma direção, a uma Ética de um Mundo melhor por ser trabalho que será Cultura, uma invenção com Arte.
Assim Homem e Livro são justaposições, duas partes, no mínimo, desde sua origem: Capa e Miolo. Interior e exterior. Oriente e Ocidente que depois de nascerem, nos elucidarão o que existia antes.

O nascer de um Livro é um trabalho, um parto, um ponto que indicará que houve história e houve antecedência. Essa titularidade, conforme sua diagramação expressará as idéias em prosa, as imagens em poesia e caminhando nesse rumo, retomamos o tempo possível, onde infância, puberdade, maturidade podem coexistir para além da marcas de quem escreve, chegaremos às memórias e à Vida.
Se a origem e o fim, capacitam o Processo Criador de uma Obra Literária, que desde seu prefácio, dedicatórias, epígrafes vão revelando uma autoridade e um desígnio que revestido de literalidade, permitem uma eterna re-leitura e um Projeto de Ressignificação.
A Vida não seria isso: uma idéia a ser escrita para chegar a um destino, já previsto, ou transformado?

Carmen Silvia Presotto, escritos para uma Concepção de Poesia Criativa Vidráguas, em JUNHO de 2006.

E um abraço a Ricardo L. Hegenbart, companheiro e idealizador de Vidráguas, www.VIDRAGUAS.com.br; e aos Queridos Professores: Nóia Kern, Elvo Clemente, Alice Campos Moreira, Miguel Oscar Menassa, Walter Galvani, Carlos Augusto Gianotti, Franscisco Marshall e Donaldo Schüler por cada Livro indicado, por cada escuta alcançada para seguirmos conVersando… e claro,gracias, também ao Eco de J.DrexLER!!!

Comentando…

Vera Godoy said,

on Abril 21st, 2007 at 10:00 am

Parabéns… ler vidráguas é um momento de paz, cultura e lazer.

Assim como Vera, outros têm nos enviado comentários…
Um abraço e sigam falando… toda palavra será bem-vinda!
Falem, bem ou mal, falem… assim seguiremos versando com
Um abraço.
Carmen

comentando…

Laura, atendendo o teu pedido já atualizamos o endereço eletrônico, no entanto ele retorna.
Qual é mesmo o teu endereço eletrônico?
Envie-nos logo, assim seguiremos conversando, escrevendo…
E obrigada por teu comentário, através dele, deverão chegar muitos outros à Vidráguas.
Um abraço amigo
Carmen

Prezados parabéns .
O site está ótimo.
Favor troquem meu mail.
Laura Rangel.