Poemas Traduzidos C – Adriano Nunes

Hoje lendo o poema “To One Dead” de Maxwell Bodenheim em nosso idioma, traduzido por Adriano. E este é o centésimo poema publicado aqui. Viva! A um morto – tradução de Adriano Nunes A um morto Eu caminhei sobre um monte E o vento, solenemente bêbado com tua presença, Vacilou contra mim. Inclinei-me a indagar uma flor, E flutuaste entre meus dedos e as pétalas, Laçando-os juntos. Eu cortei uma folha da árvore E uma gota de água na verde jarra Alojou uma perseguida parte de teu sorriso. Tudo sobre mim estava imerso em tua lembrança E tremendo enquanto tentavam-me contar isso. To One Dead – Maxwell Bodenheim To One Dead I walked upon a hill And the wind, made solemnly drunk with your presence, Reeled against me. I stooped to...

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Poemas Traduzidos XCIX – Adriano Nunes

Lendo Antonio Machado, poeta que amo, em mais uma bela tradução de Adriano Nunes. E vamos ler poesia, vamos ler os Mestres! Acaso – Tradução de Adriano Nunes Acaso E alerta não mais à minha quimera não reparava em meu redor, um dia surpreendeu-me a fértil primavera que em toda a vasta várzea só sorria. Brotavam verdes folhas das tumefactas gemas da ramagem e flores amarelas, brancas, roxas, alegravam a mancha da paisagem. E era uma chuva de setas de ouro, o sol por sobre as frondes juvenis; do amplo rio no caudal sonoro observavam-se os álamos gentis. Atrás de tanta trilha é a primeira vez que vejo brotar a primavera, disse, e depois, declamativamente: ? Quão tarde já para a minha alegria!? E, logo, ao caminhar, como quem sente as asas de...

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Poemas Traduzidos XCVIII – Adriano Nunes

Hoje, lendo “Marine”, poema de Paul Verlaine em poemas traduzidos por Adriano Nunes. E vamos ler Poesia! Marinha – Tradução de Adriano Nunes Sonoro o oceano Pulsa sob o olhar Da lua enlutada E segue a pulsar, Enquanto um relâmpago Sinistro e brutal Varre o cosmo branco Com rútilo sinal, E um elo de lâminas, Em convulsos saltos, Ao longo dos bancos, Vai, vem, brilha e clama, E além na amplidão, Onde o tufão vaga, Estronda o trovão Extraordinário. Marine – Paul Verlaine Marine L’Océan sonore Palpite sous l’oeil De la lune en deuil Et palpite encore, Tandis qu’un éclair Brutal et sinistre Fend le ciel de bistre D’un long zigzag clair, Et que chaque lame, En bonds convulsifs, Le long des...

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Poemas Traduzidos XCVII – Adriano Nunes

Hoje, lendo “Épigramme”, poema de Guillaume Apollinaire em poemas traduzidos por Adriano Nunes. Epigrama – Tradução de Adriano Nunes Minha jardineira adorada, Tu que almejas saber por que Em tuas costas nem triscada, Como sei, dás a desconhecer Que jamais se bate em mulher, Sim, Senhora, com Flor Rara sequer. Épigramme – Guillaume Apollinaire Épigramme Mon adorable jardinière Toi qui voudrais savoir pourquoi Nul ne tape sur ton derrière Ne sais-tu donc pas comme moi Qu’il ne faut pas battre une femme Et même avec une Fleur Rare oui Madame APOLLINAIRE, Guillaume. Poèmes à Lou. Préface de Michel Décaudin. Paris: Gallimard, 2014, p. 229 Todas semanas trago Poemas Traduzidos por Adriano Nunes ao Vidráguas, confiram...

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Poemas Traduzidos XCVI – Adriano Nunes

Hoje, lendo “Gift”, poema de Leonard Cohen em poemas traduzidos por Adriano Nunes. Que presente poesia. Viva! “Presente” (Tradução de Adriano Nunes) Dizes-me que o silêncio está mais perto da paz do que os poemas mas se por meu presente Trouxesse-te o silêncio (pois conheço o silêncio) Tu dirias Isto não é o silêncio isto é um outro poema e devolvê-lo-ias para mim. Leonard Cohen: “Gift” Gift You tell me that silence is nearer to peace than poems but if for my gift I brought you silence (for I know silence) you would say This is not silence this is another poem and you would hand it back to me COHEN, Leonard. Poems And Songs. Edited by Robert Faggen. London: Everyman’s Library, 2011, p. 31. Todas...

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Poemas Traduzidos XCV – Adriano Nunes

Lendo Valeri Petrov: “Cry from Childhood” (Translated to English by Richard Wilbur), e ao português por Adriano Nunes, e que poema! Um grito da infância – Tradução de Adriano Nunes Por que isso afligir-me tem que vir, O súbito, agudo, e onírico grito De crianças chamando “Valeri!” Lá fora no logradouro contíguo? Não é pra mim, esse apelo infantil; Tristemente, não é pra mim de fato. Estão chamando um outro, meu sutil Homônimo que reside do lado. Apesar de tais estorvos, admito, Estão afligindo o meu raciocínio, Mantenho o que sinto pra mim, pois isto Poderia ser cômico, no mínimo, Se, do seu alto e aplicado retiro, Um velho esguio inclinar-se pra falar “Não posso sair” aos que me...

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Poemas Traduzidos XCIV – Adriano Nunes

Lendo Juan Ramón Jiménez, em tradução de Adriano Nunes. Muito bom! [Às vezes, sinto] – Tradução de Adriano Nunes Às vezes, sinto como a rosa que serei um dia, como a asa que serei um dia; e um perfume me envolve, alheio e meu, meu e de rosa; e uma errância me toma, alheia e minha, minha e de pássaro. [A veces, siento] – Juan Ramón Jiménez A veces, siento como la rosa que seré un día, como el ala que seré un día; y un perfume me envuelve, ajeno y mío, mío y de rosa; y una errancia me coje, ajena y mía, mía y de pájaro. JIMÉNEZ, Juan Ramón. Formas de huir. Antología Poética. Prólogo y selección de Antonio Colinas. Madrid: Alianza Editorial, 2006, p. 299. Todas semanas trago Poemas Traduzidos por Adriano Nunes ao...

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Poemas Traduzidos XCIII – Adriano Nunes

Hoje lendo “Aparente quietude..”, poema de Emilio Prados em tradução de Adriano Nunes. Aparente quietude… – tradução de Adriano Nunes Aparente quietude ante teus olhos, aqui, a ferida – sem alheios limites -, É o fiel do teu equilíbrio estável. A ferida é tua, o corpo em que está aberta é teu, teso e lívido até. Vem, toca, baixa, mais perto. Não vês tua origem entrando por teus olhos a esta parte contrária da vida? Que tens achado? O que não seja teu em permanência? Atira a tua adaga e teus sentidos. Dentro de ti engendra o que tens dado, fora teu e sempre é ação contínua. Tal ferida é testemunha: sem mortos. Aparente quietud… – Emilio Prados Aparente quietud ante tus ojos, aquí, esta herida...

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Poemas Traduzidos XCII – Adriano Nunes

Hoje lendo “Tiny Feet” um poema de Nathalie Handal, traduzido por Adriano Nunes! Pés pequenos – Tradução de Adriano Nunes Uma mãe olha pra outra – um mar de pequenos corpos incinerados ou decapitados em redor delas – e interpela, Como prantear isso? Tiny Feet – Nathalie Handal Tiny Feet A mother looks at another— a sea of small bodies burnt or decapitated around them— and asks, How do we mourn this? HANDAL, Nathalie. “Three Poems for Gaza”. In____. World Literature Today. (http://www.worldliteraturetoday.org/blog/three-poems-gaza#.U9mdYYFdXVQ). July 29, 2014. Accessed on July 30, 2014. Todas semanas trago Poemas Traduzidos por Adriano Nunes ao Vidráguas, confiram mais poemas aqui:...

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Poemas Traduzidos XCI – Adriano Nunes

Lendo e conhecendo a poesia de Sara Teasdale em tradução de Adriano Nunes! Não é uma palavra – Tradução de Adriano Nunes Não é uma palavra falada, Poucas palavras são proferidas; Nem mesmo dos olhos um olhar Sequer da cabeça um arquear , Porém apenas a paz do peito Que tem a sustentar o bastante, Somente memórias vigilantes Que dormem um sono tão ligeiro. It is not a word – Sara Teasdale It is not a word It is not a word spoken, Few words are said; Nor even a look of the eyes Nor a bend of the head, But only a hush of the heart That has too much to keep, Only memories waking That sleep so light a sleep. TEASDALE, Sara. Collected Poems. New York: Buccaneer Books, 1996. Todas semanas trago Poemas Traduzidos por Adriano Nunes ao...

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Poemas Traduzidos XC – Adriano Nunes

Lendo “Ellos”, poema de Juan Ramón Jiménez em tradução de Adriano Nunes. Que bueno! Eles – tradução de Adriano Nunes Tudo para eles, tudo, tudo: vinhas, colméias, pinhos, trigos… – Eu, bastante tenho obtido com minha ilusão de luz, com meu acento divino. Sido tal qual a rosa, todo essência; Símile à água, apenas desvario; e foram eles terra sã à minha raiz ansiosa e leito humano ao meu tesouro altivo. – … Tudo; que se eles não pensaram nunca, que pobres terão sido! Ellos – Juan Ramón Jiménez Ellos Todo para ellos, todo, todo: viñas, colmenas, pinos, trigos… – Yo, bastante he tenido con mi ilusión de luz, con mi acento divino. He sido cual la rosa, todo esencia; igual que el...

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