Lendo Pedro Lyra

Pedro Lyra: “LAVRAGEM XIX – ATÉ DA LEMBRANÇA” Passou pois tudo passa nesta vida se a vingança das coisas é passar: passa o rio – com ele seus murmúrios; passa o tempo – com ele seus martírios; passa o sonho – com ele seus mistérios. Pois, assim, passa o amor. Mas este ao menos deixa o que o vai levando: o ter vivido, o ter crestado em gozo o próprio amor – tudo que justifica um vir ao mundo mas que até da lembrança há de passar. E pois que passe passe pois que torna mais amplo mais aberto mais sabido o espaço por onde outro há de chegar. (Porém que passe assim: sem chaga ou culpa.) (Do livro “Desafio – Uma poética do amor”) A foto foi colhida aqui:...

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Lendo Cecília Meireles, Sugestão

SUGESTÃO Sede assim — qualquer coisa serena, isenta, fiel. Flor que se cumpre, sem pergunta. Onda que se esforça, por exercício desinteressado. Lua que envolve igualmente os noivos abraçados e os soldados já frios. Também como este ar da noite: sussurrante de silêncios, cheio de nascimentos e pétalas. Igual à pedra detida, sustentando seu demorado destino. E à nuvem, leve e bela, vivendo de nunca chegar a ser. À cigarra, queimando-se em música, ao camelo que mastiga sua longa solidão, ao pássaro que procura o fim do mundo, ao boi que vai com inocência para a morte. Sede assim qualquer coisa serena, isenta, fiel. Não como o resto dos homens. MEIRELES, Cecília. “Mar Absoluto”. In: Antologia Poética. Rio de Janeiro: Nova fronteira,...

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Lendo Manoel de Barros: Livro sobre o nada

Hoje, o Céu deve estar bem mais Natural. Paz e luz Manoel de Barros, vamos sentir saudade! 5. Sou um sujeito cheio de recantos. Os desvãos me constam. Tem horas leio avencas. Tem horas, Proust. Ouço aves e beethovens. Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin. O dia vai morrer aberto em mim. 7. Sei que fazer o inconexo aclara as loucuras. Sou formado em desencontros. A sensatez me absurda. Os delírios verbais me terapeutam. Posso dar alegria ao esgoto ( palavra aceita tudo ). ( E sei Baudelaire que passou muitos meses tenso porque não encontrava um título para os seus poemas. Um título que harmonizasse os seus conflitos. Até que apareceu Flores do mal. A beleza e a dor. Essa antítese o acalmou.) As antíteses congraçam. BARROS, Manoel de ( 1916 – 2014...

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Anoitecendo com Walt Whitman…

Ao anoitecer, um poema de Walt Whitman! 27. Ser de alguma forma qualquer – o que é isso? ( Giramos e giramos, todos nós, e sempre voltamos ao mesmo ponto.) Se nada houvesse mais evoluído, a ostra em sua calosa concha deveria bastar. Não tenho calosa a concha: tenho instantâneos condutores por mim todo, esteja eu parado ou em movimento, e eles apreendem todas as coisas e sem dano as conduzem através do meu ser. Eu simplesmente me animo e tateio, sinto com os dedos e fico feliz: tocar com minha pessoa a de outrem é quase o máximo a que eu posso resistir. WHITMAN, Walt. ( 1819 – 1892 ). In: Folhas das folhas de relva. Seleção e tradução Geir Campos, introdução Paulo Leminski. São Paulo: Brasiliense, 2002. p.p....

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Hoje, lendo o poema Exercício de Antonio Olinto…

Para iluminar o dia, a vida, exercito-me com um poema de Antonio Olinto. Que poeta! EXERCÍCIO É preciso aprender tudo Novamente Dar o primeiro passo outra vez Pegar roupas sem nome ainda Num tateio Enfiar as meias no pé direito Depois no esquerdo Calçar os sapatos Como é difícil calçar os sapatos Colocar um pano sobre o sexo Cobrir o peito Num longo reaprendizado Até que a mortalha caia perfeita E consigas reconhecê-la No grito da criança Rompendo livre o escuro ventre Puxando o cordão preso no umbigo Aprender de novo usá-lo No pulo da brincadeira A cada morte é preciso Abrir-se em Renovado renascimento. OLINTO, Antonio ( 1919 – 2009). In: 50 poemas escolhidos pelo autor. Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 2004....

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Vidráguas à Sylvia Plath

Vidráguas à Sylvia Plath*, hoje meu dia poesia é dela! Words – Sylvia Plath Axes After whose stroke the wood rings, And the echoes! Echoes travelling Off from the center like horses. The sap Wells like tears, like the Water striving To re-estabilish its mirror Over the rock That drops and turns, A white skull, Eaten by weedy greens Years later I Encounter them on the road — Words dry and riderless, The indefatigable hoof-taps. While From the bottom of the pool, fixed stars Govern a life. Palavras – Tradução de Ana Cristina Cesar Golpes, De machado na madeira, E os ecos! Ecos que partem A galope. A seiva Jorra como pranto, como Água lutando Para repor seu espelho sobre a rocha Que cai e rola, Crânio branco Comido pelas ervas. Anos depois, na...

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Vidráguas a Antônio Lázaro De Almeida Prado!

Vidráguas aos 89 ano de Antônio Lázaro De Almeida Prado. Poeta e Mestre que amo, amo, e amo. SONATA DE AMOR Que sabe a lua do sabor das nuvens? E o sol, que sabe do frescor da relva? Você, que sabe da ternura incrível Desse meu jeito de vestir meus sonhos? Meu sonho sabe as flores peregrinas, A mel silvestre, a doce odor de auroras, A tudo quanto forma esta apetência De saber-me ligado à luz do instatante. Nasci para saber o bem da vida, O humilde florescer das alvoradas, O perfume discreto da água pura. Nasci para ousar fazer-me amado E amar demais, com este modo exato De, vivendo de amor, morrer amando… PRADO, Antônio Lázaro de Almeida. In: Ciclo das Chamas e outros poemas, Ateliê Editorial, São Paulo, 2005. p....

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Lendo Words, poema de W.H. Auden

Hoje, lendo “Words” poema de W.H. Auden. E vamos ler poesia e vamos ler os Mestres. PALAVRAS Nasce um mundo da frase profunda Onde tudo acontece tal e qual; Na palavra a palavra está empenhada: À fala, não ao falante, dá-se o aval. Clara seja a sintaxe, e mais: que nada Mude ao tema seu fluxo natural Nem troque os tempos por amor à toada Pois há tristes versões de pastoral. Para que um blá-blá inteminável Se os fatos são nossa melhor ficção? Antes o verbo facilmente achável Do que a rima a falsa encantação, Qual dança de zagais mima o insondável Cavaleiro a vagar na solidão (J.M.J.) WORDS A sentence uttered makes a world appear Where all things happen as it says they do; We doubt the speaker, not the tongue we hear: Words...

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Lendo Sophia de Mello Breyner Andresen

Hoje, em meu dia poesia: Sophia de Mello Breyner Andresen. Que poema, que poeta! A casa térrea Que a arte não se torne para ti a compensação daquilo que não [soubeste ser Que não seja transferência nem refúgio Nem deixes que o poema te adie ou divida: mas que seja A verdade do teu inteiro estar terrestre Então construirás a tua casa na planície costeira A meia distância entre montanha e mar Construirás — como se diz — a casa térrea — Construirás a partir do fundamento ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner. “O nome das coisas”. In:_____. Obra poética. Alfragide: Caminho, 2011. Poema lido aqui: http://antoniocicero.blogspot.com.br/2013/11/sophia-de-mello-breyner-andresen-casa.html A fotografia é de Eduardo...

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Vidráguas à Lya Luft!

Vidráguas à Lya Luft, hoje o meu dia poesia é dela....

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Para encerrar bem a noite, um poema de Gullar!

Lendo e esparramando Gullar TOADA À TOA A vida, apenas se sonha que é plena, bela ou que for. Por mais que nela se ponha é o mesmo que nada por. pois é certo que o vivido – na alegria ou desespero- como o gás é consumido… Recomeçamos do zero. Gullar, Ferreira. Em alguma parte alguma. 2ª ed. Rio de Janeiro: José Olímpyo, 2010....

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