setembro 2nd, 2010 in Crônicas, Eventos | No Comments »
CENA de RUA: livro de imagens
por Tânia Du Bois
Cena de Rua é o livro infantil de Ângela Lago, de 1994. Sua execução foi pela simpatia para com os meninos de rua. É livro de imagens, não há propriamente uma história. A criança conta a sua história do que está vendo, de acordo com a sua experiência de vida e através da sua criatividade.
Cena de Rua é triste (ou não?), mas real! Ou simplesmente são coincidências da vida? Ou são cenas do cotidiano como a do menino vendendo frutas no trânsito. O cachorro no carro late para o menino, enquanto outro motorista rouba a fruta. A vovó que ali passa, com medo do menino, protege a sua bolsa. O menino triste e só, através da vidraça, admira uma mãe que dá carinho para o filho. O menino cansado senta na rua e come a fruta que divide com o cachorro, que também está sozinho. Ainda com fome, rouba um pacote de dentro de um carro, sai correndo e, ao abrir o pacote, encontra frutas. Sacia a sua fome e volta ao trânsito para vender as restantes. E assim a sua vida retorna novamente às ruas.
“… o nada se descortina como cena / muda e vazia /de esperanças.” (Pedro Du Bois)
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agosto 30th, 2010 in Crônicas, Quase_Conto | No Comments »
Suspiros de Clara
por Carmen Silvia Presotto

Ainda recordo vovó, enfileirando seus netos para trás do imenso fogão e os acomodando no velho caixão de lenha, enquanto preparava suas famosas receitas… Entre cravos, canelas e muitos suspiros, tecia histórias, impregnando na cozinha e em nossas vidas um contagiante aroma.
Épocas boas em que crianças se encontravam com seus velhos. Ao balanço das trocas, viviam mais equilibrados…
Minha avó era uma grande contadora de histórias. No entanto, hoje percebo, que com seus quitutes, além de nos engordar em quilos, também nos recheava de ideologias. Ela adorava os americanos e tudo que se referisse aos Estados Unidos. Não perdia um filme da Broadway e babava feito moça por Gary Cooper, Glen Ford e John Wayne.
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agosto 17th, 2010 in Crônicas, Versos que Conversam | No Comments »
COMÉRCIO DE ILUSÕES
por Tânia Du Bois

Mário Quintana escreveu:“A poesia é dessas coisas que a gente
faz e não diz. A poesia é um fato consumado, não se discute…”
É através da poesia que o homem expressa o seu espírito e justifica a sua natureza. Quanto mais independente for a poesia, mais estimulados são os sentidos, trazendo harmonia e valorizando o prazer de viver.
“Pero, há Vivas Memórias // Há mortos que nunca morrem / voz /
Imagem / eles ressurgem feito marés / ou límpidos cristais a esculpir /
as lágrimas que a curva do olho não apaga. // Há mortos que nunca apagam, /nos revivem em fotos, momentos e palavras…”
(Carmen Sílvia Presotto)
A poesia é importante porque é cultura, é bela, tem história e se
reflete na música. A música ao se valer da poesia, além do gostar, quer ser cultura, ser bela, protestar sua história e estar além do gosto.
Segundo Jorge Luis Borges, “A poesia e a linguagem são uma
expressão…”; mas, a poesia não atrai o interesse comercial, pouco vende.
Como sair desse emaranhado?
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agosto 12th, 2010 in Crônicas, Versos que Conversam, conversando sobre literatura | 2 Comments »
ARTE em MOVIMENTO
por Tânia Du Bois

“De quantas gotas se farão as águas…” (Ernani Rosas)
Águas são artes em movimento, representam mudanças de rumo na produção literária, como nos poemas de Carmen Presotto:
“Vidráguas // Porque chove / Tudo é água / que empoça e ambacia /
Tudo é lágrima / que sublima, condensa e lava // Porque choro /
Chovo mais que o céu / Transbordo-me / Parto palavras /
Como se ossos se liquefizessem… “
e de Lindolfo Bell:
“Águas entre águas // Em outras águas. / As chamadas entreáguas. /
Onde a dor liquefaz o homem e o derrama em lágrima / sobre
a própria face. ////… Em águas / vindas de inesperadas vindimas
da constatação / o homem se vê / no espelho das águas /
e vê mais do que o espelho pode ver.”
São poemas em transição, isto é, suas águas têm movimentos que renovam a palavra, não as repetem e têm como característica a descontinuidade, passando pelo processo de transformação, mas sempre conservando sua unidade.
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agosto 2nd, 2010 in Crônicas, Versos que Conversam | No Comments »
PEDRAS DE TOQUE (Descortinar)
por Tânia Du Bois

Quando a poesia é especial, a vida ganha um toque de suavidade.
“… Do perdido tempo
Do passado tempo
escuto a voz das pedras:
volta… volta…
E os morros abriam para mim
imensos braços…”
Cora Coralina.
São palavras como essas que refletem a poesia. Pedras de toque, porque toca a todos. Pedra porque são concretas, palpáveis e não tem fim; fazem-nos refletir sobre o tempo em todas as dimensões; sobre o ato de criar a si mesma, como colocou Orídes Fontella: “A pedra é transparente: / o silêncio se vê/ em sua densidade.”
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