Estou a ler novamente o Banquete de Platão. Daí me muni da vontade de ler um tanto mais a sério. Busquei comentários. Estou a lê-los concomitantemente. Se nisto vier a descobrir algum remansozinho em que me pôr por algum tempo, já estarei bem contente por ter, mesmo que circunstancialmente, ancorado os apelos distraídos do meu coração. Como não se pôr a deriva neste grande e vago mar de saudadesejo que se há de navegar?
Leia todo o artigo aqui ou no site da Palavraria onde Jaime escreve sua Prosa Ligeira…
Na construção do gesto temos a representação do pedreiro como fonte primordial da vitalidade em quem podemos acreditar como possibilidades da importância das mãos.
“Tenho a terra sob as unhas / o que seria meu / e de todos…// – o que seria se a terra estivesse / sob as unhas // a as mãos calejadas” (Pedro Du Bois)
No início do ano letivo de 2011, como professora de 1o. ano (antigo pré = turma com 6 anos) conheci o meu pestinha favorito “W”.
Bem na verdade não sabia que ele se tornaria meu aluno favorito, nem que daria tanto trabalho na sala e na escola toda.
Calma caro leitor, chegue ao final do texto. Eu posso chamá-lo de meu “pestinha” favorito, sem com isso utilizar de preconceito ou contrariando a ética e moral, pois me derreti de amores, depois de muito trabalho, por esse aluno.
No começo do ano, W deixava-me maluca.
Eu não entendia o por que de tanta agressividade com todos.
W ria quando o outro chorava com dor por seus chutes, socos, empurrões.
W roubava objetos de todos, inclusive da minha bolsa.do armário da escola, da mochila pendurada nas costas dos amigos da fila.
“Quando a primeira palavra / romper a mortalha da página, / a luz escapará…”
(Francisco Alvim)
É inevitável lembrar que a língua é patrimônio cultural. Que a língua é caráter. Ela une e identifica um povo; foi muito mais importante do que se pensa na história dos descobrimentos. Relembro que o domínio de norma culta é a marca da diferenciação social, sinal de boa formação e inteligência.
Segundo Luís Fernando Veríssimo, “o caráter de um povo decorre da sua língua” e, para Pedro Du Bois, “Livros //… / ele não faz parte da vida: / exige atenção, capricho, conhecimento / maior que o simples passar de olhos”.