<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Vidráguas &#187; Affonso Romano de Sant’Anna</title>
	<atom:link href="http://vidraguas.com.br/wordpress/tag/affonso-romano-de-sant%e2%80%99anna/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://vidraguas.com.br/wordpress</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Wed, 28 Jul 2010 22:12:59 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>lapidar uma mulher, apedrejamentos&#8230;</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/07/22/lapidar-uma-mulher-apedrejamentos/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/07/22/lapidar-uma-mulher-apedrejamentos/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 03:34:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[Affonso Romano de Sant’Anna]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Tranças Poética Vidráguas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=6386</guid>
		<description><![CDATA[LAPIDAR UMA MULHER



Há quem tente lapidar
uma mulher
como se lapida
jóia rara
e pedra bruta.

Com escalpelo
cinzel
buril
inscrevem nela uma figura, depois
a expõem nos salões
revistas e altares
apregoando quantos  camelos
                    quantos colares
vale o dote
-da criatura.

Na Nigéria também
lapida-se mulher
mas de forma
inda mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>LAPIDAR UMA MULHER<br />
<br />
<a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/apedrejamento.jpg"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/apedrejamento.jpg" alt="apedrejamento" title="apedrejamento" width="448" height="325" class="alignnone size-full wp-image-6387" /></a><br />
<br />
Há quem tente lapidar<br />
uma mulher<br />
como se lapida<br />
jóia rara<br />
e pedra bruta.<br />
<br />
Com escalpelo<br />
cinzel<br />
buril<br />
inscrevem nela uma figura, depois<br />
a expõem nos salões<br />
revistas e altares<br />
apregoando quantos  camelos<br />
                    quantos colares<br />
vale o dote<br />
-da criatura.<br />
<br />
Na Nigéria também<br />
lapida-se mulher<br />
mas de forma<br />
inda mais dura.<br />
<br />
Não bastassem<br />
os muros em que  viva<br />
vive emparedada<br />
é sob pedras<br />
que a mulher viva<br />
é pétrea e friamente<br />
sepultada<br />
quando não se conforma<br />
com a forma<br />
como desde sempre<br />
é deformada.<br />
<br />
Assim a mulher<br />
que se nega a ser<br />
por eles esculpida<br />
deve morrer como viveu:<br />
-petrificada.<br />
<br />
Atiram-lhe<br />
tantas pedras<br />
até que não se veja<br />
a forma e o sangue<br />
da apedrejada,<br />
até que a mulher-alvo<br />
alvejada<br />
desapareça numa maré de pedras<br />
coaguladas.<br />
<br />
Desta feita os escultores<br />
foram mais perfeccionistas<br />
deixaram a mãe<br />
amamantar o filho<br />
antes que o leite no seio<br />
se petrificasse.<br />
<br />
Assim o filho  na fonte beberia<br />
o pétreo ensinamento<br />
antes<br />
que a fonte secasse.<br />
<br />
Ao amante não lapidaram.<br />
<br />
Ali o homem já nasce feito<br />
é obra de arte que dispensa<br />
qualquer lapidação.<br />
A mulher, sim, carece<br />
de acabamento<br />
posto que imperfeita figura<br />
na ordem da criação.<br />
<br />
Poema de Affonso Romano Sant&#8217;anna<br />
<br />
<a href="http://www.affonsoromano.com.br/blog/">http://www.affonsoromano.com.br/blog/</a><br />
<br />
Psiu, diz o Poeta ARS:&#8221; Isto que está sendo noticiado :  mais uma mulher no Irã ameaçada de ser morta por apedrejamento- remete para o poema LAPIDAR UMA MULHER, publicado no livro &#8220;Vestigios&#8221; (Ed.Rocco). Só que no poema  eu me referia  a um fato ocorrido na Nigéria. A tragédia, portanto, atinge vários países. E não podemos fingir que não temos nada com isto.&#8221;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/07/22/lapidar-uma-mulher-apedrejamentos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>pensando arte com linguagem&#8230;</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/07/14/pensando-arte-com-linguagem/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/07/14/pensando-arte-com-linguagem/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 17:12:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Receitas Vidráguas]]></category>
		<category><![CDATA[conversando sobre literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Affonso Romano de Sant’Anna]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto de Campos]]></category>
		<category><![CDATA[Pietro M. Bardi]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[tânia du bois]]></category>
		<category><![CDATA[Waldemar Cordeiro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=6291</guid>
		<description><![CDATA[ARTE E LINGUAGEM
por Tânia Du Bois



Com certeza existe algum mistério entre os artistas e os poetas.
Eles conseguem uma harmonia brilhante. É o caso dos concretistas Augusto de Campos, na poesia, e Waldemar Cordeiro, em artes plásticas.

Cordeiro foi líder e teórico do concretismo nas artes plásticas no
Brasil. Sua amostra “Uma aventura da razão”, moldada pelo rigor [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>ARTE E LINGUAGEM<br />
por Tânia Du Bois<br />
<br />
<a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/cordeiro2.jpg"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/cordeiro2.jpg" alt="cordeiro2" title="cordeiro2" width="236" height="239" class="alignnone size-full wp-image-6292" /></a><br />
<br />
Com certeza existe algum mistério entre os artistas e os poetas.<br />
Eles conseguem uma harmonia brilhante. É o caso dos concretistas Augusto de Campos, na poesia, e Waldemar Cordeiro, em artes plásticas.<br />
<br />
Cordeiro foi líder e teórico do concretismo nas artes plásticas no<br />
Brasil. Sua amostra “Uma aventura da razão”, moldada pelo rigor construtivo, demonstra esse período.<br />
<br />
Do concretismo, o artista manteve o gosto pelas cores, o apuro<br />
pelas formas geométricas, o uso de sucata “Pop-cretos” e palavras impressas em cartazes, buscando os fundamentos e a linguagem da arte e o debate em torno do concretismo.<br />
<br />
Leiam todo o artigo<br />
<span id="more-6291"></span><br />
<br />
Segundo a arquiteta Rosa Kliassi: “Cordeiro foi quem iniciou o<br />
paisagismo em São Paulo, fazendo jardins concretistas na década de 50&#8243;.<br />
<br />
Seu amigo, Augusto de Campos, escreveu que “Cordeiro sempre se<br />
preocupou em fazer com que suas especulações artísticas se vinculassem a projetos do interesse coletivo&#8221;.<br />
<br />
É importante lembrar que Augusto de Campos é poeta concretista, e<br />
também trabalhou em projetos de criações artísticas e poéticos, como: poemas<br />
– objetos e poemas posters, resultando em exposições.<br />
<br />
Augusto de Campos vai além do limite do texto, com a finalidade de<br />
alcançar a luminosidade, de fugir ao marasmo e expulsar o tédio do dia a dia. O poeta em certa época, declarou-se pela abolição da palavra, a favor da concretude do poema, como nos mostra:<br />
<br />
*                             V V V V V V V V V V<br />
Pos-tudo *</p>
<p>*                             V V V V V V V V V E<br />
     *</p>
<p>*                             V V V V V V V V E L<br />
                QUIS               *</p>
<p>*                             V V V V V V V E L O<br />
MUDAR<br />
TUDO*</p>
<p>*                             V V V V V V E L O C           e<br />
MUDEI<br />
TUDO  *</p>
<p>*                             V V V V V E L O C I<br />
AGORAAPÓSTUDO*</p>
<p>*                             V V V V E L O C I D<br />
EXTUDO*</p>
<p>*                             V V V E L O C I D A*</p>
<p>*                             V V E L O C I D A D                      MUDO.<br />
*</p>
<p>*                             V E L O C I D A D E   *<br />
<br />
Affonso Romano De Sant’anna, disse: *“&#8230;(a poesia concretista)<br />
emparedou toda uma geração, a partir de 1956.”*<br />
<br />
A concretude faz com que a palavra valha não pela imagem<br />
literária, mas sim pela sua concretude. E, as combinações de Augusto de Campos X Waldemar Cordeiro, são harmoniosas e passam a pertencer à linguagem da arte que, paradoxalmente, fazem parte do mais importante dos movimentos, o concretismo da poesia e das artes plásticas brasileiras.  Nas palavras de Pietro M. Bardi, *“um pintor de talento é sempre um escritor”*.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/07/14/pensando-arte-com-linguagem/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>no domingo, um bom enverdecer de ARS&#8230;</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/05/02/no-domingo-um-bom-enverdecer-de-ars/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/05/02/no-domingo-um-bom-enverdecer-de-ars/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 02 May 2010 16:44:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Receitas de Poetas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[Affonso Romano de Sant’Anna]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Tranças Poéticas Vidráguas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=5524</guid>
		<description><![CDATA[Velhice Erótica



Estou vivendo a glória de meu sexo
a dois passo do crepúsculo.

Deus não se escandaliza com isto.

O júbilo maduro da carne
me enternece.
Envelheço, sim. E
(ocultamente)
resplandeço.

Affonso Romano de Sant&#8217;Anna,p. 235, Poesia Reunida 1965-1999, Volume 2, POCKET L&#038;PM. 
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Velhice Erótica<br />
<br />
<img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/erotica.jpg" alt="71283-08" title="71283-08" width="300" height="233" class="alignnone size-full wp-image-5523" /><br />
<br />
Estou vivendo a glória de meu sexo<br />
a dois passo do crepúsculo.<br />
<br />
Deus não se escandaliza com isto.<br />
<br />
O júbilo maduro da carne<br />
me enternece.<br />
Envelheço, sim. E<br />
(ocultamente)<br />
resplandeço.<br />
<br />
Affonso Romano de Sant&#8217;Anna,p. 235, <em>Poesia Reunida 1965-1999</em>, Volume 2, POCKET L&#038;PM. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/05/02/no-domingo-um-bom-enverdecer-de-ars/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>ARS na maratona cultural de Porto Alegre, aniversário da Cidade</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/03/20/ars-na-maratona-cultural-de-porto-alegre-aniversario-da-cidade/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/03/20/ars-na-maratona-cultural-de-porto-alegre-aniversario-da-cidade/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 20 Mar 2010 05:46:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Foto do Dia]]></category>
		<category><![CDATA[Notí­cias]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[Affonso Romano de Sant’Anna]]></category>
		<category><![CDATA[aniversário]]></category>
		<category><![CDATA[Maratona Cultural de Porto Alegre]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Ricardo Hegenbart]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=5048</guid>
		<description><![CDATA[SIGNIFICADOS

Comprava dicionários para compreender-me
como se colhesse os fios de uma rede.
Entre as palavras, no entanto,
a vida vazava como invisível água
enquanto me aumentava a sede.



Poema: Affonso Romano de Sant&#8217;Anna
Fotografia: Ricardo Hegenbart

E é com esta sede infinita, que Affonso Romano de Sant&#8217;Anna conVersa, hoje, às 11 h, no Teatro Renascença sobre O Enigma da Cultura Contemporânea, dando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>SIGNIFICADOS<br />
<br />
Comprava dicionários para compreender-me<br />
como se colhesse os fios de uma rede.<br />
Entre as palavras, no entanto,<br />
a vida vazava como invisível água<br />
enquanto me aumentava a sede.<br />
<br />
<img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/porto-alegre-fonte2.jpg" alt="porto-alegre-fonte" title="porto-alegre-fonte" width="420" height="336" class="alignnone size-full wp-image-5051" /><br />
<br />
Poema: Affonso Romano de Sant&#8217;Anna<br />
Fotografia: Ricardo Hegenbart<br />
<br />
E é com esta sede infinita, que Affonso Romano de Sant&#8217;Anna conVersa, hoje, às 11 h, no Teatro Renascença sobre <em>O Enigma da Cultura Contemporânea</em>, dando início ao projeto 24 HORAS DE CULTURA da Prefeitura de Porto Alegre, em comemoração aos 238 anos da Cidade. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/03/20/ars-na-maratona-cultural-de-porto-alegre-aniversario-da-cidade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>leiam, leiam, relançamento de Que País é Este?</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/03/09/leiam-leiam-relancamento-de-que-pais-e-este/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/03/09/leiam-leiam-relancamento-de-que-pais-e-este/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 15:00:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Lançamentos]]></category>
		<category><![CDATA[Affonso Romano de Sant’Anna]]></category>
		<category><![CDATA[Leitura]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=4929</guid>
		<description><![CDATA[

saibam mais no site do autor:
http://www.affonsoromano.com.br/blog/
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/Flyer-stop21-723x1024.jpg" alt="Flyer stop(2)" title="Flyer stop(2)" width="723" height="1024" class="alignnone size-large wp-image-4928" /><br />
<br />
saibam mais no site do autor:<br />
http://www.affonsoromano.com.br/blog/</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/03/09/leiam-leiam-relancamento-de-que-pais-e-este/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>pensando a poesia com Affonso Romano de Sant&#8217;Anna</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/02/22/pensando-a-poesia-com-affonso-romano-de-santanna/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/02/22/pensando-a-poesia-com-affonso-romano-de-santanna/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 03:37:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Receitas de Poetas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[conversando sobre literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Affonso Romano de Sant’Anna]]></category>
		<category><![CDATA[pensando com]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=4775</guid>
		<description><![CDATA[

E os poetas escrevem. Como eu, os poetas escrevem.
Torrentes, catadupas de versos
e sinais
     sem saber ao certo, onde, como, quem e quando
os poetas escrevem
e entulham as antologias com sua Flor de Romances finados
caindo na vala comum do Cancioneiro Geral
             [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/4625029.jpg" alt="4625029" title="4625029" width="448" height="308" class="alignnone size-full wp-image-4777" /><br />
<br />
E os poetas escrevem. Como eu, os poetas escrevem.<br />
Torrentes, catadupas de versos<br />
e sinais<br />
     sem saber ao certo, onde, como, quem e quando<br />
os poetas escrevem<br />
e entulham as antologias com sua <em>Flor de Romances</em> finados<br />
caindo na vala comum do <em>Cancioneiro Geral</em><br />
                                                           ou nem isso<br />
como índio cantando<br />
                         a derrocada de sua tribo e sua carne<br />
<br<br />
<em>es asediada, es aborrecida la ciudad de Huexotzinco<br />
con armas fué cercada, com dardos fué punzada                     Huexotzinco </em><br />
<br />
E assim despejam sobre a história o seu sentido<br />
                                               querendo nela reter-se<br />
E os versos cruzam  avenidas e paixões<br />
se inscrevem no telex, banheiro e galpões<br />
retomam com o amor do exílio e caem na marmita operária<br />
e soturnos   se mexem<br />
                    e se agitam nos forros das consciências<br />
como gambás noturnos<br />
                                    &#8211; pela morada do ser.<br />
<br />
Houve um tempo<br />
                        em que era fácil fazer poesia:<br />
                        bastava eleger a forma<br />
                                                           e preenchê-la<br />
                         com mais ou menos habilidades.<br />
<br />
                         Tudo codificado<br />
                             e empacotado<br />
                          na acadêmica memória<br />
                          na audácia vanguardista<br />
                          nos manifestos-receitas<br />
                          num mutirão de escola<br />
e assim<br />
o poeta inventa a bossa<br />
                          a forma<br />
                           a glosa<br />
                                        moderna e airosa<br />
causando inveja aos demais<br />
<br />
Mas ninguém escreve por outro<br />
Cada cabeça uma leitura<br />
cada escrita um estória<br />
cada invenção na sua hora.<br />
<br />
          &#8211; Então poesia é isso?<br />
                                  &#8211; Não tem espaço?<br />
e nela o ontem é o hoje e o amanhã já era?<br />
<br />
- Então poesia é o não-tempo do verbo?<br />
  o futuro do pretérito?<br />
                                  &#8211; e o incondicional presente?<br />
<br />
- Então é isso a escrita do homem?<br />
<br />
                                        Um intervalo entre dois sons?<br />
                                           duas intercomidas fomes?<br />
                                           duas intercaladas falas?<br />
                                           um orgasmo perseguido<br />
                                           entre duas deitadas sombras?<br />
<br />
<img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/267196.jpg" alt="267196" title="267196" width="336" height="336" class="alignnone size-full wp-image-4776" /><br />
<br />
leiam toda a poesia reflexão<br />
<span id="more-4775"></span><br />
<br />
- E o tempo? o que fazer dele?<br />
                                        &#8211; É o tanque onde se tinge o nada?<br />
                                         ou o linho onde se pinta a nódoa?<br />
                                        &#8211; Tece-se o poema aos poucos<br />
                                           sempre na linha d’água?<br />
                                        &#8211; Pode o tempo ser bordado<br />
                                           de onde desborda tudo?<br />
<br />
                      &#8211; Ou o poema, como o tempo, é o tecido<br />
                         que cerzido<br />
                                      &#8211; passa a ser nosso vestido?<br />
<br />
- Inscreve-se a poesia no tempo ou fora dele?<br />
- É o nada ausente ou o eterno agora?<br />
- Existe a escritura-emblema<br />
                                        mostrando a Beatriz de Dante?<br />
                                        levando as  águias de Roma?<br />
                                        e o peixe de Cristo aos montes?<br />
<br />
Não há fixa escritura.<br />
<br />
                           O que há<br />
é a fome de leitura<br />
uma avidez<br />
                  de pouso<br />
                   e acerto<br />
                           40 anos de sede<br />
                            e o interminável deserto<br />
<br />
o que há<br />
                 é um leitor que rebusca<br />
                 no monumento do que vê<br />
                 um autor que o reescreva<br />
                 e de sentido ao que lê.<br />
<br />
- Não há poemas no tempo<br />
               o que há são cirros sonâmbulos<br />
                                      acúmulos de enigmas<br />
                carneiros muitos, prévias chuvas de espanto<br />
                e uma escrita que se agita e se contempla<br />
<br />
               que se pensa ser no tempo<br />
               adorando o próprio umbigo<br />
               narciso-escriba no templo.<br />
<br />
- Não há poema no tempo. Há ruídos<br />
grafias esquecidas, disfarces cuneiformes<br />
arabescos em coluna de pedra<br />
                                                     &#8211; como gaivotas no m/ar.<br />
<br />
Ademais<br />
             não sei quem foi mais de seu tempo:<br />
             se Alexandre ou o escravo seu?<br />
             se a Inquisição ou Galileu?<br />
             se o meu pai ou um filho meu?<br />
Sei que, ateu<br />
             estou na praça<br />
             esperando a voz de Deus. Um Jonas<br />
             perdido em Nínive<br />
<br /> <br />
                           Abraão a sós no monte<br />
                           um Moisés – “ Quem sou eu?”<br />
<br />
                       Isaías sem querubim<br />
 <br /> <br />
                      profeta menor &#8211; “ Eis-me aqui”<br />
                      evitando se ofertar<br />
                      com aquele<br />
                                            &#8211; “me envie a mim”.<br />
<br />
Eram eles<br />
        homens justos?<br />
        ou eram todos sandeus?<br />
        vou ter que subir o monte<br />
        pra queimar poemas meus?<br />
<br />
Agora que o texto já foi o perverso nada e o inverso tudo<br />
- como ler a poesia<br />
                            que se anuncia<br />
                                              como a poesia de agora?<br />
- como ler a poesia<br />
                            que se esconde<br />
                                              na prosa que nos aflora?<br />
<br />
Não há profetas na praça.<br />
<br />
                        O que há são multidões<br />
                         lançando no ar seu pasmo<br />
                         e alguém que, de repente,<br />
                         sonha ouvir um verso seu.<br />
<br />
Pegar no ar a bola<br />
                         imaginária<br />
                                     sem tocá-la<br />
                                                    e atirá-la<br />
<br />
indo mais longe<br />
( na com a mão)<br />
                      &#8211; só com olhá-la<br />
<br /> <br />
                       como quem sabe da inutilidade do esforço<br />
                        e mesmo assim se mostra em campo<br />
                                                                                 -atleta<br />
como quem levanta o peso<br />
não com a força que o ginasta ousa<br />
mas com a graça bailarina<br />
com que,<br />
                   no chão<br />
                      &#8211; a garça pousa.<br />
<br />
Ou como aquele arqueiro<br />
                           que mede a tensão e o vento<br />
e a sua seta dispara e implanta<br />
                                       no centro e no alvo branco<br />
                                        &#8211; onde tudo começa sempre<br />
                                           e tudo vermina breve.<br />
<br />
Affonso Romano de Sant’Anna, p.p.208, 209,210,211,212, <em>Poesia Reunida 1965-1999</em>, Volume 1, L&#038;PM POCKET<br />
<br />
Imagem:http://zerohora.clicrbs.com.br/rbs/image/4625029.jpg</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/02/22/pensando-a-poesia-com-affonso-romano-de-santanna/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>onde está o Haiti?!</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/01/14/onde-esta-o-haiti/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/01/14/onde-esta-o-haiti/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 14 Jan 2010 17:31:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Receitas de Poetas]]></category>
		<category><![CDATA[Affonso Romano de Sant’Anna]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=4532</guid>
		<description><![CDATA[NÃO É TÃO LONGE O HAITI
por Affonso Romano de Sant&#8217;Anna



Essa rebelião no Haiti, a derrubada de Aristides, o país patrulhado por marines americanos, os rebeldes desfilando com metralhadoras em jipes, gente saqueando e celebrando  essa rebelião, esse golpe e essa baderna, coincidiram com a leitura que fazia de um livro onde o Haiti é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>NÃO É TÃO LONGE O HAITI<br />
por Affonso Romano de Sant&#8217;Anna<br />
<br />
<img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/images84.jpeg" alt="images(84)" title="images(84)" width="129" height="82" class="alignnone size-full wp-image-4534" /><br />
<br />
Essa rebelião no Haiti, a derrubada de Aristides, o país patrulhado por marines americanos, os rebeldes desfilando com metralhadoras em jipes, gente saqueando e celebrando  essa rebelião, esse golpe e essa baderna, coincidiram com a leitura que fazia de um livro onde o Haiti é muito citado: <em>História ilustrada da escravidão</em>, de Milton  Meltzer(Ediouro).<br />
<br />
<img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/227782.jpg" alt="227782" title="227782" width="180" height="180" class="alignnone size-full wp-image-4536" /><br />
<br />
É um livro leve, o quanto terrivelmente leve pode ser um livro sobre a escravidão, que começa lembrando que para alguns historiadores  a escravidão é um passo a frente  no desenvolvimento da civilização, pois houve um tempo de barbárie ainda mais atroz, em que, nas guerras, os prisioneiros eram simplesmente mortos, porque não havia alimentos de caça para todos, enquanto em outro período, já com a agricultura se desenvolvendo, descobriu-se que os vencidos podiam ser utilizados como escravos para ajudar no sustento das tribos e propiciar o ócio aos vencedores.<br />
<br />
Leia toda a crônica colada aqui ou no blog do autor:http://www.affonsoromano.com.br/blog/<br />
<span id="more-4532"></span><br />
<br />
 E assim a história vem, econômica e desumanamente, sendo formulada desde as civilizações entre o Trigre e o Eufrates, passando pela sofisticada Grécia, até o Haiti, lá em cima e o Brasil, cá embaixo, onde o trabalho forçado, em fazendas na Amazônia ou em Minas, ainda é um vergonhoso tópico presente nos jornais e nos relatórios da ONU.<br />
<br />
Ia vendo na televisão as cenas de guerrilha e caos urbano  no  Haiti e ia lendo a história patética daquele país que  teve a maior concentração de negros no Novo Mundo. E  ali aprendo que:   proporcionalmente às suas dimensões, nenhum país do mundo produzia tanta riqueza quanto o Haiti. No século XVIII,  aquele mínimo país  chegou a ter 600 fazendas de açúcar. E muito do doce fausto barroco que Luiz XIV ostentou em sua corte no século XVII, foi extraído, filtrado do amargo açúcar dos canaviais do Haiti, e do café, do índigo,do tabaco, do algodão e do cacau cultivados nos seus vales e altiplanos. Cidades como Nantes, Bourdeaux e Marseille deviam muito de seu esplendor à desgraça e espoliação nas América crioula A própria Revolução Francesa, que alardeava igualdade, fraternidade e liberdade, não  conseguiu que os escravos das colônias tivessem melhor sorte. Por isto, uma das mais abomináveis figuras da história ocidental- conhecida como Napoleão, ferrenhamente aguilhoando a pequena colônia,  mandou para lá o general Leclerc com 20 mil soldados- eram os marines daquele   tempo-  para, como hoje, proteger a liberdade e restaurar o país.<br />
<br />
Napoleão teve que enfrentar  aquele que é conhecido como o  <em>Espártacus  do Haiti</em>- o líder negro Toussaint Louverture, muito pequeno, feio e deformado com olhos que pareciam feitos de aço e que estava, a ferro e fogo, reinventando o seu país. O seu nome &#8220;Louverture&#8221;, veio de &#8221; a abertura&#8221;, ou seja, &#8220;a abertura&#8221; que sempre conseguia fazer nas linhas inimigas, sistematicamente derrotadas. Não  conseguindo destruí-lo no campo de batalha, Napoleão usou de outras artimanhas, traindo-o e levando-o para uma masmorra na França onde o líder morreu em 1803.<br />
<br />
No Brasil, louva-se Zumbi dos Palmares, que sucumbiu no seu quilombo, celebra-se Chico Rei e outros reis-escravos. Pois no Haiti houve uma sucessão de rebeldes, reis e imperadores negros como Henri Christophe, ex-escravo que se nomeou presidente perpétuo com direito de indicar o sucessor, e que, governando partir de 1807,   foi derrubado  em 1820 por uma das tantas insurreições militares.<br />
<br />
<em>A tragédia do rei Christophe</em> é um dos textos mais importantes da história moderna da negritude. Foi escrita por um martinicano, Aimé Cesaire e é periodicamente encenada em várias partes do mundo, como agora em Montreal. Não me lembro se ou quando  foi levada no Brasil. A crítica sempre se refere à saga daquele rei negro, que, antes de assumir o poder, foi general de Toussaint Louverture, como um drama entre Henrique III e Rei Lear. E Aimé Cesaire diz que escolheu esse herói do Haiti, porque esse foi o país no Novo Mundo onde  a questão da negritude primeiro apareceu, em 1801, mais  de cem anos antes que  surgisse no Gongo, Guiné e Mali e outros países. Essa afirmativa precisaria ser melhor verificada, mas de toda forma a peça de Aimé Cesaire é fundamental para se rever não só a questão da opressão colonialista, mas  como os intelectuais negros, a partir da segunda metade do século XX começaram, pela arte e pela palavra, a problematizar a questão política,  social e cultural em nossos países.<br />
<br />
O intelectual haitiano de maior prestigio hoje em dia é René Depestre, que vive numa cidadezinha francesa com sua segunda mulher, uma cubana. Participou de revoluções em seu país, exilou-se aqui e ali, chegou a morar  no Brasil, organizou encontros políticos e culturais, por exemplo,  com Neruda e Jorge Amado, trabalhou na Unesco e em 1971 rompeu com Fidel Castro.<br />
<br />
<img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/4441_41.jpg" alt="4441_4" title="4441_4" width="303" height="448" class="alignnone size-full wp-image-4535" /><br />
<br />
Há uns quinze anos escrevi sobre um belo livro seu contendo contos eróticos e fantásticos, traduzidos  por Estela Abreu e editado pela José Olympio. Chama-se <em>Aleluia para uma mulher-jardim</em>. É uma boa idéia reachar e reler essa obra para reafirmar que a imaginação criadora do artista pode nos levar além dos limites da escravidão e dos golpes e contra-golpes da política.<br />
<br />
Se aquele Haiti original não se consegue resolver e continua a ser como certa vez o disse Depestre, um parêntesis em branco desde a sua criação, por outro lado, a obra que testemunha a dor física e metafísica da rebelião reverbera nos  texto que nos falam de uma solar eroticidade e de um   mágico e alucinado amor, como formas de,  no caos, implantar a vida e a esperança.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/01/14/onde-esta-o-haiti/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>VAI, ANO VELHO, VEM ANO ANO</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/01/02/vai-ano-velho-vem-ano-ano/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/01/02/vai-ano-velho-vem-ano-ano/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 02 Jan 2010 13:56:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[Affonso Romano de Sant’Anna]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=4448</guid>
		<description><![CDATA[VAI, ANO VELHO

              1

Vai, ano velho, vai de vez
vai com tuas dívidas
e dúvidas, vai, dobra a ex-
quina da sorte, e no trinta e um
à meia-noite, esgota o copo
e a culpa do que nem me lembro
e me cravou entre janeiro e dezembro.

Vai, leva [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>VAI, ANO VELHO<br />
<br />
              1<br />
<br />
Vai, ano velho, vai de vez<br />
vai com tuas dívidas<br />
e dúvidas, vai, dobra a ex-<br />
quina da sorte, e no trinta e um<br />
à meia-noite, esgota o copo<br />
e a culpa do que nem me lembro<br />
e me cravou entre janeiro e dezembro.<br />
<br />
Vai, leva tudo: destroços,<br />
ossos, fotos  de presidentes,<br />
beijos de atrizes, enchentes,<br />
secas, suspiros, jornais.<br />
Vade retrum , prá trás,<br />
leva pra escuridão<br />
quem  me assaltou o carro,,<br />
a casa e o coração.<br />
<br />
Não quero te ver mais,<br />
só daqui a anos, nos anais,<br />
nas fotos do nunca-mais.<br />
<br /> <br />
             2<br />
<br />
Vem Ano Novo, vem veloz<br />
vem em quadrigas, aladas, antigas<br />
ou jatos de luz, moderna,  vem,<br />
paira, desce, habita em nós,<br />
vem com cavalhadas, folias, reisados,<br />
fitas multicores, rebecas,<br />
vem com uva e mel e desperta<br />
em nosso corpo a alegria,<br />
escancara a alma, a poesia,<br />
e, por um instante, estanca<br />
o verso real, perverso<br />
e sacia em nós a fome<br />
-de utopia.<br />
<br />
Vem na areia da   ampulheta   como  a<br />
semente   que  contivesse  outra se-<br />
mente que contivesse ou-<br />
tra semente ou pérola<br />
na casca da ostra<br />
como se</p>
<p>                      se</p>
<p>                 outra se-</p>
<p>              mente pudesse</p>
<p>         nascer do corpo e mente</p>
<p>     ou do umbigo da gente como o ovo</p>
<p>    o Sol da gema no Ano Novo que rompesse</p>
<p>a placenta da   noite   em   viva   flor   luminescente.<br />
<br />
                   3<br />
<br />
Adeus, tristeza: a vida<br />
é uma caixa chinesa<br />
de onde brota a manhã.<br />
<br />
Agora<br />
é recomeçar.<br />
A utopia é urgente.<br />
<br />
Entre flores de urânio<br />
é permitido sonhar.<br />
<br />
Affonso de Romano Sant&#8217;Anna<br />
http://www.affonsoromano.com.br/</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/01/02/vai-ano-velho-vem-ano-ano/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>posteridade</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2009/12/02/posteridade/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2009/12/02/posteridade/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 02 Dec 2009 02:28:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Foto do Dia]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[Affonso Romano de Sant’Anna]]></category>
		<category><![CDATA[Ricardo Hegenbart]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=4224</guid>
		<description><![CDATA[

Ele vão nos achar ridículos, os pósteros.
Nos examinarão
com extrema curiosidade
e um tardio afeto.
Mas vão nos achar ridículos, os pósteros.

Olhado de lá
tudo aqui
será mais claro
para eles
que nos verão
inteiramente diversos
do que somos,
bem mais exóticos
do que somos.

- Como esses primitivos
ousam se chamar de modernos?
Farão simpósios, debaterão
e chegarão a bizarras conclusões.

Assim entraremos para a história deles
como outros para a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/DSC_3234.jpg" alt="DSC_3234" title="DSC_3234" width="450" height="301" class="alignnone size-full wp-image-4223" /><br />
<br />
Ele vão nos achar ridículos, os pósteros.<br />
Nos examinarão<br />
com extrema curiosidade<br />
e um tardio afeto.<br />
Mas vão nos achar ridículos, os pósteros.<br />
<br />
Olhado de lá<br />
tudo aqui<br />
será mais claro<br />
para eles<br />
que nos verão<br />
inteiramente diversos<br />
do que somos,<br />
bem mais exóticos<br />
do que somos.<br />
<br />
- Como esses primitivos<br />
ousam se chamar de modernos?<br />
Farão simpósios, debaterão<br />
e chegarão a bizarras conclusões.<br />
<br />
Assim entraremos para a história deles<br />
como outros para a nossa entraram:<br />
não como o que somos<br />
mas como reflexo de uma reflexão.<br />
<br />
Affonso Romano de Sant&#8217;Anna, p.18, <em>Intervalo Amoroso</em>, L&#038;PM POCKET<br />
<br />
Foto: Ricardo Hegenbart, Londres &#8211; 2009</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2009/12/02/posteridade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>instante de amor</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2009/06/06/instante-de-amor/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2009/06/06/instante-de-amor/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 06 Jun 2009 02:51:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Foto do Dia]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[Affonso Romano de Sant’Anna]]></category>
		<category><![CDATA[henri cartier-bresson]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=3150</guid>
		<description><![CDATA[
Me ame apenas
no preciso instante
em que me amas.

Nem antes
nem depois.
O corpo é forte.

Me ame apenas
no imenso instante
em que te amo.
O antes é nada
e depois é morte.

Affonso Romano de Sant&#8217;Anna, Intervalo Amoroso, pag.29, L&#038;PM POCKET
Fotografia:Henri Cartier-Bresson

mais poemas do autor:http://www.affonsoromano.com.br/ 
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/henri-cartier-bresson1.jpg" alt="henri-cartier-bresson1" title="henri-cartier-bresson1" width="400" height="267" class="alignnone size-full wp-image-3151" /><br />
Me ame apenas<br />
no preciso instante<br />
em que me amas.<br />
<br />
Nem antes<br />
nem depois.<br />
O corpo é forte.<br />
<br />
Me ame apenas<br />
no imenso instante<br />
em que te amo.<br />
O antes é nada<br />
e depois é morte.<br />
<br />
Affonso Romano de Sant&#8217;Anna, <em>Intervalo Amoroso</em>, pag.29, L&#038;PM POCKET<br />
Fotografia:Henri Cartier-Bresson<br />
<br />
mais poemas do autor:http://www.affonsoromano.com.br/ </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2009/06/06/instante-de-amor/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
