Archive for the ‘conversando sobre literatura’ Category

Desmontar o vazio, um escrito, um legado de Nei Duclós…

DESMONTAR O VAZIO
por Nei Duclós



O que deixaremos de herança? Nada que possamos levar. Para quem parte, patrimônio ou nome vale tanto quanto o vento. Não que tudo seja inútil, e sim que tudo se equivale, tem o mesmo peso. Sendo assim, prefiro escolher o que parece bizarro ou inalcançável, mas é um sonho. Quero deixar como legado, para usufruto de contemporâneos ou futuros, uma forma de ficar habitado nos momentos de vazio. Considero uma arte o exercício de tirar leite, o espírito habitado, dessa pedra , o tempo em queda livre para o Nada.

Cada pessoa tem seus segredos para fazer isso acontecer. O que serve para um não serve para o resto. Essa dificuldade é que me atrai para a pulsação de um diamante no cosmo escuro. Como fui treinado na desdramatização brechtiana no Arena de Porto Alegre, como o pouco que aprendi de interpretação foi um livro de Eugênio Kusnet, como o pouco que sei veio de alguns ensaios de Barthes e Foucault, como a viagem literária que fiz começa em Monteiro Lobato e passa por Conrad e Lorca, como tenho um acervo pequeno para tão grande pretensão, posso dizer que não são as leituras ou a imaginação que preenchem o vazio.

Leiam toda a crônica aqui ou em Outubro, blog de Nei Duclós

Read more »

Pensando a poesia com Cesário Verde…

Hey, seguimos nossas leituras e homenagens rumo a mais um webLivro Vidráguas, o primeiro já está com mais de 42.000 leituras, confiram aqui, este e também o II e o III

… e seguimos nossos experimentalismos poéticos e continuamos lendo Poetas Portugues, desta vez Cesário Verde,e logo, logo estaremos com Camões a caminho de mais poemas enRedados, porque sim!, logo teremos boas novidades deste projeto cultural Vidráguas que viemos tecendo!!

“Ao entardecer, debruçado na janela,
e sabendo de soslaio que há campos em frente,
leio até me arderem os olhos
o livro de Cesário Verde”

Fernando Pessoa, em Poemas de Alberto Caeiro, Lisboa,, Ática, 1952, p.23.



Manhãs Brumosas

Aquela, cujo amor me causa alguma pena,
Põe o chapéu ao lado, abre o cabelo à banda,
E com a forte voz cantada com que ordena,
Lembra-me, de manhã, quando nas praias anda,
Por entre o campo e o mar, bucólica, morena,
Uma pastora audaz da religiosa Irlanda.

Que línguas fala? A ouvir-lhe as inflexões inglesas,
- Na névoa, a caça, as pescas, os rebanhos! -
Sigo-lhe os altos pés por estas asperezas;
O meu desejo nada em época e banhos,
E, ave de arribação, ele enche de surpresas
Seus olhos de perdiz, redondos e castanhos.

As irlandesas têm soberbos desmazelos!
Ela descobre assim, com lentidões ufanas,
Alta, escorrida, abstrata, os grossos tornozelos;
E como aquelas são marítimas, serranas,
Sugere-se o naufrágio, as músicas, os gelos
E as redes, a manteiga, os queijos, as choupanas.

Parece um rural boy! Sem brincos nas orelhas,
Traz um vestido claro a comprimir-lhe os flancos,
Botões a tiracolo e aplicações vermelhas;
E à roda, num país de prados e barrancos,
Se as minhas mágoas vão, mansíssimas ovelhas,
Correm os seus desdéns, como vitelos brancos.

E aquela, cujo amor me causa alguma pena,
Põe o chapéu ao lado, abre o cabelo à banda,
E com a forte voz cantada com que ordena,
Lembra-me, de manhã, quando nas praias anda,
Por entre o campo e o mar, católica, morena,
Uma pastora audaz da religiosa Irlanda.

Leia toda a postagem

Read more »

Uma carta a mãos que leem, escrevem, trocam… uma carta ao Poeta Chico Miguel!

Querido Chico Miguel*!

por Carmen Silvia Presotto



Registro aqui a minha alegria, ao chegar no Escritório e me deparar com tua carta. Maior ainda, minha euforia, ao rasgar o envelope para nele encontrar um tempo precioso de trocas poéticas, recortes da publicação de sua resenha sobre Dobras do tempo, meu primeiro livro de poesia, no Jornal o Dia, em Teresina, dia 14/4/2012 e não bastasse, junto chegam poema dedicados à vida de quem vive.

Por Toda A Vida
para Mercinha

Já não posso fazer tudo que queres,
e o teu tempo é um tempo de querer.
Porém sonhos jamais hão de morrer.
agora que os mistérios são misteres.

De outra forma não vejas: – São deveres
que vão acompanhar-te. Há mais prazer
em voar menos tempo e tudo ver,
doravante criando e amando os seres.

Posso fazer-te mais do que imaginas
para que sejas feliz entre as meninas
e entre os jovens que mais te dão guarida.

Posso ser tão sincero quanto bom
de coração na mente – este é meu dom,
e posso dar-te amor por toda vida.

Um poema a uma menina, filha amada, que por momentos e por forças do sentir, aproprio-me e me aninho como se Mercinha fosse, sinto-me filha de teu poemar, de teu carinho, de teu cuidado… Gracias!

Não bastasse isso, chego em casa e vou reler O Menino Quase Perdido, o teu último livro, entre tantos, tantos outros, e nele me espelho nas memórias dos dias, encontro Cecília Meireles abrindo o caminho e depois aplaudo A vida que começa num sonho e tece Marcas na Areia. Percorro A Fábula do Preguiçoso e caio em tua aprendizagem, onde também me alinho em Como aprender a ler….

Leia toda a carta
Read more »

As Mudanças e as Lembranças: “Cientistas no Divã”

As Mudanças e as Lembranças: “Cientistas no Divã”
por Tânia Du Bois




Mudança e lembrança são palavras de que gosto muito. São significantes, porque sendo inevitável lembrar que o livro é patrimônio cultural, logo sinto que ler é desejo que gera a mudança e, ainda, faz-me entender a situação da fala e escrita do autor. Então, vivo cada minuto desvendando verdades ocultas ao ler os ensaios de Gilberto R. Cunha, em Cientistas no Divã. É livro com o potencial de um universo sem fronteiras, onde o autor utiliza-se da realidade para apresentar suas impressões sobre o mundo.

Saliento as lembranças e mudanças para demonstrar cada passo e ação do escritor que não para de propor novos questionamentos e reflexões ao leitor.

Lembrança: Gilberto Cunha não escreve sobre o que não sabe. Gaúcho, agrônomo e pesquisador é o autor do livro Cientistas no Divã, de 2007.

Leia toda a postagem

Read more »

Dobras do tempo – poesia singular por Francisco Miguel Moura, que presente!!

“DOBRAS DO TEMPO” – POESIA SINGULAR
por Francisco Miguel de Moura – membro da Academia Piauiense de Letras*



Na minha vivência com livros, tenho notado o desprezo que a crítica dispensa à primeira obra do autor (à chamada estréia), tal como tem preconceito pelo lugar do nascimento do poeta, o endereço do poeta. Se nasce ou mora no Piauí ou em Sergipe, por exemplo, sequer se dispõe a dar uma olhada num poema, desprezando até as orelhas. Não sou crítico de profissão, sou poeta. Aquele – ganha alguma coisa dos jornais, revistas, enciclopédias, etc.; este – ganha o pão de cada dia (o diabo não amassa pão para ninguém), noutra profissão.

Ela não é nenhuma desconhecida, pois constrói e mantém, em conjunto com outros, o site “Vidráguas”, na internete, onde movimenta a poesia, a crônica e a crítica, com seriedade e bom humor. Foi a partir de um lugar chamado “Facebook”, há já algum tempo, que passamos a ser conhecidos e amigos. Por isto, eu talvez fosse suspeito para fazer uma crítica a seus livros.

Leia toda leitura crítica aqui ou no blog do Poeta Francisco Miguel Moura, aqui.

Read more »