maio 6th, 2012 in Cartas, conversando sobre literatura, Crônicas | 5 Comments »
Querido Chico Miguel*!
por Carmen Silvia Presotto

Registro aqui a minha alegria, ao chegar no Escritório e me deparar com tua carta. Maior ainda, minha euforia, ao rasgar o envelope para nele encontrar um tempo precioso de trocas poéticas, recortes da publicação de sua resenha sobre Dobras do tempo, meu primeiro livro de poesia, no Jornal o Dia, em Teresina, dia 14/4/2012 e não bastasse, junto chegam poema dedicados à vida de quem vive.
Por Toda A Vida
para Mercinha
Já não posso fazer tudo que queres,
e o teu tempo é um tempo de querer.
Porém sonhos jamais hão de morrer.
agora que os mistérios são misteres.
De outra forma não vejas: – São deveres
que vão acompanhar-te. Há mais prazer
em voar menos tempo e tudo ver,
doravante criando e amando os seres.
Posso fazer-te mais do que imaginas
para que sejas feliz entre as meninas
e entre os jovens que mais te dão guarida.
Posso ser tão sincero quanto bom
de coração na mente – este é meu dom,
e posso dar-te amor por toda vida.
Um poema a uma menina, filha amada, que por momentos e por forças do sentir, aproprio-me e me aninho como se Mercinha fosse, sinto-me filha de teu poemar, de teu carinho, de teu cuidado… Gracias!
Não bastasse isso, chego em casa e vou reler O Menino Quase Perdido, o teu último livro, entre tantos, tantos outros, e nele me espelho nas memórias dos dias, encontro Cecília Meireles abrindo o caminho e depois aplaudo A vida que começa num sonho e tece Marcas na Areia. Percorro A Fábula do Preguiçoso e caio em tua aprendizagem, onde também me alinho em Como aprender a ler….
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maio 3rd, 2012 in Crônicas, Versos que Conversam | 3 Comments »
PASSAGEM DO VENTO
por Tânia Du Bois

“A minha pátria é onde o vento passa, / A minha amada é ondeos roseiras dão flor…”
(Sophia de Mello Breyner Andresen)
Passagem do vento são as lembranças, os encontros e os reencontros: como redescoberta do sonho permitido à ilusão do Trajeto Inverso, de Pedro Du Bois, “sobre minhas lágrimas / muito: ciscos trazidos pela vida / na passagem do vento / pelas casas onde um dia / tentei ficar…”; e o livro Vento nos Ossos, de Carlos Higgie.
Na passagem do vento reedifico os encontros que ainda me são permitidos: mergulhar em pensamento ensurdecedor dos tambores, fechando-me em mim, como mostra Manuel de Barros, “Queria transformar o vento. / Dar ao vento uma forma concreta e apta à foto./ Eu precisava pelo menos enxergar uma parte física / do vento…”
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abril 30th, 2012 in Crônicas, Interiores | 1 Comment »
TEMPOS DE ESCOLA
Por Loiri Zancanella Cortese*

“Este mundo é uma bola” é uma frase inicial de uma canção de roda, cuja canção me faz retornar ao passado, lá pelos anos de 1963 e 1964, quando cursava as primeiras séries no Ginásio Sarandi, precisamente nas aulas de educação física, ministradas pela professora Maria Telma Donazzolo.
Nos tempos de escola é comum o aluno demonstrar maior afeição por um ou outro professor.
Lembro-me do carinho e da admiração que sentia pela professora Maria Telma, sempre amável, dedicada, sorridente, não medindo esforços para motivar as suas alunas durante as suas aulas, por sinal muito prazerosas.
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abril 26th, 2012 in conversando sobre literatura, Crônicas, Versos que Conversam | 1 Comment »
As Mudanças e as Lembranças: “Cientistas no Divã”
por Tânia Du Bois

Mudança e lembrança são palavras de que gosto muito. São significantes, porque sendo inevitável lembrar que o livro é patrimônio cultural, logo sinto que ler é desejo que gera a mudança e, ainda, faz-me entender a situação da fala e escrita do autor. Então, vivo cada minuto desvendando verdades ocultas ao ler os ensaios de Gilberto R. Cunha, em Cientistas no Divã. É livro com o potencial de um universo sem fronteiras, onde o autor utiliza-se da realidade para apresentar suas impressões sobre o mundo.
Saliento as lembranças e mudanças para demonstrar cada passo e ação do escritor que não para de propor novos questionamentos e reflexões ao leitor.
Lembrança: Gilberto Cunha não escreve sobre o que não sabe. Gaúcho, agrônomo e pesquisador é o autor do livro Cientistas no Divã, de 2007.
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abril 20th, 2012 in Crônicas, Sentir sinta quem lê - poema sentido..., Versos que Conversam | 1 Comment »
Nas Nuvens com Magritte
por Carmen Silvia Presotto

Viajo de Passo Fundo…
No banco do ônibus, ao meu lado, livros, papéis, caneta.
Na janela, nuvens intensas, lembro da menina de trança de minha infância, chamo-a e desenho, com elas:
estico, puxo, rabisco o céu com os cílios, distraio-me com o pássaro que passa,
rebusco a sombra de suas asas e logo surge outro pássaro, justo quando começava a desenhar o voo…
Busco outra nuvem, e nela aparece um olho, ele me sorri macio, puxo mais a fenda azul do céu, aparece do olho o olhar, mais uma esticada do azul sobre as nuvens e aparece um nariz… ansiosa puxo rápido todo o lençol da nuvem e surgem:
orelhas, pescoço e braços, e…
pisco e sinto um beijo, abaixo do beijo, já não encontro mais azul para esticar. Anoitecia, quando deitei a colcha azul sobre meus pensamentos e com ela fui deslizando, deslizando, deslizando… até aparecer um corpo, por inteiro, invadindo meus poros feito tinteiros e meus dedos, tontos, perdem-se na imagem não sabem mais que tinta usar:
a do verso, a da prosa,?
… até escutar uma canção… e aí, tudo de novo, tudo de novo…
volta outra nuvem, pisco aos segundos, reparo no céu a Lua,desvirando o dia,
e para que meus pensamentos nublem, desanoiteço … atravesso a ponte e, novamente, já é Porto Alegre , novamente… e eu, com Brevidades em leituras.
Carmen Sivia Presotto – Vidráguas!
A Arte é de Magritte!!