﻿<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Vidráguas &#187; antonio cicero</title>
	<atom:link href="http://vidraguas.com.br/wordpress/tag/antonio-cicero/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://vidraguas.com.br/wordpress</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Wed, 08 Feb 2012 15:23:44 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<item>
		<title>hoje em Vidráguas, enredamos os versos com Antonio Cícero</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/09/04/hoje-em-vidraguas-enredamos-os-versos-com-antonio-cicero/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/09/04/hoje-em-vidraguas-enredamos-os-versos-com-antonio-cicero/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 04 Sep 2011 15:17:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[mo(r)mentos - poemas enRedados]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[antonio cicero]]></category>
		<category><![CDATA[carmen silvia presotto; carmen]]></category>
		<category><![CDATA[carmen vidráguas]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas enRedados]]></category>
		<category><![CDATA[poemas enredados vidráguas]]></category>
		<category><![CDATA[poesia brasileira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=11670</guid>
		<description><![CDATA[Para ler cliquem e ampliem a imagem, ou leia lá no blog de Luana Neres, autora de nossa arte. E seguimos com nosso enredo de ler, escrever, compartilhar&#8230; nosso segundo webLivro já tem mais de mil leituras, confiram. Bom domingo, boa semana e seguimos&#8230;]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/Antonio-Cicero1.jpg" rel="lightbox[11670]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/Antonio-Cicero1-212x300.jpg" alt="" title="Antonio Cicero" width="212" height="300" class="alignnone size-medium wp-image-11674" /></a><br />
<br />
Para ler cliquem e ampliem a imagem, ou leia lá no blog de <a href="http://luananeres.blogspot.com/">Luana Neres</a>, autora de nossa arte.<br />
<br />
E seguimos com nosso  enredo de ler, escrever, compartilhar&#8230; nosso segundo <a href="http://pt.calameo.com/books/000842529747eb24cfcfe">webLivro</a> já tem mais de mil leituras, confiram. Bom domingo, boa semana e seguimos&#8230;</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/09/04/hoje-em-vidraguas-enredamos-os-versos-com-antonio-cicero/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>pensando a Poesia com Antonio Cicero</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/08/14/pensando-a-poesia-com-antonio-cicero-2/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/08/14/pensando-a-poesia-com-antonio-cicero-2/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 14 Aug 2011 21:43:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[conversando sobre literatura]]></category>
		<category><![CDATA[mo(r)mentos - poemas enRedados]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[Videos]]></category>
		<category><![CDATA[antonio cicero]]></category>
		<category><![CDATA[carmen vidráguas]]></category>
		<category><![CDATA[pensando a poesia com]]></category>
		<category><![CDATA[poemas enredados vidráguas]]></category>
		<category><![CDATA[poesia brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Vidráguas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=11546</guid>
		<description><![CDATA[Guardar Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la. Em cofre não se guarda coisa alguma. Em cofre perde-se a coisa à vista. Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado. Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto é, velar por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><iframe width="425" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/ibu6gotf-bY" frameborder="0" allowfullscreen></iframe><br />
<br />
Guardar<br />
<br />
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.<br />
Em cofre não se guarda coisa alguma.<br />
Em cofre perde-se a coisa à vista.<br />
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por<br />
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.<br />
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por<br />
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,<br />
isto é, estar por ela ou ser por ela.<br />
Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro<br />
Do que um pássaro sem vôos.<br />
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,<br />
por isso se declara e declama um poema:<br />
Para guardá-lo:<br />
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:<br />
Guarde o que quer que guarda um poema:<br />
Por isso o lance do poema:<br />
Por guarda-se o que se quer guardar.<br />
<br />
Leia mais poemas aqui ou lá no blog <a href="http://antoniocicero.blogspot.com/">Acontecimentos</a><br />
<br />
<span id="more-11546"></span><br />
<br />
Noite<br />
<br />
Vêm lá do canal<br />
reverberações<br />
do ladrar de um cão.<br />
<br />
Uma dessas noites<br />
tudo vai embora:<br />
Leve-nos,<br />
ladrão.<br />
<br />
Abre-se o sinal<br />
pra ninguém passar.<br />
É melhor ser vão<br />
tudo o que pontua<br />
nossa escuridão.<br />
<br />
De: CICERO, Antonio. GUARDAR. Rio de Janeiro: Record, 1996 / Vila Nova do Famalicão: Quase, 2002.<br />
<br />
SAIR<br />
<br />
Largar o cobertor, a cama, o<br />
medo, o terço, o quarto, largar<br />
toda simbologia e religião; largar o<br />
espírito, largar a alma, abrir a<br />
porta principal e sair. Esta é<br />
a única vida e contém inimaginável<br />
beleza e dor. Já o sol,<br />
as cores da terra e o<br />
ar azul – o céu do dia –<br />
mergulharam até a próxima aurora; a<br />
noite está radiante e Deus não<br />
existe nem faz falta. Tudo é<br />
gratuito: as luzes cinéticas das avenidas,<br />
o vulto ao vento das palmeiras<br />
e a ânsia insaciável do jasmim;<br />
e, sobre todas as coisas, o<br />
eterno silêncio dos espaços infinitos que<br />
nada dizem, nada querem dizer e<br />
nada jamais precisaram ou precisarão esclarecer.<br />
<br />
De: CICERO, Antonio. A cidade e os livros. Rio de Janeiro: Record, 2002, p.77.<br />
<br />
O POETA CEGO<br />
<br />
Eis o poeta cego.<br />
Abandonou-o seu ego.<br />
Abandonou-o seu ser.<br />
Por nada ser ele verseja.<br />
<br />
Bem antes do amanhecer<br />
em seus versos talvez se veja<br />
diverso de tudo o que seja<br />
tudo que almeja ser.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/08/14/pensando-a-poesia-com-antonio-cicero-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>24 horas de cultura, imperdível!</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/03/17/24-horas-de-cultura-imperdivel/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/03/17/24-horas-de-cultura-imperdivel/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 17 Mar 2011 03:50:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Lançamentos]]></category>
		<category><![CDATA[24 horas de cultura]]></category>
		<category><![CDATA[antonio cicero]]></category>
		<category><![CDATA[Como ler poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Semana de Porto Alegre]]></category>
		<category><![CDATA[Vidráguas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=9222</guid>
		<description><![CDATA[Para ampliar clique na imagem.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/image0011.jpg" rel="lightbox[9222]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/image0011.jpg" alt="" title="image001" width="448" height="336" class="alignnone size-full wp-image-9223" /></a><br />
<br />
Para ampliar clique na imagem.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/03/17/24-horas-de-cultura-imperdivel/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>impressão IV, poema do blog Acontecimentos</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/02/26/impressao-iv-poema-do-blog-acontecimentos/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/02/26/impressao-iv-poema-do-blog-acontecimentos/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 26 Feb 2011 18:31:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Foto do Dia]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[antonio cicero]]></category>
		<category><![CDATA[e.e. cummings]]></category>
		<category><![CDATA[Edward Estlin Cummings]]></category>
		<category><![CDATA[foto do dia]]></category>
		<category><![CDATA[Guy Bourdin]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[poesia norte americana]]></category>
		<category><![CDATA[Vidráguas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=8995</guid>
		<description><![CDATA[Impressão IV as horas sobem apagando estrelas e é madrugada nas ruas do céu a luz anda espalhando poemas na terra uma vela é extinta a cidade acorda com uma canção em sua boca tendo a morte em seus olhos e é madrugada o mundo continua a assassinar os sonhos. . . . vejo na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/guy-bourdin-impressõesIV.jpg" rel="lightbox[8995]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/guy-bourdin-impressõesIV.jpg" alt="" title="guy-bourdin-impressõesIV" width="448" height="301" class="alignnone size-full wp-image-8996" /></a><br />
<br />
Impressão IV<br />
<br />
as horas sobem apagando estrelas e é<br />
madrugada<br />
nas ruas do céu a luz anda espalhando poemas<br />
<br />
na terra uma vela é<br />
extinta           a cidade<br />
acorda<br />
<br />
com uma canção em sua<br />
boca tendo a morte em seus olhos<br />
<br />
e é madrugada<br />
o mundo<br />
continua a assassinar os sonhos. . . .<br />
<br />
vejo na rua em que homens<br />
fortes cavam pão<br />
e eu<br />
<br />
vejo os rostos brutais das<br />
pessoas contentes horríveis perdidas cruéis<br />
                                        felizes<br />
<br />
e é dia,<br />
<br />
no espelho<br />
vejo um homem frágil<br />
sonhando<br />
sonhos<br />
sonhos no espelho<br />
<br />
e<br />
é crespúsculo           na terra<br />
<br />
uma vela se acende<br />
e é escuro.<br />
as pessoas estão em casa<br />
o homem frágil está na cama<br />
a cidade<br />
morre com a morte na boca tendo uma canção<br />
                                        nos olhos<br />
as horas descem,<br />
levando à cena estrelas. . . .<br />
<br />
na rua do céu a noite anda espalhando poemas<br />
<br />
e.e. cummings: &#8220;Impression IV&#8221; / &#8220;Impressão IV&#8221; -tradução de Antonio Cícero<br />
<br />
Fotografia:Guy Bourdin<br />
<br />
Leiam o poema original e outros poemas no blog de Antonio Cícero:<br />
<a href="http://antoniocicero.blogspot.com/">http://antoniocicero.blogspot.com/</a><br />
<br />
<span id="more-8995"></span><br />
<br />
Impression IV<br />
<br />
the hours rise up putting off stars and it is<br />
dawn<br />
into the street of the sky light walks<br />
                              scattering poems<br />
<br />
on earth a candle is<br />
extinguished           the city<br />
wakes<br />
with a song upon her<br />
mouth having death in her eyes<br />
<br />
and it is dawn<br />
the world<br />
goes forth to murder dreams. . . .<br />
<br />
i see in the street where strong<br />
men are digging bread<br />
and i<br />
<br />
see the brutal faces of<br />
people contented hideous hopeless cruel happy<br />
<br />
and it is day,<br />
<br />
in the mirror<br />
i see a frail man<br />
dreaming<br />
dreams<br />
dreams in the mirror<br />
<br />
and it<br />
is dusk           on earth<br />
<br />
a candle is lighted<br />
and it is dark.<br />
the people are in their houses<br />
the frail man is in his bed<br />
the city<br />
sleeps with death upon her mouth having a song in her eyes<br />
the hours descend<br />
putting on stars. . . .<br />
<br />
in the street of the sky night walks scattering<br />
                                        poems<br />
<br />
CUMMINGS, E.E. &#8220;Tulips and chimneys (1923)&#8221;. Complete poems: 1913-1962. New York and London: Harvest/HBJ Book, 1962. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/02/26/impressao-iv-poema-do-blog-acontecimentos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>pensando a Poesia com Antonio Cicero em entrevita ao Poemas no ônibus&#8230;</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/01/06/pensando-a-poesia-com-antonio-cicero-em-entrevita-ao-poemas-no-onibus/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/01/06/pensando-a-poesia-com-antonio-cicero-em-entrevita-ao-poemas-no-onibus/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 06 Jan 2011 17:07:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[conversando sobre literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[antonio cicero]]></category>
		<category><![CDATA[pensando a poesia]]></category>
		<category><![CDATA[pensando com arte]]></category>
		<category><![CDATA[Vidráguas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=8309</guid>
		<description><![CDATA[O poeta e filósofo Antonio Cícero concedeu uma entrevista inédita ao blog dos Poemas no Ônibus, em que comenta o projeto de levar a poesia para além da página impressa em livro. O autor também comentou sobre as diferenças e aproximações entre poesia de livro e poesia da canção, duas áres em que atua fortemente. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/antoniocicero.jpg" rel="lightbox[8309]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/antoniocicero.jpg" alt="" title="antoniocicero" width="320" height="229" class="alignnone size-full wp-image-8310" /></a><br />
<br />
O poeta e filósofo Antonio Cícero concedeu uma entrevista inédita ao blog dos Poemas no Ônibus, em que comenta o projeto de levar a poesia para além da página impressa em livro. O autor também comentou sobre as diferenças e aproximações entre poesia de livro e poesia da canção, duas áres em que atua fortemente.<br />
Com certeza, as considerações de Antonio Cícero sobre o gênero são de grande importância para o tema poesia não apenas para o conteúdo desse blog como também para o debate possível acerca da poesia como expressão artística e cultural em nosso país. Antonio Cícero é autor de dois livros de poesia: Guardar (1996) e A cidade e os Livros (2002), e prepara um inédito para lançar ainda este ano. O autor também publicou ensaios de filosofia O Mundo desde o Fim (1991), e Finalidades sem Fim (2005), artigos e ensaios sobre poesia, arte e filosofia, que consta o seu indispensável ensaio em que aponta as diferenças entre poesia e poesia da canção, mencionadas também numa das respostas abaixo.<br />
<br />
Cícero também tem robusta produção poética em suas letras de música, que contribui para o entendimento do valor musical e poético do nosso rock Brasil, através da parceria com Marina Lima, sua irmã. Muitos dos sucessos da cantora tem a assinatura da poesia de Antonio Cícero. Artistas como Adriana Calcanhotto, João Bosco, Gilberto Gil, Caetano Veloso (amigo que curiosamente o considera hiperracionalista), entre outros, foram parceiros de Cícero no âmbito da poesia cantada.<br />
<br />
Leiam a entrevista aqui ou no site do Poema no Ônibus:<br />
<a href="http://www.poemasnoonibus.blogspot.com/">http://www.poemasnoonibus.blogspot.com/</a><br />
<br />
<span id="more-8309"></span><br />
<br />
Portanto, pode-se dizer que nosso entrevistado é uma referência poética para além dos livros, porque atua criativamente também nas canções, confirmando a tradição do valor poético que a produção musical brasileira contém. Muitos dos poemas de Cícero que saíram publicados em livro foram criados a partir de canções e isso é um apontamento curioso no sentido da letra da canção ir para a página, diferentemente do que se faz, isto é, o texto da página migrar para a canção. Nosso blog tem o prazer de contar com as informações desse grande artista.<br />
<br />
Duas ou três utilidades da poesia como arte crucial no mundo pós utópico.<br />
<br />
De certo modo, a verdadeira utilidade da poesia é nos transportar para uma dimensão da existência em que a utilidade não conta. Em praticamente toda a nossa vida, damos valor às coisas segundo a sua utilidade. É na medida em que uma coisa serve para tal ou tal coisa, na medida em que ela é um meio para outra coisa, que ela tem valor. Na poesia – e, de maneira geral, na arte – não é assim. Como a brincadeira ou o jogo, a poesia, de maneira geral, não serve para nada. O que ela faz é mobilizar e fundir de modos surpreendentes todas as nossas faculdades: intelecto, imaginação, sensualidade, sensibilidade, razão etc. Nela, espírito e matéria se confundem. Desse modo, ela nos proporciona um outro modo – não utilitário – de apreensão do ser.<br />
<br />
Comente sobre o Poema no Ônibus enquanto projeto que leva a poesia para os transportes públicos. Em sua opinão, qual o grande mérito desse projeto?<br />
<br />
Muitas vezes olhamos para um poema e ele nada nos diz. Aí, um dia, quando menos esperamos, olhamos para o mesmo poema e ele nos parece maravilhoso. É que, no primeiro dia, estávamos fechados para a poesia, ou para certa poesia; estávamos fechados para essa dimensão não-utilitária da existência e da linguagem; já no outro dia, estávamos abertos para ela. Ora, não podemos prever quando ocorrerá a nossa abertura à poesia. Os poemas no ônibus tornam mais possível que ocorra esse encontro entre o poema e o momento em que o passageiro esteja aberto para a poesia. Assim, eles criam a possibilidade de que, de repente, alguém que nunca ligou para a poesia, descubra a maravilha que ela pode ser.<br />
<br />
As aproximações entre poesia e canção não são mais novidade. Você, que escreve para o canto e para a página e aproxima tão bem a poesia cantada e a poesia de livro (letras impressas em livros de poesia) pode traçar outras informações sobre criação entre essas duas áreas de atuação?<br />
<br />
Originalmente, toda poesia lírica era canção. Com a escrita, tornou-se possível separar as palavras da música. A poesia escrita se tornou um gênero importante, que possibilitou novos tipos de expressão. Mas o parentesco entre poesia escrita e letra de música permanece. Apenas, a letra existe para fazer parte de uma canção. Não é lícito julgar uma letra independentemente da canção de que faz parte. Já a poesia escrita existe para ser lida por si. Em outras palavras, esta é autotélica (tem o fim em si mesma); aquela é heterotélica (tem seu fim fora de si, na canção).<br />
<br />
A poesia no mercado editorial é sempre complexa, na sua opinião a poesia deve cada vez mais sair do livro e ganhar outros suportes? você acha que isso pode gerar um número de leitores mais expressivo?<br />
<br />
A poesia escrita é um gênero que jamais morrerá. Para mim, ela é a mais importante forma de poesia que existe. Isso não importa que ela possa ser lida em voz alta, cantada etc. Mas, para mim, a mais importante forma de fruição da poesia é a leitura individual. Um poema escrito num cartaz num ônibus, por exemplo, está disponível a todos os passageiros, mas é fruída (ou não) por cada um individualmente.<br />
<br />
Das figuras de linguagem úteis ao poema, qual você utiliza ou mais tende a utilizar?<br />
<br />
Que eu saiba, uso praticamente todas. Mas não sou a pessoa mais indicada para falar da poesia que escrevo. Outros o fazem muito melhor. Aliás, na semana passada foi lançada pela Editora da UERJ uma coleção de livrinhos chamada “Ciranda da poesia”. Um deles, escrito por Alberto Pucheu, é sobre os poemas que escrevo. Sou suspeito, é claro, mas achei-o maravilhoso.<br />
<br />
De toda a tentativa de experimentação poética, desde o Modernismo de 22, passando pela poesia Concreta e seus desdobramentos para além do verbal, o que se pode aproveitar na poesia feita hoje em dia? uma liberdade criativa?<br />
<br />
Sim. O grande legado de tudo isso foi a liberdade criativa. É possível usar qualquer uma das formas criadas no passado, é possível modificar essas formas, e é possível inventar novas formas. Para o poeta, essas formas são como as palavras, que ele escolhe de acordo com a finalidade que se impõe.<br />
<br />
A letra poema “Eu vi o Rei”, musicada por Marina, você mencionou no filme “Palavra Encantada” ter sido feita a seu pai, mas em momento algum isso é mencionado na letra. Comente essa possibilidade que a poesia tem de dizer o indizível.<br />
<br />
É que tudo na poesia fala: as palavras, os sons das palavras, os sons das combinações das palavras, os ritmos, as formas do poema, das estrofes, dos versos, os significados explícitos, implícitos, metafóricos, alusivos das palavras e das combinações das palavras etc; e cada uma dessas coisas interage com as demais, de modos surpreendentes.<br />
<br />
A filosofia é uma forte área de atuação sua. Em que medida a poesia e a filosofia se encontram enquanto motor criativo, ao menos ambas tendem a uma interpretação do mundo idealizada. Ou são incompatíveis?<br />
<br />
Para mim, são coisas muito diferentes. A filosofia pretende vir principalmente da razão e do intelecto. A poesia pode vir de toda e qualquer faculdade.<br />
<br />
A poesia de Antonio Cícero feita recentemente tem alguma marca nova? uma nova abordagem? ou são reflexos dos mesmos temas, inquietações, isto é, existe alguma nova matriz em sua poesia?<br />
<br />
Talvez; mas, com eu disse, não sou a melhor pessoa para falar da poesia de Antonio Cicero. Alberto Pucheu o faz muito melhor, no livro que já mencionei. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2011/01/06/pensando-a-poesia-com-antonio-cicero-em-entrevita-ao-poemas-no-onibus/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>amores (COM)plexos, poema Anáguas</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/12/28/amores-complexos-poema-anaguas/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/12/28/amores-complexos-poema-anaguas/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 28 Dec 2010 18:11:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[anáguas]]></category>
		<category><![CDATA[antonio cicero]]></category>
		<category><![CDATA[Lou Albergaria]]></category>
		<category><![CDATA[Marina Lima]]></category>
		<category><![CDATA[poesia erótica]]></category>
		<category><![CDATA[poesia marginal]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=8181</guid>
		<description><![CDATA[AMORES (COM)PLEXOS por Lou Albergaria Para aqueles que buscam Nexo estável obviedade em tudo verdades atuam obtusas camufladas formas geométricas Carrancas mudas espantam os bons espíritos que Criam e anseiam amores (Com)plexos sem ciclo no cio que se faz eterno infinito Onde a barba espeta Convexo confronto de plexos espargem Gemidos saboreiam vértices leiam todo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>AMORES (COM)PLEXOS<br />
por Lou Albergaria<br />
<br />
<a href="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/sensualidade_gay_012.jpg" rel="lightbox[8181]"><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/sensualidade_gay_012.jpg" alt="" title="sensualidade_gay_01" width="320" height="316" class="alignnone size-full wp-image-8185" /></a><br />
<br />
Para aqueles que buscam Nexo<br />
estável obviedade em tudo<br />
verdades atuam obtusas<br />
camufladas<br />
formas geométricas<br />
Carrancas mudas<br />
espantam os bons espíritos que<br />
Criam e anseiam<br />
amores (Com)plexos<br />
sem ciclo no cio que se faz eterno<br />
infinito Onde a barba espeta<br />
Convexo confronto de plexos<br />
espargem Gemidos saboreiam vértices<br />
<br />
leiam todo o poema e escutem Marina Lima nos versos de Lou<br />
<br />
<span id="more-8181"></span><br />
<br /> <br />
Colcha Acústica!<br />
<br />
No quarto camas estreitas se unem<br />
não aparece A fenda nem desabriga<br />
Vênus cálidos Montes em pares vertem<br />
estrelas circuncidando o Cometa<br />
tatuado no braço da Marina,<br />
Voz grave e rouca<br />
veste hoje O Amor de poesia:<br />
dois Meninos ternos, suados e divinos;<br />
expelindo toda santa Nossa hipocrisia.<br />
Desejo acalanta o olhar<br />
incrédulo desfazendo credos:<br />
-amar o diferente é transcendência-, mas<br />
amar o Igual pode ser ainda mais belo.<br />
<br />
Para Márcio Nicolau e Saulo Taveira<br />
&#8216;Com todo Amor que houver Nessa Vida&#8217;&#8230;<br />
e algum Pecado que faça valer a profecia&#8230;<br />
<br />
<object width="450" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/TNDgyXMJi5E?fs=1&amp;hl=pt_BR"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/TNDgyXMJi5E?fs=1&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="450" height="385"></embed></object><br />
<br />
&#8220;(&#8230;)E nesse labirinto<br />
O que eu sinto eu sinto<br />
E chamam de paixão<br />
E me apaixonam questões ardentes<br />
Que nem consigo assim de repente<br />
Expor<br />
Mas entre elas há coisas raras<br />
Que são belezas, loucuras, taras<br />
De amor&#8230;&#8221;<br />
<br />
Antônio Cícero<br />
<br />
Leiam mais poemas no blog da autora:<br />
<a href="http://sementedeamora.blogspot.com/">http://sementedeamora.blogspot.com/</a><br />
<a href="http://lobaderayban.blogspot.com/">http://lobaderayban.blogspot.com/</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/12/28/amores-complexos-poema-anaguas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>10</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>a cidade  e os livros&#8230;abriam-se em esquinas enfinitas</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/11/19/a-cidade-e-os-livros-abriam-se-em-esquinas-enfinitas/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/11/19/a-cidade-e-os-livros-abriam-se-em-esquinas-enfinitas/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 19 Nov 2010 12:29:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Receitas de Poetas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[Videos]]></category>
		<category><![CDATA[antonio cicero]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Tranças Poéticas Vidráguas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=7677</guid>
		<description><![CDATA[A CIDADE E OS LIVROS para D.Vanna Piraccini O Rio parecia inesgotável àquele adolescente que era eu. Sozinho entrar no ônibus Castelo, saltar no fim da linha, andar sem medo no centro da cidade proibida, em meio à multidão que nem notava que eu não lhe pertencia &#8211; e de repente, anônimo entre anônimos, notar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="450" height="385"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/c5KeFGcNDZI?fs=1&amp;hl=pt_BR"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/c5KeFGcNDZI?fs=1&amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="450" height="385"></embed></object><br />
<br />
A CIDADE E OS LIVROS<br />
para D.Vanna Piraccini<br />
<br />
O Rio parecia inesgotável<br />
àquele adolescente que era eu.<br />
Sozinho entrar no ônibus Castelo,<br />
saltar no fim da linha, andar sem medo<br />
no centro da cidade proibida,<br />
em meio à multidão que nem notava<br />
que eu não lhe pertencia &#8211; e de repente,<br />
anônimo entre anônimos, notar<br />
eufórico que sim, que pertencia<br />
a ela, e ela a mim &#8211; , entrar em becos,<br />
travessas, avenidas, galerias,<br />
cinemas, livrarias: Leonardo<br />
da Vinci Larga Rex Central Colombo<br />
Marrecas Íris Meio-Dia Cosmos<br />
Alfândega Cruzeiro Carioca<br />
Marrocos Passos Civilização<br />
Cavé Saara São José Rosário<br />
Passeio Público Ouvidor Padrão<br />
Vitória Lavradio Cinelândia:<br />
lugares que antes eu nem conhecia<br />
abriam-se em esquinas infinitas<br />
de ruas doravante prolongáveis.<br />
<br />
Poema de Antonio Cícero<br />
<br />
Leiam mais poemas no blog do autor:<br />
<a href="http://antoniocicero.blogspot.com/">http://antoniocicero.blogspot.com/<br />
</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/11/19/a-cidade-e-os-livros-abriam-se-em-esquinas-enfinitas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>diamante, um poema de Antonio Cicero</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/07/01/diamante-um-poema-de-antonio-cicero/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/07/01/diamante-um-poema-de-antonio-cicero/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 01 Jul 2010 15:06:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Receitas Vidráguas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[antonio cicero]]></category>
		<category><![CDATA[Jornal Vaia]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Tranças Poéticas Vidráguas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=6135</guid>
		<description><![CDATA[Fotografia:Brian Duffy DIAMANTE O amor seria fogo ou ar em movimento, chama ao vento; e no entanto é tão duro amar este amor que o seu elemento deve ser terra: diamante, já que dura e fura e tortura e fica tanto mais brilhante quanto mais se atrita, e fulgura, ao que parece, para sempre: e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/Loch-Lomond-Sunset1.jpg" alt="Loch-Lomond-Sunset" title="Loch-Lomond-Sunset" width="538" height="352" class="alignnone size-full wp-image-6136" /><br />
<br />
Fotografia:Brian Duffy<br />
<br />
DIAMANTE<br />
<br />
O amor seria fogo ou ar<br />
em movimento, chama ao vento;<br />
e no entanto é tão duro amar<br />
este amor que o seu elemento<br />
deve ser terra: diamante,<br />
já que dura e fura e tortura<br />
e fica tanto mais brilhante<br />
quanto mais se atrita, e fulgura,<br />
ao que parece, para sempre:<br />
e às vezes volta a ser carvão<br />
a rutilar incandescente<br />
onde é mais funda a escuridão;<br />
e volta indecente esplendor<br />
e loucura e tesão e dor.<br />
<br />
Poema de Antonio Cicero publicado no Jornal Vaia, n. 29, Porto Alegre, abril de 2010.<br />
<br />
No blog do autor,leiam a excelente entrevista concedida ao Jornal Vaia:<br />
<a href="http://antoniocicero.blogspot.com/">http://antoniocicero.blogspot.com/</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/07/01/diamante-um-poema-de-antonio-cicero/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>uma entrevista que não se pode guardar&#8230;</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/03/30/uma-entrevista-que-nao-se-pode-guardar/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/03/30/uma-entrevista-que-nao-se-pode-guardar/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 30 Mar 2010 15:01:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[antonio cicero]]></category>
		<category><![CDATA[tempo-poesia-amor-verso-reverso]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=5145</guid>
		<description><![CDATA[Entrevista: &#8220;A riqueza está nas diferenças&#8221; * Entrevista com Antonio Cicero por ocasião da Conferência Internacional Sobre a Língua Portuguesa que, patrocinada pelo Itamaraty, teve lugar em Brasília, de 25 a 28 do corrente, publicada no Correio Braziliense de domingo. Poesia é doença ou cura? Nem uma coisa nem outra. Chamá-la de doença ou cura [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entrevista: &#8220;A riqueza está nas diferenças&#8221;<br />
<br />
<img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/antonio-cicero.jpg" alt="antonio cicero" title="antonio cicero" width="320" height="320" class="alignnone size-full wp-image-5146" /><br />
<br />
* Entrevista com Antonio Cicero por ocasião da Conferência Internacional Sobre a Língua Portuguesa que, patrocinada pelo Itamaraty, teve lugar em Brasília, de 25 a 28 do corrente, publicada no Correio Braziliense  de domingo.<br />
<br />
Poesia é doença ou cura?<br />
<br />
Nem uma coisa nem outra. Chamá-la de doença ou cura seria confundi-la com a vida do poeta. Poesia é arte: a produção de um objeto que é feito de linguagem e dotado de valor estético. Sendo um objeto, ele não se confunde com a vida daquele que o produz. E não é porque esteja doente ou porque queira se curar que o poeta faz um poema; se assim fosse, o poema só interessaria ao doente. Acontece que, ao contrário, ele interessa a muita gente cuja vida nada tem a ver com a do poeta.<br />
<br />
Leiam toda a entrevista aqui ou no blog do autor:</p>
<p>http://antoniocicero.blogspot.com/</p>
<p>
<span id="more-5145"></span><br />
A frase dita por Caetano Veloso, “Só é possível filosofar em alemão”, ainda vale nos dias de hoje?<br />
<br />
Não, nunca valeu. Na verdade, a frase não é de Caetano, mas de Heidegger que, não nos esqueçamos, chegou a apoiar o nazismo. Caetano a citou numa canção, de modo irônico, pois ele próprio é leitor, por exemplo, do filósofo francês Jean-Paul Sartre. A letra diz: “Se você tem uma ideia incrível/ É melhor fazer uma canção/ Está provado que só é possível/ Filosofar em alemão”. Uma ideia incrível é, literalmente, uma ideia em que não se pode acreditar: uma ideia que não é crível ou lógica; mas uma ideia incrível é também uma ideia maravilhosa. Pois bem, se você tem uma ideia que, não sendo crível nem lógica, é maravilhosa, é melhor fazer uma canção do que fazer filosofia. Por quê? Porque fazer filosofia para provar uma ideia que não é crível nem lógica, como Heidegger fez com essa de que só é possível filosofar em alemão, é, além de ridículo, nocivo.<br />
<br />
A poesia e a música ainda estão casadas? Há novos poetas interessados na palavra cantada? Esta conexão entre música e poesia é uma singularidade da cultura brasileira?<br />
<br />
Creio que sempre haverá poetas interessados na palavra cantada. A letra de música é uma espécie de poesia, e alguns letristas são grandes poetas, como o próprio Caetano, que já citei. Mas isso não é uma singularidade da cultura brasileira. Afinal, na Grécia antiga, toda poesia lírica era cantada; os poetas provençais cantavam; e existem grandes poetas entre os letristas americanos, ingleses, mexicanos, cubanos, franceses, portugueses etc.<br />
<br />
Apesar da revolução tecnológica e da invenção de novos meios de comunicação, há um descaso com o cultivo da palavra pelas novas gerações?<br />
Isso tem a ver com um desinteresse pela poesia como um espaço da singularidade?<br />
<br />
Não sei se realmente há maior descaso hoje do que outrora. A verdade é que, antigamente, as pessoas que não se interessavam pela poesia não se destacavam tanto quanto hoje, quando qualquer um pode publicar o que pensa num blog. De todo modo, penso que seria interessante que as pessoas aprendessem a ler poesia nas escolas. Não digo ler em voz alta, mas simplesmente ler. É grande o analfabetismo no que diz respeito à linguagem poética.<br />
<br />
O rapper é o poeta do futuro?<br />
<br />
Talvez. Do presente é que não é.<br />
<br />
Fale da sua luta contra a discriminação baseada na orientação sexual ou na identidade de gênero do cidadão.<br />
<br />
É muito simples. Em particular, todo mundo tem o direito de ter o preconceito que quiser: não se pode negar a ninguém o direito à burrice. Em público, porém, a história é outra. Um país é tanto maior quanto mais for capaz de garantir a convivência do maior número possível de diferenças de ideias, comportamentos, projetos particulares, gostos, estilos de vida etc. Diferenças são riqueza. Absolutamente nada é mais importante do que isso. O único motivo que pode racionalmente ser invocado para negar a alguém o direito a se comportar de determinada maneira é que tal comportamento fira os iguais direitos de outras pessoas. Ora, o comportamento gay ou transexual não atropela os direitos alheios nem infringe lei brasileira nenhuma. Por isso, o gay deve ter o direito de existir e se manifestar publicamente sem temer repressão do Estado ou da sociedade.<br />
<br />
Qual é sua relação artística com Marina Lima, sua irmã? Você dá palpite no trabalho dela e vice-versa?<br />
<br />
Sim, mas mais antigamente do que hoje. Faço poucas letras hoje em dia, de modo que diminuíram as nossas parcerias.<br />
<br />
Você viveu num Rio de Janeiro de sexo, drogas e rock ‘n’ roll. O que mais o marcou nesse período tão criativo e tão destrutivo?<br />
<br />
A melhor coisa foi a liberação sexual; as piores coisas foram o surgimento da Aids e a disseminação da cocaína.<br />
<br />
Hoje, você se considera um poeta de crachá, acadêmico ou um libertário?<br />
<br />
Considero-me poeta, simplesmente: e isso, principalmente logo que termino de escrever um poema. Como dizia o poeta inglês W. H. Auden, é só nessa hora que a gente sabe que é poeta. Antes disso e depois disso, a gente não sabe se ainda é poeta.<br />
<br />
Por que que a poesia marginal brasileira não é estudada e reverenciada nas universidades, como os beats foram nos Estados Unidos? Há preconceito?<br />
<br />
Não sei se ainda é assim. Há muitas teses sobre Leminski, por exemplo, que era considerado marginal. O mesmo acontece com Waly Salomão. Também Chacal é objeto de teses. Agora mesmo, as obras reunidas de Roberto Piva, outro marginal, foram organizadas pelo professor de literatura Alcir Pécora.<br />
<br />
Quem você gostaria de ver na Academia Brasileira de Letras, José Sarney ou Chacal?<br />
<br />
Sarney já está na Academia há muito tempo, goste-se ou não disso. Quanto a Chacal, não creio que ele queira ser acadêmico, uma vez que se considera poeta marginal, e o poeta marginal se define exatamente em oposição ao acadêmico.<br />
<br />
Como anda a política cultural do Brasil?<br />
<br />
Já foi pior. Melhorou a partir de Gilberto Gil. Mas é claro que ainda tem muito a melhorar.<br />
<br />
Por que é tão difícil publicar um livro?<br />
<br />
É difcil publicar um livro porque poesia não vende. Leminski dizia que o fato de não vender era bom, pois isso quer dizer que se escreve poesia por amor, e não por dinheiro. Mesmo assim, parece que hoje se publicam mais livros de poesia do que jamais. E acontece que os poetas publicam também na Internet.<br />
<br />
Quais os sinais positivos que você detecta na cultura nos dias de hoje?<br />
<br />
Uma coisa que me parece muito positiva é o entrosamento cada vez maior entre o Brasil e Portugal; ou melhor, entre o Brasil e os demais países lusófonos. Por exemplo, cada vez se leem mais poetas portugueses, angolanos, moçambicanos etc. no Brasil e, por outro lado, poetas brasileiros em Portugal, Angola, Moçambique etc. Isso é enriquecedor para todos nós.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2010/03/30/uma-entrevista-que-nao-se-pode-guardar/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>passagem a 2010&#8230;</title>
		<link>http://vidraguas.com.br/wordpress/2009/12/31/passagem-a-2010/</link>
		<comments>http://vidraguas.com.br/wordpress/2009/12/31/passagem-a-2010/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 31 Dec 2009 14:31:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carmen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Versos que Conversam]]></category>
		<category><![CDATA[antonio cicero]]></category>
		<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://vidraguas.com.br/wordpress/?p=4426</guid>
		<description><![CDATA[Passagem do ano O último dia do ano não é o último dia do tempo. Outros dias virão e novas coxas e ventres te comunicarão o calor [da vida. Beijarás bocas, rasgarás papéis, farás viagens e tantas celebrações de aniversário, formatura, promoção, glória, [doce morte com sinfonia e coral, que o tempo ficará repleto e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/uploads/drummond_estatua.jpg" alt="drummond_estatua" title="drummond_estatua" width="194" height="259" class="alignnone size-full wp-image-4427" /><br />
<br />
Passagem do ano<br />
<br />
O último dia do ano<br />
não é o último dia do tempo.<br />
Outros dias virão<br />
e novas coxas e ventres te comunicarão o calor [da vida.<br />
Beijarás bocas, rasgarás papéis,<br />
farás viagens e tantas celebrações<br />
de aniversário, formatura, promoção, glória, [doce morte com sinfonia e coral,<br />
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o [clamor,<br />
os irreparáveis uivos<br />
do lobo, na solidão.<br />
<br />
O último dia do tempo<br />
não é o último dia de tudo.<br />
Fica sempre uma franja de vida<br />
onde se sentam dois homens.<br />
Um homem e seu contrário,<br />
uma mulher e seu pé,<br />
um corpo e sua memória,<br />
um olho e seu brilho,<br />
uma voz e seu eco,<br />
e quem sabe até se Deus&#8230;<br />
<br />
Recebe com simplicidade este presente do [acaso.<br />
Mereceste viver mais um ano.<br />
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos [séculos.<br />
Teu pai morreu, teu avô também.<br />
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras [espreitam a morte,<br />
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,<br />
e de copo na mão<br />
esperas amanhecer.<br />
<br />
O recurso de se embriagar.<br />
O recurso da dança e do grito,<br />
o recurso da bola colorida,<br />
o recurso de Kant e da poesia,<br />
todos eles&#8230; e nenhum resolve.<br />
<br />
Surge a manhã de um novo ano.<br />
As coisas estão limpas, ordenadas.<br />
O corpo gasto renova-se em espuma.<br />
Todos os sentidos alerta funcionam.<br />
A boca está comendo vida.<br />
A boca está entupida de vida.<br />
A vida escorre da boca,<br />
lambuza as mãos, a calçada.<br />
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.<br />
<br />
ANDRADE, Carlos Drummond de. &#8220;A rosa do povo&#8221;. In: Poesia completa.. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002.<br />
<br />
Leitura e colagem:http://antoniocicero.blogspot.com/</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://vidraguas.com.br/wordpress/2009/12/31/passagem-a-2010/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

