Archive for the ‘Quase_Conto’ Category

tomo as suas mãos nas minhas e desperto

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Voltava da praia distraída, pensando no dizer tomo suas mãos nas minhas, uma despedida de Antón Tchecov e Olga Knipper, que também é uma peça teatral de Carol Rocamora com tradução e direção de Leila Hipólito e atuação de Roberto Bomtempo e Miriam Freeland, onde 400 cartas contextualizam a história de amor dos últimos seis anos do escritor com a atriz amada, quando miro uma camiseta amarela vindo em minha direção, reconheço os passos e sinto o cheiro da banda e na minha frente vejo a lenda: Chico Buarque…

Na hora contenho o arrepio e o impulso e sigo como se quem passasse fosse alguém comum e no Rio de Janeiro é, porque por cada esquina pode estar uma estrela, um mito, por isso se deve conter os disparos do coração, esquecer as máquinas fotográficas e arregalar bem os olhos para gravar a cena.

No entanto confesso que estes encontros me fazem desejar aprender a técnica de tropeçar nos astros desastradas, treinando o tombo, numa hora dessas num dia qualquer, quem sabe não seja despertada por um olê, olá?

É!

Aprender a cair pode ser uma arte, e isso presenciei em No Buraco, outra peça teatral que me fez repensar o espaço temporal do silêncio, um trabalho muito intrigante que se passa em uma hora, utilizando a técnica da pantominia e de mímica ilusória.

leia toda crônica, quase_conto…
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boNeco, bomNix msn…

mensagem
simulações
e no ar,
tantas palavras querendo viver

impressões remotas
que ao sair da memória
voam

estado,
estar
em ser,
dedos, inclinações de um falar

às vezes, ausentes
noutras, em linha
noutras garfos de almoço, garras de telefones ocupados
e no pior estado:
foraDelinha!

formatademente isolado
ilhado
entre cartas
a cartões que delimitem espaços
hoje proclamo:
bonequear, um novo verbo na cartilha,
nova realidade jogando dígitos com teclas
para que o amanhã da Manhã seja sempre infinitivo…

E ser verbo, ser substantivo, ser adjetivo são sereres de não ser,
um boneco a jogar com o tempo,
nada mais que um vento ao sol
apenas vento,
do furaCão
palavras perdidas no abismo
que ao rescutar o próprio coração escuta a canção do mar
abraça o tudo…

ser bom eco é estar além do ar,
é tocar a estrela de outros universos,
de restos et-intre-galáxicos,
dicionários sem léxico,
letras presas de prender o que não se pode:
um tempo impossível existe
além do grampo ou da presilha do cabelo,
há escutas que fazem chuvas
granizo
e suco que somente o homem bebe
:
palavras,frases, versos, textos, Livros!!!

Carmen Silvia Presotto

você sabe o que é photoPoemas?

photoPoemas, uma reivenção, um trabalho, uma exposição Vidráguas

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É uma tentativa de se buscar na Arte mais uma fonte de produção a mais revelações artísticas, leituras e compreensão de realIdades.

Acreditamos que ao unir palavras com imagem, neste caso Poemas com Fotografias, estaremos revelando um caminho entre mundos semióticos, onde os textos dialoguem num contexto sem textos fixos. Com isso, seguimos confabulando com o que viemos estudando e trabalhando sobre técnicas artísticas, onde o pastiche, a bricolagem e o híbrido, mais do que linguagem artísticas possam ser, entre-lugares, um Conceito de Trabalho.

Com photoPoemas, buscamos reconstruir as sombras que vivas nas re-elaborações, seguem flashes a mais memórias, própria e social. Na soma nossa com outros, na soma de linguagens artísticas, acreditamos que, além do contemplar estará o interagir.
E nessa composição, interação, com o que está fora de nós, poderá estar os pedaços que necessitamos para seguir a busca de um novo olhar, de uma nova leitura.
Ao que a princípio parecia ser apenas uma catalogação de pedaços, com novas expressões, imaginação e criatividade, ludicamente, poderá nos levar da palavra à Poesia, do esboço à Fotografia, das sombras à Luz e a mais memórias.

Em toda Arte está a Estética e a Ética como uma ecologia da linguagem, já que não existe o original, com photoPoemas, tentamos trazer esses recortes, seja pela genealogia das palavras e imagens, seja pelas suas historicidades. Por isso, buscamos com poemas e fotografia uma assepsia de diálogo para seguir caminhantes a mais linguagens, leituras e conversas, assim Quando a Imagem caminhar Ela será esse risco que desejante preenche vazios para se re-encaminhar a versos, assim um para sempre, erosparlante, se assombrará com mais Arte para respirar em Vivas Memórias.

Ao re-fabularmos palavras, técnicas, conceitos, desejamos maior inclusão ao que creditamos como Estética Poética, um abraço entre imagem, palavras, versos que conversem para seguirmos seres vivos a quem escreve, quem lê, fala e conVersa…

Vidráguas – Atelier da Palavra à Poesia
Carmen Silvia Presotto
Porto Alegre- 21 de abril de 2009.

Dente de leite…

Um néctar goteja macio no tempo. Lá fora, escuta-se o barulhos de outros leites, borbulhando entre os cascos dos cavalos.

Chega o leiteiro!

Exatamente, no horário marcado, ele revela o subir de algumas cortinas, para que os olhos das casas acordem. E enquanto o precioso líquido vai sendo colocado à fervura, aproxima-se um cheirinho de massa recém tirada do forno.

Aos poucos, vão chegando os olhos vestidos.

Alguns já bem abertos, outros, ainda remexidos pela noite espreguiçam-se em busca de alguma novidade. Toca a sirene do Frigorífico, e em seguida o sino da Matriz. Mais janelas se abrem. Umas tentam alcançar a merenda ao filho atrasado, outras já estão com travesseiros expostos ao sol e de outras, simplesmente, se escuta: bom dia, como foi a noite, como está Ana, e João já chegou de viagem?

Entre tantos sussurros, no parapeito dos que ficaram, escuta-se a sineta do Colégio denunciando outras horas. Os olhos das casas vão ganhando corpo, as bocas dão lugar as pernas que se somam às mãos em movimentos.
Logo o barulho já não vem de fora, está na pia da cozinha, no tanque, na vassoura, misturando cheiros familiares aos ponteiros que vão fazendo a vida com seus trabalhos…

O sol se espreguiça na sala de almoço, quando se percebe o ruído que a manhã levara. Algumas janelas voltam a se abrir para a esquina em que desponta um bando uniformizado. Às vezes, dá para chamar o rol de longe… Noutras, depois de algum frio na barriga, a rua é anunciada pelo que falta. O retardatário deve estar refazendo um tema. Ou está escutando um pouco mais sobre a próxima tarefa, quando não metido em alguma rixa… Nesses casos, normalmente um desponta antes, avisa e aí, é a Rua que vai até o encontro marcado.
Mas, no dia de hoje o atraso era muito. E, justamente, quando a mãe saia para averiguar a demora, Luís atravessa o jardim correndo e gritando: por que nunca me disseram o nome da rua onde moramos?
Como, pergunta a mãe?
Sim, mãe! Falei de mim, falei de ti, falei do pai, das árvores, dos meus amigos, do meu cachorrinho, de tudo que me vinha aos olhos. E quando me pediram o nome deste lugar, falei do fundo do corredor e disse: Infância!

E?!

Faltava o nome, o título, a plaquinha e tive que arrumar outro nome e escutar a gozação por ser tão avoado e, mais, tolo por não saber que esta rua, simplesmente, é chamada de Armínio Da Silva.

Bem, filho… agora sabes: vestir lugares não é nada fácil, talvez nomear seja mais simples… agora vamos ver se a formiguinha já não trocou o dente de leite escondido nas pedras do jardim por algum dinheirinho?

Carmen Silvia Presotto

Mágica Moldura

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É… Ela pintou quase todo o quadro. A visão soltava-lhe a imaginação. O breu do céu, reavivava a menininha sardenta às lembrança tão cintilantes e visíveis quanto as estrelas que via naquela noite.
Enquanto pincelava, ouvia suas vozes preferidas: Então filhinha pintando o sete? Como melhoraste! Viu é só treinar minha netinha… Valéria queres um copinho com leite e doce de figo? Será que essa menina não deveria estar dormindo?

Escutas de como sua mãe tinha razão: Sono há todos dias, porém algumas imagens se não aproveitadas em oportunos momentos se esfumaçam…
Às vezes, a imaginação é tão fértil que foge para se camuflar e confundir as idéias. Noutras, é tão real, plausível, que uma foto pareceria um simples xérox do pensamento.

Valéria não poderia parar, se dormisse seria traída pelos sonhos. E o verde cheirava, tirando-lhe o sono para que suasse junto ao inconfundível perfume das plantas, folhagens e relva molhada que contornava toda a volta da casa, onde os gerânios avermelhados e suspensos, guardados pelos lindos potes coloridos e vivos badalavam sua vovó.
Nesses momentos, até a cadeira, gasta e surrada parecia ranger em seu ouvidos, tramando um lido encostos de retalhos, colcha aconchegante onde deitava sua saudade.

Quadros da infância!
Tangíveis pincéis e traços de memória que apenas acompanhava os passos das recordações. Acendendo cores sobre aquela tela, ela não apagaria jamais o peitoril da infância e por onde debruçava suas mãos, delinearia o quadro vivo da criança.

Hoje, Valéria, já não pincela apenas o teto e as paredes do quarto. Atravessa janelas e sacadas, porque os pincéis, pássaros em suas mãos, agora voam além da noite que cai.

Hoje, calmamente, adormece. Sabe serem muitas as imagens e imperdíveis os momentos que ainda transbordarão de suas retinas a eternizar raios que giremMsóis a mais esferas de vidas.

Carmen Silvia Presotto