Archive for the ‘Foto do Dia’ Category

o poeta, poema de Bárbara Lia

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O Poeta

O poeta entra na morte
Como quem toma um trem
Atravessa um túnel
Em uma lenta viagem
No escuro

O poeta entra na morte
E deixa para trás a estação

- Memória -

É aí que começa sua história.

Fotografia de Henri cartier-Bresson
Poema de Bárbara Lia, Coreografia do Caos, exemplar, nº1, edição da Autora.

Leiam mais poemas no blog da autora:
http://chaparaasborboletas.blogspot.com/

Psiu, dia 1° de setembro é dia de brindarmos o lançamento de Constelação de Ossos, com a autora Bárbara Lia, às 19 h, na Livraria Palavraria:
http://palavraria.wordpress.com/

para dançar no pátio, poema de Bárbara Lia

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Não nasci para resfriar o mundo
Neste lerdo cortejo de omissões
Estas palavras interditas
Suspensas

Não vim quebrar as pernas do sol
Silenciar cada bemol
Não vim para arrebentar o anzol
Do velho Hemingway

Sou mar e trovão no coração
Nasci para amar sem lastro
Para dançar no pátio
It is my way

Poema de Bárbara Lia, Coreografia do Caos, Edição da Autora.
Fotografia:Rankin

Leia mais poemas no blog da autora:
http://chaparaasborboletas.blogspot.com/

nada acontece duas vezes, poema de Wislawa Szymborska

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Nada acontece duas vezes
e nem acontecerá. Por este motivo
nasceremos sem prática
e morreremos sem rotina.

Mesmo que fossemos os mais estúpidos
alunos do mundo na escola,
não vamos repetir
nenhum inverno, nenhum verão.

Nenhum dia se repete,
não há duas noites iguais,
dois beijos do mesmo jeito,
duas mesmas trocas de olhar.

Ontem, que alguém pronunciou
teu nome alto perto de mim,
foi como se uma rosa me tivessem
atirado por uma janela aberta.

Hoje, que estamos juntos,
virei o rosto para a parede.
Rosa? Como é uma rosa?
É uma flor? Talvez uma pedra?

Por que tu, hora ruim,
te confundes com um medo desnecessário?
Se és – então tens de passar.
Se passarás – então será bela.

Sorridentes, abraçados,
tentaremos buscar um acordo,
mesmo que sejamos diferentes
como dois pingo de água limpa.

Poema de Wislawa Szymborska, tradução de Tiago Hallewicz do poema original em polonês Nic dwa razy, Memória Cultural Polonesa.

Fotografia: Tadeu Vilani

ângulo de vidro

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Dou as costas à luz

ângulo de vidro
traio as sombras

sons
violinos
Eco

embranqueço a noite
alguém entra
me revira
desperto em letras
esfumaço as sombras

sonho em preto e branco

Poema:Carmen Silvia Presotto
Fotografia: Rankin

da lei da vida, um poema de Portugal

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DA LEI DA VIDA

Sombra que fura o peito precário
e floresce na terra arenosa do tronco

por não ter outro lugar onde ser
senão na casa a que enfim chegar

nada existe que me encha a alma de presente
ou ido nada que a memória detenha

pode atravessar essa fina parede de gesso escrita
de um lado apenas se mesmo a alma vai vazia

isso de levar palavras comigo é coisa proibida
e guardar essa flor tão só é ainda querer

olhar caminhar pensar e viver
à margem da lei da vida.

Poema de António Amaral Tavares
Fotografia de Robert Parkeharrison

Leiam mais poemas no blog do autor:
http://acasaquecaminha.blogspot.com/