julho 19th, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | No Comments »
*Leiam os Retratos de Nova York aqui e em A casa que caminha:
http://acasaquecaminha.blogspot.com/

OS PASSOS
(Lisette Model. Times Square. 1940)
Nada se sabe dos passos em redor
ocupam espaços que defendem
os silêncios desta cidade.
julho 15th, 2010 in Cartografias Poéticas, Poemas, Versos que Conversam | No Comments »

(Tadeu)
POEMA DA CIDADE DISTANTE
de António Amaral Tavares
Há um rio que une toda a cidade como um verso friamente queimando a memória
e que une a cidade ao mar como um cordão umbilical de mistério latente
os gatos habituaram-se à luz pontiaguda dos espelhos
e à noite vigiam a morte do cimo dos telhados e das árvores.
É uma das muitas cidades que se descobrem rumo a norte
com janelas iluminadas de quartos devorando a noite por dentro
as ervas parecem gostar deste vento frio que as une mais à terra
abrindo à navalha planaltos no olhar
há dias em que o meu coração tem a forma de uma serpente
e quando é assim as mãos procuram buracos e noites fechadas à chave
vivo assim desde que o medo arrombou portas e janelas como um furacão.
Leia toda a cartografia poética
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julho 12th, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | 3 Comments »
*Série Retratos de Nova Iork, leiam aqui e em A casa que caminha:
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AS PONTES DE NOVA IORQUE
(Berenice Abbott. Pike and Henry Streets, Lower East Side. 1936)
O olhar encontra de uma vez só
uma porção ínfima da cidade que se escolheu
o rosto rígido dos edifícios sobre a rua
na continuidade da vista e da rua
uma ponte surge envolta na neblina do dia
em que se chegou
e como uma sombra branca
lembra a ideia vaga de uma partida
é um cavalo sem dono a partida
não se morre duas vezes na mesma cidade.
julho 9th, 2010 in Foto do Dia, Poemas, Receitas Vidráguas, Versos que Conversam | 1 Comment »
AVEIRO REVISITADA

Não sei se algum dia saberei polir esta pedra
polir uma pedra é vestir de branco as palavras
nestas ruas de água como se vive? quero dizer
como se apanha do chão
o silêncio em que se embrulha o tempo?
como cortar com arestas de luz os cabelos
por secarem na rocha triste em que se estendem?
quero dizer como se caminha entre duas luas
tão idênticas reflectidas na água que repetimos
as palavras assim que as vemos?
e como beber as vogais dos edifícios manter a cabeça
fora de água procurando a altura das chaminés?
pergunto como se vive nestas ruas de água
no gume de prata polida de um espelho? ou seja como se caminha
e atravessa a cidade e se morre ao atravessar uma rua
com o sentido da água a propagar-se nos pés?
Poema de António Amaral Tavares
Foto de Aveiro, colhida da internet.
Leia mais poemas no blog do autor:
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julho 5th, 2010 in Poemas, Versos que Conversam | No Comments »
*Série Retratos de Nova York, leiam aqui e em A casa que caminha:
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AS ESCADAS DE INCÊNDIO
(Autor não identificado. Escadas de incêndio em ferro. Data desconhecida)
Há algo de indiscreto nesta fotografia
no brando sentar da tarde
um esgar de medo se descobre
é a interrupção de um muro
assim tão intestinal e exposto
neste rosto irremediável da cidade
encontrou-se ao que parece
a sua dimensão interior
aquela que mais fala aos seus habitantes
o belo que guarda em si
acontece muito nesta cidade de todos
começou no rosto a palavra
mas não foi morrer aí.