fevereiro 3rd, 2012 in Eventos, Poemas, Versos que Conversam | No Comments »
Psiu!

E finda janeiro
já estamos em
dois dias de fevereiro
colho o cheiro da chuva
sinto tua harmonia
e mesclo na lavanda
toda a intensa banda
é samba
é lança
é marcha
perfumes
flores e sentimentos
E finda janeiro
já estamos em
dois de fevereiro
nua avenida
és toda a alegoria
de minhas evolução, fantasias
cadência imaginada
piso em tuas poças
salto do tanque à Grécia
destoo em peripécias
e saibas, nesta folia
estou feliz a beça…
no ar lavanda
doce comanda
a deitar nossa noite de verão
e terminou janeiro
já é três de fevereiro
ainda dia de Rainha Mar no ar…
Carmen Silvia Presotto – Vidráguas
A arte é de Botticelli!
Um beijo, e voltamos domingo, bom final de semana a todos e seguimos…
fevereiro 3rd, 2012 in conversando sobre literatura, Poemas, Sentir sinta quem lê - poema sentido..., Versos que Conversam | 2 Comments »
As Mesmas Mãos
poema de Lisa Alves

Da mão do tempo colhi experiências:
flores autênticas com espinhos artificiais.
A proteção desfigura-se – nada guarda a chuva.
Pingo tempestades,
choro dilúvios.
E o mar da tranqüilidade
pertence ao vizinho.
Disseram para livrar-me
desses pensamentos.
Mas as idéias enterradas
nos pés da massa, multiplicaram-me.
Estou neles, estou eles e agora somos
os mesmo pés e as mesmas mãos.
Na dança da multidão,
ganho horários e cartões de compras.
Andar reto nesse coletivo insano.
Os meses são demais, mas são poucos os anos.
Um mapa traçado na face – ainda não é sinal do fim.
Gero despesas, abomino a TV
e quando vou às compras volto com a sacola cheia de Nada.
A falta de sentido me causa dor – é melhor pensar que sou um esqueleto.
Assistir um filme, ler um livro
e depois dormir.
Ainda bem que a tenho aqui perto – só assim para acreditar em existência imediata.
Lá fora sei que chove ou faz sol – é bem simples mesmo.
Lá fora sei que quem vai sempre volta – quase sempre.
Aqui dentro prefiro me preocupar com o sistema digestivo das minhas gatas.
Aqui dentro falamos sobre o futuro, quem vai cozinhar e o horário do remédio.
Não há garantias que nasci em 1981.
Não há garantias que nasci.
Não há garantias.
Não há.
Comunico-me com pessoas que nunca vi.
Isso não é desenvolvimento espiritual.
Isso é desenvolvimento tecnológico – Kardec era um visionário.
Eu amo a poesia de Drummond
mas odeio sua voz – eu também odeio minha voz.
Eu amo a prosa de Clarice Lispector
mas odeio sua voz – eu também odeio minha voz.
Quando a tempestade vai embora, eu sopro as nuvens.
Agosto e setembro passado
trouxeram grandes inundações.
Mas depois me reformei, sou igual a multidão – resiliente.
O tempo sempre me doa mãos
e eu as leio com minha visão turva e limitada.
O futuro é alquebrado, leva consigo lápides,
histórias e resistentes construções .
O comum fica, fica também o rancor, o coração partido
e a multidão.
Lisa Alves é uma poeta e escritora que leio sempre, desde de nosso encontro em Brasília, sigo desvendando seus livros, versos, novelas e contos… aqui em Vidráguas temos o prazer de ter seus poemas e também de divulgarmos A Prisioneira do Bosque e agora trazemos “Adeus Companheiro”, saibam mais aqui
Psiu Lisa, beijos e seguimos!!!
fevereiro 2nd, 2012 in Poemas, Reciclagens..., Sentir sinta quem lê - poema sentido..., Versos que Conversam | 4 Comments »
Nic dwa razy*
à Wislawa Szymborska

Tua asa em meu jardim
chega como se fosse uma pluma do Éden
paro, observo…
ela vem úmida
ela vem com sal
corro à piscina
vejo o banho do pássaro
olho à gaiola
ele está lá
enfim,
tudo em seus contornos
olho ao céu
a tempo de perceber um arco-íris em luz…
Poema de Carmen Silvia Presotto
*Nada acontece duas vezes
fevereiro 2nd, 2012 in Eventos, Poemas, Receitas de Poetas, Receitas Vidráguas, Sentir sinta quem lê - poema sentido..., Versos que Conversam | No Comments »

Radość pisania
poema de Wislawa Szymborska
Dokąd biegnie ta napisana sarna przez napisany las?
Czy z napisanej wody pić,
która jej pyszczek odbije jak kalka?
Dlaczego łeb podnosi, czy coś słyszy?
Na pożyczonych z prawdy czterech nóżkach wsparta
spod moich palców uchem strzyże.
Cisza – ten wyraz tez szeleści po papierze i rozgarnia
spowodowane slowem “las” gałęzie.
Nad białą kartką czają się do skoku
litery, które mogą ułożyć się źle,
zdania osaczające,
przed którymi nie będzie ratunku.
Jest w kropli atramentu spory zapas
myśliwych z przymrużonym okiem,
gotowych zbiec po stromym piórze w dół,
otoczyc sarnę, złożyć się do strzału.
Zapominają, że tu nie jest życie.
Inne, czarno na białym, panują tu prawa.
Okamgnienie trwać będzie tak długo, jak zechce,
pozwoli się podzielić na małe wieczności
pełne wstrzymanych w locie kul.
Na zawsze, jesli każę, nic się tu nie stanie.
A alegria da escrita
Tradução de Tiago Halewicz
Para onde corre esta cerva escrita na floresta que escrevi?
Para beber da água escrita,
que imprime seu focinho como se fosse folha de papel?
Por que ela ergue a cabeça, escutou algo?
Sobre as quatro patas emprestadas da realidade
ela levanta a orelha sob meus dedos.
Silêncio—esse termo murmura sobre o papel e afasta
os galhos que surgem com a palavra “floresta”.
Sobre a folha em branco agacham-se para um pulo
letras que podem se dar mal,
formando frases ameaçadoras
das quais nada escapa.
Em cada gota de tinta há um bom estoque
de caçadores de olho na mira,
prontos a descer pela caneta íngreme,
cercar a cerva e apontar as armas.
Esquecem que aqui não há vida.
Preto e branco, aqui reinam outras leis.
Um piscar de olhos será tão longo quanto eu quiser
e poderá ser dividido em pequenas eternidades,
cada uma com o chumbo suspenso em pleno vôo.
Aqui nada acontecerá sem meu aval.
Contra minha vontade, nenhuma folha cairá
e nenhuma grama se dobrará sob o casco da cerva.
Então existe um mundo assim,
sobre o qual exerce um destino independente?
Tempo, que eu teço com uma corrente de sinais?
Existência que, a meu comando, não terá fim?
A alegria da escrita.
O poder da consolidação.
A Vingança de uma mão mortal.
Tradução de Tiago Halewicz do poema original em polonês Radość Pisania, extraído de Wislawa Szymborska, Sto Pociech (Kraków: Wydawinictwo Literackie, 2007), em Memória Cultural Polonesa, p.p., 86.87, 88, 89., edição em parceria Vidráguas, StudioClio e Rodycz & Ordakowski Editores – 2008.
janeiro 31st, 2012 in anáguas, Foto do Dia, Poemas, Sentir sinta quem lê - poema sentido..., Versos que Conversam | No Comments »
…… no dentro do outro

“Neve e fogo
força e febre
no movimento
o silêncio se bebe
e se embriaga
agora
aqui
no dentro do outro
estilhaços de estrelas
pleno de si
esse cio
eterno início
nunca se sacia”
Poema de Alice Ruiz, trazido lá do blog de Lou Albergaria, autora de O Cogumelo que nasce na bosta da vaca profana… e que escreve conosco todas terças-feiras, e que agora está em estudos e cursos, mas logo, logo retornando.
A fotografia é de Rankin!