Archive for the ‘Conversando sobre cinema’ Category

Fenda nua… poema de Carmen Presotto

Psiu!

Um beijo a todos por aqui,boas leituras e estaremos 10 dias de férias, aproveitem para ler, comentar, criticar e início de setembro estaremos de volta. Sentiremos saudade, até lá



Fenda nua

com os dedos da noite
assombro as paredes da Lua

Hora do terço
- dizem as carolas –
e eu,
rezo momentos com pérolas

Psiu!

Badalam os sinos
um fantasmas me chama
e eu,
vou lá vesti-lo de carne…

Carmen Silvia Presotto – Vidráguas
Fotografia de Gui Bourdin

E aí, quem tem coragem de confessar?



Estamos com mais um Projeto Cultural Vidráguas, acompanhem, participem, é fundamental descruzarmos os braços a caminho de uma Literatura Social… O caminho se faz ao andar e ao conVersar!!

retorno sem dados…



Hey, há momentos em que voltar ao passado é mais do que um eterno retorno, é a única possibilidade que temos de estar no ar… por isso, perdoem os dias aqui postados, até dia 28 de abril e desaparecidos, por problemas junto ao servidor, mas penso que logo estaremos com o material recuperado de volta, e com o Vidráguas atualizado, enquanto isso, boas leituras…

A todos um beijo, bom dia, bom final de semana e seguimos!

e depois de assistir a eterno amor, escrevo…

Diários de memórias…

depois de assistir Eterno Amor de Junet
por Carmen Silvia Presotto



Paris…
1920, e a cada movimento do trem
um embalo de que a esperança é verde
é azul, é mar

porto navegável, onde cada palpitação reporta a margem do não sabido:

cartas marcadas
cartas esperadas
tarô…gare… garagem…

guidon de mãos que se diziam quietas

ela olhava ele
ele olhava ela
e nessa circunstância existiam

Há acordes
há despertares
há sufocos e
lágrimas
que a cada girar pedregulham

Há o Front
hoje nos jornais ainda há Argélia
e a o encontro que a cada final se desencontra como se a vida fosse espinhos
sinal de que sangue
e granada não se misturam…

Uma mão,
esquece tudo
e todos…
segue acreditando
que o Rosa- Prata
a rosa envelhecida
é a cor da ação

- coração –
que entre símbolos decifra
a imagem da letra, a letra do som
o som da palavra e
se aquieta…

E teve um dia:
Descartado, um dia em que a carta era o endereço da memória viva.

Lembranças
e nestas, um recomeçar,
porque num dia alguém acreditou
um amor pôde existir

Se último,
não se sabe,
mas se hoje vive
é porque crer é um infinitivo
dedo à mão que falta,
onda que gira ao mapa certo,
bússola geográfica que diz:
há vida,
enquanto há respiração
esperança há e logo estarei indo encontrar-me com mais uma ponta de uma folha em branco…

ver o filme Eterno Amor
me faz verter o sangue que
minha boca não verte…

vertebradoinvertebrado, assim é a humanidade.

Dobra-se a qualquer esquina
e depois
desdobra-se para não ser vento
poeira no deserto,
e quando o céu percebe algo,
cai uma chuva,
um albatroz
uma palavras
um poema
e onde a vida não flui é onde mais me ardo.

Querido Diário,
Todas as reminiscências lembram uma tela daliliana…
As imagens surgem na boca de cada personagem como rosa-prata,
fotos in sépias -
época em que a guerra é apenas plano de fundo –

jovens
trabalhadores
com mãos rotas, dizendo que a linha da vida é mais que uma simples fronteira…

Que dor!
Dor humana…
Que a cada tanto se repete entre um movediço solo.

E lembro muito de Alma Fuerte, poetas que amam a vida, quando nela está o construir, pontes, o que já é Guerra!!!

Violentas separações
fronteiras inaudíveis
e

o fio é mão que pulsa…
e se pulsa
vibra aos acordes de cada canção.

Ela não acreditou…
Todos o tinham morto,
no entanto, querido diário,
uma árvore estendia-se como abraço a cada pensamento…

Na trincheira, apenas um galho registrava o farol…
O grande túnel em que o amor se faz presente…

* escrevo sempre ao meu diário e pela sincronia de ter lido Acaso, coincidência e narrativa de Nei Duclós. Hoje compartilho aqui minhas palavras, escritas quando assisti pela primeira vez Eterno Amor, um filme de 2006 de Jean-Pierre Junet que gostei tanto que vou assistir novamente.

revisitando filmes, dica para o final de semana

Acaso, coincidência e narrativa
por Nei Duclós



Por pura coincidência (ou seriam os deuses do Acaso?) vi dois filmes seguidos sobre o mesmíssimo tema, apesar de, nos créditos e no Google, não existir ninguém que tenha falado que haja ligação entre eles. Um é A Ponte de São Luís del Rey e outro Eterno Amor. Cada um é baseado num autor diferente. O primeiro, no ganhador do Pulitzer Thornton Wilder, que lançou seu livro em 1927. E o outro no livro de Sébastien Japrisot. O argumento é idêntico: cinco pessoas condenadas se encontram juntos no mesmo lugar para morrer. Quem são elas e por que estão lá? pergunta o narrador/investigador da Ponte de São Luis Rey, um padre que está sendo julgado pela Inquisição. Quem são essas pessoas e será que uma delas sobreviveu? pergunta a narradora/investigadora de Eterno Amor. Destino é a chave para decifrar a charada. A trama é a busca de respostas, que surgem a partir do resgate de cada uma das cinco vidas.

Li no Outubro blog de Nei Duclós, leiam lá mais momentos de filmes, arte, e muita poesia:
http://outubro.blogspot.com/
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