Hoje em Vidráguas o Banquete de Platão, um convite e uma receita para seguir conVersando com Arte à arte do Amor junto a Poesia que inventa, rompe e aproxima fronteiras, revive e deixa viver…
O vídeo documentário Banquete de Platão é um trabalho do Projeto Cultural Vidráguas em parceria com o StudioClio, realização ACCORDE Filmes, a caminho de mais Cultura a todos.
* Entrevista com Antonio Cicero por ocasião da Conferência Internacional Sobre a Língua Portuguesa que, patrocinada pelo Itamaraty, teve lugar em Brasília, de 25 a 28 do corrente, publicada no Correio Braziliense de domingo.
Poesia é doença ou cura?
Nem uma coisa nem outra. Chamá-la de doença ou cura seria confundi-la com a vida do poeta. Poesia é arte: a produção de um objeto que é feito de linguagem e dotado de valor estético. Sendo um objeto, ele não se confunde com a vida daquele que o produz. E não é porque esteja doente ou porque queira se curar que o poeta faz um poema; se assim fosse, o poema só interessaria ao doente. Acontece que, ao contrário, ele interessa a muita gente cuja vida nada tem a ver com a do poeta.
Leiam toda a entrevista aqui ou no blog do autor:
http://antoniocicero.blogspot.com/
Poesia é todo dia, poesia é sempre, no entanto há um dia em que revivemos e para não cair nos esquecimentos, reEncaixamos o tempo ao espaço, as tags, os créditos e brindamos…
a minha, a tua,
eu poderia dizê-la em duas
ou três palavras ou mesmo
numa
corpo
sem falar das amplas
horas iluminadas,
das exceções, das depressões
das missões,
dos canteiros destroçados feito a boca
que disse a esperança
fogo
sem adjetivar a pele
que rodeia a carne
os últimos verões que vivemos
a camisa de hidrogênio
com que a morte copula
(ou a ti, março, rasgado
no esqueleto dos santos)
Poderia escrever na pedra
meu nome
gullar
mas eu não sou uma data nem
uma trave no quadrante solar
Eu escrevo
facho
nos lábios da poeira
lepra
vertigem
cana
qualquer palavra que disfarça
e mostra o corpo esmerilado do tempo