maio 24th, 2012 in Crônicas, Versos que Conversam | 2 Comments »
HORAS GASTAS
por Tânia Du Bois

“…Onde os fantasmas que calavam /…e as coisas que as horas gastavam?…” (Lúcia Fonseca)
Horas gastas é a arte de esquecer, é memória emotiva, aquela que se preocupa apenas em lembrar o que interessa como o essencial para viver. É preciso refletir para lembrar, identificar e imaginar. Nada mais apropriado do que a arte de ler, exercício que estimula a imaginação, sem gastar as horas. Segundo Orides Fontela, “Memória // A cicatriz, talvez / indelével // o sangue / agora / estigma.”
O grande desafio é permitir-se reconhecer no encontro com o pensamento. Na arte de pensar, partilhar experiências e escolhas é como ter um dia feliz depois do outro. Ao concentrar-se, manter a expressão, o sonho e a lembrança no melhor despertar. A arte de pensar embala o tempo, reproduz a memória e mantém o poder de encantamento, como em Nilto Maciel,“…Não, talvez não fosse bem assim. De dia, os olhos viam o mundo / e o mundo existia. De noite, os olhos e dentro viam o mundo, / porém um outro mundo…”
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maio 17th, 2012 in Crônicas, Versos que Conversam | No Comments »
A ARTE DE CONTAR
por Tânia Du Bois

Era uma vez… Contar histórias para a criança é uma arte. É ótima oportunidade de estreitar os laços familiares e ainda incentivá-la a dar asas à imaginação. É o momento em que a criança percebe que os adultos sentem e pensam como ela.
O hábito de contar histórias é essencial para as crianças aprenderem a elaborar e exercer o raciocínio crítico; desenvolver a criatividade e as suas fantasias. Nada é mais mágico que a imaginação da criança.
Ouvir histórias, essa postura faz com que a criança sinta que está tendo a chance de sonhar acordada. Ao liberar as suas fantasias, a criança compreende o mundo em que habita e aprende a lidar com as suas emoções. Cada personagem apresenta um significado para o desenvolvimento do universo infantil.
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maio 14th, 2012 in Crônicas, Interiores | 2 Comments »
POR UM MUNDO MELHOR
por Loiri Zancanella Cortese

Quando a razão, a confiança, a vontade, a esperança e o amor se juntam para mergularem no mais profundo interior da letargia, uma explosão de sentimentos e de ações poderão surgir, fazendo acontecer, despertando e transformando o que estava no estágio inane, à espera de um impulso. Assim sendo, a vida transbordará e trará consigo, a alegria e a felicidade estampadas nos sorrisos das pessoas, lançando as boas sementes pelos canteiros do mundo, com a vivência de agradáveis e bons momentos.
Emergirão para a ação:
- As auroras que não nasceram;
- Os lugares nunca visitados;
- A luz que não brilhou;
- A energia esquecida;
- As horas não marcadas;
- As experiências nunca feitas;
- As promessas não formuladas;
- O destino não traçado;
- Os caminhos nunca percorridos;
- As palavras não proferidas;
- As cores descoloridas;
- As lágrimas não vertidas;
- O silêncio que não se fez;
- A música não executada;
- A poesia nunca escrita;
- As emoções não vividas;
- O beijo não dado;
- O carinho que não foi feito;
- O abraço que não foi dado;
- O perdão não oferecido;
- O aperto de mão que não houve;
- A solidariedade inerte;
- A dignidade sem viço;
- A justiça jamais demonstrada;
- A amizade dormente;
- E tantas outras possibilidades…
Tudo por um mundo melhor!
maio 14th, 2012 in conversando sobre literatura, Crônicas | No Comments »
DESMONTAR O VAZIO
por Nei Duclós

O que deixaremos de herança? Nada que possamos levar. Para quem parte, patrimônio ou nome vale tanto quanto o vento. Não que tudo seja inútil, e sim que tudo se equivale, tem o mesmo peso. Sendo assim, prefiro escolher o que parece bizarro ou inalcançável, mas é um sonho. Quero deixar como legado, para usufruto de contemporâneos ou futuros, uma forma de ficar habitado nos momentos de vazio. Considero uma arte o exercício de tirar leite, o espírito habitado, dessa pedra , o tempo em queda livre para o Nada.
Cada pessoa tem seus segredos para fazer isso acontecer. O que serve para um não serve para o resto. Essa dificuldade é que me atrai para a pulsação de um diamante no cosmo escuro. Como fui treinado na desdramatização brechtiana no Arena de Porto Alegre, como o pouco que aprendi de interpretação foi um livro de Eugênio Kusnet, como o pouco que sei veio de alguns ensaios de Barthes e Foucault, como a viagem literária que fiz começa em Monteiro Lobato e passa por Conrad e Lorca, como tenho um acervo pequeno para tão grande pretensão, posso dizer que não são as leituras ou a imaginação que preenchem o vazio.
Leiam toda a crônica aqui ou em Outubro, blog de Nei Duclós
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maio 10th, 2012 in Crônicas, Versos que Conversam | 1 Comment »
HORIZONTE
Por Tânia Du Bois

O mês de maio é ótimo para refletirmos sobre a relação com as nossas mães. Falar das mães é mergulhar e passear num mundo onde as imagens e as histórias nos inspiram e surpreendem, pela personalidade e estilo de liderança que elas apresentam: tocam suas vidas, o cotidiano e ainda cuidam das famílias. Nas palavras de Ronaldo Monte; “…um azul luminoso, um vento generoso e um espelho de mar ávido de horizontes…Mas, nossos passos andam alheios a qualquer destino…”
Como a mãe Lenita, que lembro andando pela cidade e que me leva a pensar nas voltas que a vida dá. Ontem cuidava dos filhos. Hoje os filhos cuidam dela. Em nove décadas ela acompanhou as mudanças e os ajudou a entender o que era importante e, no seu papel de mãe, mostrou a coragem e o amor, a inspiração e a emoção, a vontade de ensinar e aprender, como valores para mudar um dia de cada vez e reconhecer o espaço em diferentes esferas da vida.
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