no CELPCYRO escrito inédito de Cyro Martins e muito mais, sigam…
CRÔNICA DE VÁRZEA E COXILHA
Cyro Martins

No meio dos manuscritos, uma crônica inédita, ressoando lembranças ao rever (vislumbrar?) os pagos, ao retornar a Quarai (1964) quase trinta anos depois …
De Alegrete pra lá, os horizontes rasgaram-se mesmo, num espanto de distâncias. A meia-tarde outonal punha um devagar mansinho nos verdes, nos sombreados, nos rasos, nas baixadas e nos altos. Altos que são apenas coxilhas. E punha também um diluído nas feições que eu me esforçava por lembrar.
De vez em quando se abria um vau na memória e as visões se faziam presenças. Mas esvaziadas da intimidade antiga. Talvez porque a velocidade, a sessenta, a oitenta, a cem, não lhes desse tempo para se chegarem, à sua moda, à moda dos meus tempos de guri, ao tranco, a trote ou a galope que fosse. Iam ficando para trás,nem tristes nem contentes, enganchadas em cavalos feitos de ruflos de saudade. E logo a dispersão.
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