Lendo Antonio Cicero, amo esparramar quem leio…

Diamante O amor seria fogo ou ar em movimento, chama ao vento; e no entanto é tão duro amar este amor que o seu elemento deve ser terra: diamante, já que dura e fura e tortura e fica tanto mais brilhante quanto mais se atrita, e fulgura, ao que parece, para sempre: e às vezes volta a ser carvão a rutilar incandescente onde é mais funda a escuridão; e volta indecente esplendor e loucura e tesão e dor. CICERO, Antonio. “Diamante”. In: PORVENTURA, Rio de Janeiro, REDORD, 2012, p.27. Leiam, conheçam mais a Poética deste Cancionista:http://www2.uol.com.br/antoniocicero/ ...

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Lendo Vicente Franz Cecim, amo esparramar quem leio…

Visitando Andara ao amanhecer… Tu escreves um livro com tinta invisível Por que fazes isso? Nós somos homens invisíveis Depois de nascidos, invisíveis Entre o início e o invisível final, nos somos os homens visíveis. Aproveitemos para ver-nos. E então ir escrevendo outros livros, nestes jardins, todas essas asas, para que um livro vá se fazendo. Ms não em si. Dele não se verá uma sombra das palavras no papel. Viagem a Andara. O não-livro. Não existe, não existe Literatura fantasma. Não foi escrito. Enquanto texto, tudo o que teremos dele é um título. CECIM, Vicente Franz. In: A asa e a serpente & Manifestos Curau/ Belém: Diário do Pará, 2012 – Coleção Pará de Todos os Versos, de Todas as Prosas.). p.p. 10, 11. Saibam...

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Lendo Ricardo Silvestrin, amo esparramar quem leio…

Hoje, amanheci com “Metal” como paisagem ao meu dia! não quero forma nem conteúdo quero tudo o que nasce sem forma e sem conteúdo o olho deforma o que está mudo e depois reforma o texto miúdo a forma amorfa o conteúdo incontido não quero norma nem um estudo quero um escudo uma arma no criado-mudo uma alma no corpo intruso. SILVESTRIN, Ricardo. “nao quero uma forma”. In: Metal, Porto Alegre, Artes e Ofícios, 2013. p.44. “Metal”traz na orelha a escuta de Antonio Cicero, Prefácio de Carlos Felipe Moisés e no visual um lindo trabalho de Marta Castilhos, do miolo trago uma mostra, um livro pra devorar… e vamos ler poesia!! Leiam mais no site do autor: www.ricardosilvestrin.com.br ...

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Lendo Francisco Miguel de Moura, amo esparramar quem leio…

BALADA DO AMOR IMPOSSÍVEL BALADA DO AMOR IMPOSSÍVEL, POR QUÊ? Francisco Miguel de Moura* Vieste porque era tempo e não do tempo Não porque fosses como tontas da tevê. Mas tinhas alegria a oferecer A um coração enfraquecido, Como as flores se oferecem. Vieste! E nos amamos diferente Ainda não fantasiados pelos gregos E troianos – filósofos do amor. Tu falavas ao vento da manhã Que sopra para todos os lados E pra nenhum E este nenhum era eu (e meu deserto). Ouvi que vieste para o amor Que em ti sobrava e sossobrava. Vieste para o amor por uns instantes E só eu te notei e só tu me notaste. Tudo passou. Mas não passaríamos Em vão entre os que nada pressentem. Eras a impossibilidade do possível. Nada passa, nada é vão, tudo “fica”. É...

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Lendo Sidnei Schneider, amo esparramar quem leio..

PORTA porta, para onde abres? o que trazes por trás do teu perfume? que vermelho te habita? que chuvas lamberam os pés de tuas tábuas? que mãos amaciaram tua dura maçaneta? quem imaginou tua ríspida simetria? quem te olha como auscultando? quem te fotografa como pedindo que te abras? que setas te delimitam? qual verde te escala? porta, és como uma boca: fala! (poema escrito sob a fotografia de Fabiana Majola) SCHNEIDER, Sidnei. “PORTA”. In: QUICHILIGANGUES, Poemas , Porto Alegre, Dahmer, 2008. p.27. ...

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Poema em primeira mão – Carmen Silvia Presotto

MarÍntimo para os bardos Entre duchas, porta aberta, teu cheiro o mar, na janela em acordes sua a memória, tomo assento … teu corpo um riso, um gozo brisa ao dia, amor recapitulado… Carmen Silvia Presotto – Vidráguas! A Arte é de Alex Alemany!

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Lendo Eucanaã Ferraz, amo esparramar quem leio…

Correspondência Completa A pele nem sempre semelha a água que rápida refaz sua costura quando passam o barco o nadador o vento repara como o instante agarra em nós sua gelatina e como nos agarramos às pedras enganados em torno delas areia esperma; o céu — se nos visse — era todo espanto: a rapidez com que passamos o corpo que erramos e que tantas vezes só se recompõe lentamente: há sempre o risco de nos afogarmos e — risco maior — não acreditarmos nisso. FERRAZ, Eucanaã. “Correspondência Completa”. In: Sentimental, Poemas 1. Ed. Companhia das Letras, São Paulo, 2012, p.67 Leiam mais poemas em seu site: http://www.eucanaaferraz.com.br/ ...

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Lendo Adriano Nunes, amo esparramar quem leio…

Dez para dez para Antonio Cicero Dez para dez. Talvez, Baco apareça aqui, No bar. Sem timidez, Prove do vinho. A qui- Mera mágica é ver- Ter tudo em bel prazer, Em vertigem, em ver- So pra satisfazer O corpo antes de ser Lançado à dor, ao pó Das horas, desse nó. O que mesmo vai ser? E de nada se ser- Ve. O tempo passa só. NUNES Adriano. “Dez para dez”In: Laringes de Grafite. Prefácio de Antonio Cicero. Orelha/ escuta poética de Lêdo Ivo. Org. Edição Vidráguas, 2012. p.13 ...

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Um momento, poema de Carmen Silvia Presotto a Herbert Viana e bardos…

Um momento para Herbert Viana e bardos Teu beijo faz cócegas em minha memória faísca que adentra, reinventa, me melhora os poros se abrem, os dias acontecem teu cheiro não evapora, põe em apuros é cola é tempo é música é verso teu cheiro, um momento de eterno invento, rumo rima, riso… gozo, teu beijo quer saber? - um mundo, em mim o melhor esconderijo… Carmen Silvia Presotto, Vidráguas, revitalizando um poema, um beijo… ...

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Lendo Wislawa Szymborska, amo esparramar quem leio…

Muito divertido Anseios de felicidade anseios de verdade anseios de eternidade, olhem só, Mal distinguiu o sono do despertar, mal deduziu que ele é ele, mal trabalhou em mão a antiga barbatana pederneira e foguete, fácil de se afogar numa colher de oceano, tão pouco divertido que nem diverte o vazio, só vê com os olhos, só vê com os ouvidos, o recorde de sua fala é o modo condicional, com a razão incrimina a razão, em uma palavra: quase ninguém, mas a cabeça cheia de liberdade, onisciência e o ser acima da carne insensata olhem só! Pois afinal parece existir, aconteceu de verdade sob uma das estrelas provincianas. Vivaz e bem ativo lá do seu jeito. Para um a reles degeneração do cristal – mui seriamente perplexo Para uma infância...

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Lendo Seamus Heaney, amo esparramar quem leio…

Canção Sorveira qual moça de batom. Entre o atalho e a estrada principal Alnos a distância molhada e gotejante Alheiam-se em meio aos juncos. Há as flores de lama do dialeto E as perpétuas de perfeito diapasão E este instante em que o pássaro canta bem perto Da música do que acontece Song A rowan like a lipsticked girl. Between the by-road and the main road Alder trees at a wet and dripping distance Stand off among the rushes. There are the mud-flowers of dialect And the immortelles of perfect pitch And that moment when the bird sings very close To the music of what happens. SEAMUS,Heaney. (1966 – 1987 ). POEMAS. Tradução, Intodução e Notas de José Antonio Arantes. Companhia das Letras. 1998. p.180 Saibam mais do autor e de sua poesia...

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