“Só uma guerra é permitida à espécie humana:
a guerra contra a extinção.”
Isaac Asimov
A lágrima de uma primavera que sangra
tinge a casa velha de dor e vingança.
O céu-pólvora-cinza traduz o vazio no peito de mães orfãs.
( mães cedidas as valetas de uma Cidade do Sol)
No palanque o erro dos covardes é legitimado.
Ocidente e Oriente são enlaçados pela mesma doutrina do papel vil.
Furei as mãos para lembrar o suplício de um messias esquecido.
(não é o seu messias, é o messias esquecido)
Fui ao funeral de Meena e jurei não esquecer as suas crianças.
As estações passaram – esqueci – Perdão!
O meu continente jogou desmemórias em mim – e agora sou pura amnésia.
(?)
Viver um dia de cada vez não é apagar os outros dias.
A beleza do vermelho só existe na pele dos meus índios
e sem minha identificação transformo-me em um ingrediente massivo.
(que nem é cá ou lá)
Peco na postura, não sigo a fila pra degustação.
No meu ventre há células que armazenam um futuro.
(nano, tecno, lógico)
Aguardo o dia em que não será dia,
aguardo a água que não será mais água
e o verde que não será mais verde.
Só nessa hora poderei libertar
o feto que teimo em resguardar
para o verdadeiro mundo de cinzas.
(Vá, minha pequena cria, brincar no mundo que contigo gerei!)
*Lisa Alves com sua prosa poética nos envolve, contagia e desperta. Amo estar em suas linhas, recomendo!!
Confiram mais poemas e escritos em seu blogue: A Fábula de um Mundo Real
Este é o segundo poema de uma nova série de poemas, um mar a caminho de um novo livro…”amares…ah…(a)mares). Bom dia a todos que aqui chegarem, e ainda estamos com o site se reestruturando e seguimos, sigamos!!
Tenho um estranho gosto (duvidoso, eu sei)
De partir as palavras, e
De seus velhos sentidos me despedir
Para me desmembrar
Arrancar o vestido
A flor do cabelo
Os botões que me ligam e desligam
Do tronco e do tempo
Ora eu, ora ninguém
O nada cheio de micróbios entre mim e Eu’s
O plasma de egos que assusta e comove
Ás vezes, irrita Olhos sobre tela
Hóstias consagradas que as horas expelem…
Mas, no fundo, é só desejo mesmo de magma
Retesado nas estátuas de cinza (e, sal)
Em Pompeia, ou
No melhor pompoir…
A imagem é de Helmut Newton!
e
O vídeo que acompanha a postagem é um Concerto do Pink Floyd em Pompeia – a cidade italiana soterrada pelo Vesúvio e, depois, encontrada por arqueólogos.
Coelhinho pimpolho
Querido fofinho
A páscoa não tem graça
Sem o teu charmoso jeitinho.
Tuas graciosas formas
Me entristece um pouquinho,
E a brevidade das festas
Dissolvemos em teu ninho.
*Américo Conte é poeta e Artista Plástico e obrigada Américo e Mauro pelo envio deste poema e por nos recordarem da criança que temos em nós, um eterno renascimento sempre…
Feliz Páscoa a todos que aqui chegarem e bom domingo!!
Hey e seguimos com nossas leituras que vão dar em poemas enRedados, um tempo em muitas mãos, e nesta edição que levará ao nosso webLivro 4 estamos lendo e homenageando a Poesia Portuguesa, o próximo poeta será Cesário Verde, boa semana e seguimos!!
Poesia
Se todo o ser ao vento abandonamos
E sem medo nem dó nos destruímos,
Se morremos em tudo o que sentimos
E podemos cantar, é porque estamos
Nus em sangue, embalando a própria dor
Em frente às madrugadas do amor.
Quando a manhã brilhar refloriremos
E a alma possuirá esse esplendor
Prometido nas formas que perdemos.
Aqui, deposta enfim a minha imagem,
Tudo o que é jogo e tudo o que é passagem.
No interior das coisas canto nua.
Aqui livre sou eu — eco da lua
E dos jardins, os gestos recebidos
E o tumulto dos gestos pressentidos
Aqui sou eu em tudo quanto amei.
Não pelo meu ser que só atravessei,
Não pelo meu rumor que só perdi,
Não pelos incertos atos que vivi,
Mas por tudo de quanto ressoei
E em cujo amor de amor me eternizei.