Archive for the ‘Conversando sobre cinema’ Category

submarino amarelo, all together now

A volta do submarino amarelo
por Nei Duclós



É vedado a qualquer cidadão o direito de ignorar The Yellow Submarine (1968), dirigido por George Dunning e escrito por Lee Minoff. Não é permitida para pessoa alguma a justificativa de que ainda não assistiu ou que viu e esqueceu. Não porque haja alguma lei escrita para assistir compulsoriamente esse filme, mas porque ele extrapola o status reconhecido de obra-prima da animação, da arte e da narrativa. Ele é mais: permanece à margem do tempo, lá onde os relógios se estabilizam, com recados decisivos sobre a cultura contemporânea e profecias que se concretizam ao nosso redor.

Leiam todo ensaio reproduzido aqui ou no blog do autor:
http://outubro.blogspot.com/

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a poesia de John Keats, brilho de uma paixão

POETA NA TELA
por Berenice Sica Lamas

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Brilha nas telas de cinema em Porto Alegre a poesia de John Keats, jovem poeta inglês do século 19, falecido prematuramente aos 25 anos. O filme Bright Star , de 2009 – traduzido em português para “Brilho de uma paixão” – é dirigido pela neozelandesa premiada Jane Campion, tendo Ben Whishaw no papel do poeta e Abbie Cornish como seu grande amor Fanny Brawne.

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a poesia de Manoel de Barros no cinema, imperdível!

*Um beijo e obrigada Mauro por nos repassar este convite-divulgação.

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avatar, s.o.s gaia II em Vidráguas

S.O.S. Gaia II
por Natália Setúbal
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AVATAR é um espetáculo visual belíssimo e envolvente, de tirar o fôlego. James Cameron – que desde Titanic e Alies já provou que é um senhor Diretor – conta agora uma história que se passa no futuro distante (ano 2154), quando um ex-fuzileiro naval paraplégico é enviado a um planeta chamado lua Pandora, de impressionante riqueza e estonteante biodiversidade. Pois esse lugar de flora e fauna exuberantes abriga uma raça humanóide exótica (N’avi) de feições felinas, delgados corpos azuis e cauda longilínea, com língua e culturas diferentes. Evidentemente, é gerado um conflito com os humanos que, gananciosamente, querem explorar as riquezas naturais de Pandora.

O filme de Cameron (sem ou com 3D) nos conduz a um mundo mágico, espetacular, além da imaginação. Trata-se de uma experiência visual indescritível e obrigatória de ser vista na tela, preferencialmente.
Mas esse novo campeão de bilheteria chama a atenção não só pela sua fotografia extraordinária e os efeitos especiais da tecnologia de ponta (devo dizer que sou fã é do cinema europeu, longe dos padrões com megaefeitos).
Avatar me fez a cabeça, me deixou tão impactada, ao ponto de eu me sentir, em plena poltrona da sala de cinema, totalmente borrifada com spray da mais pura e verdejante clorofila que sequer imaginei que existisse.

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Tudo é extraordinário no planeta Pandora. O filme não é um mero entretenimento: é um berro nos nossos ouvidos. Dentre a série de mensagens cifradas, há uma que salta aos olhos: o contundente apelo ecológico que nos inspira a meditar sobre esses tempos de desprezo à Natureza e de invasões bárbaras.
A raça humana desfruta o apogeu do avanço tecnológico (somos só civilização); contudo, nunca dantes fomos tão destrambelhados, predadores, perversos e gananciosos, com o planeta.
Pois não maltratamos Gaia até a Mão-Terra uivar de dor? E depois, com toda a desfaçatez que nos é própria, ousamos até reclamar do castigo divino, o que virou um vício esgotante.

Avatar vai mais longe: além de tecer uma fábula sobre a relação entre o homem e o meio ambiente, resgata valores esquecidos entre nós: respeito às diferenças. E fala também de tolerância, esse minguado produto com tão pouca saída entre nós hoje em dia.
Nesse viés, há um momento dos mais delicados no filme. É quando Neyriti sussurra ao mocinho do filme Jake Sully “Eu vejo você”. Para mim, quis James Cameron significar pelos lábios da exótica princesa de olhos-felinos e madeixas trançadas que só se “vê”, verdadeiramente, com o coração. Como queria Antoine de Saint-Exupéry no seu Pequeno Príncipe. Essa mensagem pode parecer piegas e clichê; contudo, a mesma nunca foi tão atual e oportuna.

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O filme causa impacto e sensibiliza porque, se por um lado nos põe cara a cara com nossa quase total falta de conexão com a Natureza e com a nossa própria raça, ao fim e ao cabo remete a uma possibilidade de resgatarmos não só o equilíbrio ecológico, mas ficarmos menos longe de nosso coração selvagem.

Coincidentemente, Avatar chega entre nós em um momento em que estamos tristes e acachapados. E, sobretudo, assustados com a recente tragédia ocasionada pelas chuvas na virada do ano, justo num pedaço de litoral que lembra uma das portas de entrada do Paraíso.
E, sobretudo, porque nem bem se apagaram da nossa memória as cenas do dilúvio universal II, no ano transato, que vitimaram tantas pessoas no vizinho estado de Santa Catarina – tragédia que abalou o país inteiro – agora no acender das luzes de 2010 o palco da tragédia foi montado aqui no quintal do nosso pampa.

Ameaça ao meio ambiente e as tragédias que vêm com ela, são sempre lamentáveis e acachapantes. E nos deixam sobressaltados e comovidos.

Que é preciso socorrer Gaia ninguém duvida mais. Mas há de ser urgente, urgentíssimo. Com a pressa de quem vai tirar mãe, pai e a família inteira da forca: há um alerta intermitente piscando – e não é de hoje – no painel do meio ambiente do Planeta.

Ou vamos ficar todos – eu me incluo no pacote – praticamente de braços cruzados, só separando o nosso lixo pessoal pra ver reciclado e permitir que a luz vermelha do painel de Gaia acenda irremediavelmente?


*Natália Setúbal é advogada, especializanda em Direitos Fundamentais e do Consumidor. Também é ecologista e amante de cinema e literatura. Entre uma petição inicial e um recurso – e quando a inspiração bate à sua porta – deu pra cronicar, ultimamente.

e… em Verona, Carmen não morre

CARMEN DE BIZET NA ARENA DE VERONA
por Berenice Sica Lamas (*)
partitura

No anfiteatro romano Arena da cidade de Verona assistimos ao drama lírico Carmen, inspirada em um conto do escritor francês Prospero Mérimée de 1845 e transformada em opera lírica e musicada pelo compositor também francês Georges Bizet em 1875. Cantada em língua francesa, original em 3 atos, é uma das operas encenadas no 87° festival lírico anual da cidade, célebre em toda a Europa.


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O Arena, localizado no centro histórico de Verona, é o maior teatro lírico a céu aberto do mundo. Majestoso, de grandes proporções, estrutura toda de pedra clara, de forma circular elíptica, clássica a todos os anfiteatros, é o terceiro em tamanho da Itália. Sua acústica parece perfeita, as vozes saem límpidas e cristalinas chegando a toda a imensa platéia sem problema algum. Sua antiguidade é estimada em metade do século I (período Augusto/Tibério aproximadamente), não havendo fontes precisas quanto a data de sua construção e inauguração.

Verona é uma cidade muito turística da região do Veneto, norte da Itália, conhecida pelo museu e balcão das personagens Romeu e Julieta de Shakespeare, uma rica vida cultural, mercados e o próprio Arena. A palavra arena origina-se no latim, significando a areia que havia na parte interna de todos os anfiteatros romanos.

Desta feita o diretor é Franco Zeffirelli e o maestro/diretor de orquestra é Plácido Domingo – comemorando 40 anos de sua primeira apresentação no Arena -, aplaudidíssimo pelo publico presente, que já foi Don José em encenações pretéritas em outros países e neste mesmo festival de 2009 repetirá, protagonizando os atos finais de 3 óperas em uma só noite, chamada “Noite de Gala com Plácido Domingo”, uma delas Carmen.

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A orquestra é do próprio anfiteatro, bem como o corpo de baile e o coro. Convidados especiais da noite são os primeiros bailarinos espanhóis Lucia Real e Jose Porcel, bem como o grupo de ballet espanhol El Camborio de Lucia Real.

leia toda a cartografia poética
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