MÁGICA MOLDURA por Carmen Silvia Presoto

MÁGICA MOLDURA por Carmen Silvia Presotto . É… Ela pintou quase todo o quadro. A visão soltava-lhe a imaginação. O breu do céu reavivava a menininha sardenta às lembranças tão cintilantes e visíveis quanto as estrelas que via naquela noite. Enquanto pincelava, ouvia suas vozes preferidas: “Então, filhinha, pintando o sete? Como melhoraste! Viu é só treinar minha netinha… Sílvia, queres um copinho com leite e doce de figo? Será que essa menina não deveria estar dormindo? “ Escutas de como sua mãe tinha razão: Sono há todos os dias, porém algumas imagens, se não aproveitadas em oportunos momentos, se esfumaçam… Às vezes, a imaginação é tão fértil que foge para se camuflar e confundir as ideias, outras vezes é...

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A Dríade de Lisa Alves em Vidráguas…

A Dríade por Lisa Alves “É que por enquanto a metarmofose de mim em mim mesma não faz sentido. É uma metamorfose em que eu perco tudo o que tinha, e o que sou. E agora o que sou? Sou: estar de pé diante de um susto. Sou: o que vi. Não entendo e tenho medo de entender, o material do mundo me assusta, com seus planetas e baratas.” Clarice Lispector Respirava provocando vida e as forças afloravam lentamente, existência entre existência é experimento uno e metamórfico. Sentiu a terra lambendo sua tez e mergulhou na sensação de sentir-se entre a pele e o seu elemento de equilíbrio. – terra, raízes e organismos decompositores uniram-se a sua superfície de carne. Agora o barulho, as máquinas perfurando o solo chegavam a tremê-la, uma vez...

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O Álbum de Maria Antônia, por Lisa Alves!

O Álbum de Maria Antônia por Lisa Alves Meus avós maternos Efígies imortalizadas naquele álbum de fotografias – historíolas contadas em sépia, preto e branco e papéis amarelos: sorrisos imortais, uma felícia clandestina surpreende-me ao ver a menina-eu capturada por acidente – uma flor ao chão e a miúda mão indo ao encontro da vermelhidão espinhosa. Casais que o tempo levou a paixão, roupas que já se volveram em hortelã e alface. O mar que o avô usava de fundo – hoje recebe os dejetos do mundo. A prima que partiu aos vinte e um. A amiga que se matou aos quinze. Onde estão? Estão? A mesa repleta de frutas e a tia ali sorvendo à seco os desaforos dos irmãos. O canteiro de folhas místicas – hábeis a arrancar mal olhado,...

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ConVersando com Cesar Vallejo por Carmen Silvia Presotto

Há dias em quem Deus é dia, são.. a Cesar Vallejo Há dias que cabem num poema numa música perfeitos dias em que me sento para escrever como se tivesse no deslize de um raio de sol onde fluxa em influxo o meu mais sensível sentir para que todo pulsar seja mais do que um simples dia me debruço sobre a tela em branco e logo estou rindo para a roseira que avisto de meu escritório e rio mais forte ainda quando percebo que o botão que estava orvalhado pelo rocio da noite se faz presença no voo onde pousa agora uma borboleta amarela que me leva mais adiante para perceber que tudo que vivo é concreto tal qual a folha que agora cai em minha escrita uma folha verde com muitas matizes que insiste em me dizer algo e por isso e por ela paro e escuto e sim...

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Em Vidráguas, O troco por Lisa Alves…

O Troco por Lisa Alves Mas quase nos entendemos nesse leve desencontro, nesse quase que é a única forma de suportar a vida em cheio, pois um encontro brusco face a face com ela nos assustaria, espaventaria os seus delicados fios de teia de aranha. Clarice Lispector – Água Viva Desencaminhou sua quietude ao cruzar com sua meia alma. O encaixe despontou como um Big Bang de sensaçõesB – ele desmoronou, gemeu, seu corpo não suportou o atrito de energias tão compatíveis.Trêmulo estendeu a mão para que ela o alcançasse e ela sem delongas correu ao seu encontro – presenteando-o com um doce toque de cobre na calçada. Lisa Alves, grande leitora de Lispector, Sylvia Plath, Bukowski e tanto outros que nos enlaçam o caminho, escreve conosco em...

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A Prisioneira do Bosque – Pretexto

A Prisioneira do Bosque – Pretexto por Lisa Alves Salvador Dali – Ascensão de Cristo (1958) Em um mundo onde pessoas matam e torturam em nome das cores e pigmentações esse universo seria um verdadeiro “tapa na cara da humanidade”. Mas a menina sabia que não era necessário chegar até aqui para constatar a necessidade desse tapa. A sua espécie há muito tem cometido atrocidades seguidas de justificativas insanas e infelizmente (para alguns) irreparáveis. Aquele mundo que aos poucos se solidificava possuía cores e tonalidades nunca descobertas e mentalizadas por ela. Naquelas cores, havia cheiro, êxtase e sensações que modificavam sua forma. Da cabeça aos pés ela se transformava naquilo que tolamente seria chamado de não-matéria. Tocar...

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A prisioneira do bosque – as nuvens

A Prisioneira do Bosque – As nuvens por Lisa Alves Imagem de Victor Cauduro Yo estaba bien por un tiempo, Volviendo a sonreír. Luego anoche te vi Tu mano me tocó Y el saludo de tu voz. Y hablé muy bien de tu Sin saber que he estado Llorando Llorando – Rebekah Del Rio Sem chão para ser sustentada flutuou por cima de algo que ainda não conhecia. Um túnel a levava para vários lugares que ela não compreendia. Percebeu a variação das formas e que alguns sentidos eram despertados à medida que entrava em contato com as “anti-matérias”. “Sentidos anteriormente adormecidos pela barreira do carbono e pelas leis da gravidade” – explicou-lhe Perséfone. Vejo o teu lado de dentro e de fora Sei quando entra e quais são as...

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Da falta de amor por Suzana Bins

DA FALTA DE AMOR por Suzana Bins “ (…) toda ação principia mesmo é por uma palavra pensada. Palavra pegante, dada ou guardada, que vai rompendo rumo.” (Guimarães Rosa – Grande sertão: veredas) br> Aos poucos as coisas iam voltando a ser como antes. A mãe, agora, já não caminhava naquele vagar arrastado de velha. Ia adquirindo a mobilidade de moça, ganhando viço. Já não se queixava de dores amiúde e conseguia dormir melhor à noite, porque, dizia ela, teu irmãozinho já mama melhor, já dorme melhor, as cólicas passaram. Não entendia muito bem de cólicas, só de mamar, porque via, volta e meia, o bebê mordendo o corpo da mãe com tamanha força, que chegava a fazer uns barulhos esquisitos. Ela rira-se, quando ele enfim manifestara...

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A prisioneira do bosque um conto de Lisa Alves em Vidráguas

A Prisioneira do Bosque – Desintegração dos Quarks por Lisa Alves Fotogragia de Juliana Botão, Arte de Lisa Alves Respire, inspire o ar Não tenha medo de se preocupar Vá, mas não me deixe Olhe em volta, escolha seu próprio chão Por muito tempo você viverá e voará alto (…) Corra, corra, coelho, corra Cave esse buraco, esqueça o sol E quando finalmente o trabalho estiver terminado Não vá se sentar, é hora de começar a cavar outro” Breathe do álbum – Darkside Of The Moon – Pink Floyd – E então, como é envelhecer? Consegue sentir a indelicadeza do tempo? – Eu não posso falar com você, estou em uma fase racional! – A sua ingenuidade continua permanente. As duas se entreolharam, uma estava diferente a outra permanecia...

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Em Vidráguas, Uma mãe no divã por Adriane Lima

Uma mãe no divã por Adriane Lima* “Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas, eu fora desencantada; não era mais uma rosa, era de novo uma simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu não era uma flor, era um palhaço pensativo de lábios encarnados. Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar alegre, mas com remorso lembrava-me do estado grave de minha mãe e de novo eu morria. “Só horas depois veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava me salvar”. Clarice Lispector Nós vivemos dentro de um grande conto de fadas, do qual ninguém faz realmente idéia,ou nós saimos deles mais meninas do que...

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Por uma vez, um conto Anáguas de Renato Araújo

Por uma vez por Renato Araújo* Fotografia de Guy Bourdin Outros que digam: sexo é tudo, para mim ele foi nada. Assim como os dias de tensão por ter de lutar contra um desejo indesejável. Sei que no final das contas quem decide mesmo se uma relação vai ter êxito é a mulher, e assim como elas começam, elas sabem muito bem terminar. Sinto-me indefeso perto de certas mulheres, elas me fazem perceber o quão garoto ainda sou. Isso me assusta… O som estridente do despertador me rompeu o sono, mau acordo e a vontade de continuar dormindo não saia de meu corpo. A cama toda bagunçada demonstrava meu intempestivo descansar. Alguns minutos a mais eu pedia, mas meu celular chamava, e a voz do outro lado dizia que estava atrasado, novamente. Na corrida,...

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