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é primavera no StudioClio, Ave, Flor

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O livro de arte Ave, Flor, prefaciado por Armindo Trevisan, reúne poemas selecionados de Cleonice Bourscheid e ilustrações da artista botânica Anelise Scherer sobre flores da flora brasileira.

saiba mais acessando o site:
www.studioclio.com.br

esperança um poema, um convite

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Canto da Esperança

Eu sei que o meu Redentor vive,
e que alguém, dos céus, virá enfim em meu socorro.

Mesmo depois de consumida a minha pele,
ainda em meu corpo verei Deus.

Verei a Deus por mim mesmo,
com meus olhos, e ele não será para mim um estranho;
esta é a esperança que repousa em meu coração.

Armindo Trevisan, A Poesia na Bíblia, Desenhos de Clara Pechansky, p. 49, Unipron

Atentos!

Menor Que um Grão de Mostarda, novo Livro de Armindo Trevisan, terá lançamento dia 04 de setembro, das 19 às 22 horas, na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Center.

carta ao Brasil…

EM PELE E OSSO:CARTA AO BRASIL
por Tânia Du Bois


” I
Te escrevo Brasil / com o osso / mais velho / que te sustentou.
II
Te escrevo / no olho da luz / antes da primeira / fome / com a fome / de tua boca…
VI
Te escrevo / com o berro / de qualquer coisa / com o coice / que devastou no ar /
perseguição da palavra / para tamanha / falta de vida
VIII
Te escrevo / com o couro / aninhado / na balas / com a bala / fugida / da ignorância /
com o estouro / dos miolos
IX
Te escrevo / com o sol / esvaziado sobre os ossos / com a corda / do soluço
XIV
Te escrevo / porque somos / tua própria / geografia
XV
Te escrevo / porque ardemos / nas veias / de tua / indecisão
XVI
Te escrevo / porque / já não és / um gemido / de mundo / mas o próprio / mundo /
a apalpar-se / em nós.”


Carta ao Brasil é um poema do grande escritor Armindo Trevisan, contido no livro “Em Pele e Osso”. Nesse poema o poeta fabrica a pele do impossível aonde vai costurando a língua e a poesia e depois, ponto por ponto, a transforma em pele maior para ser engolido pelo mundo. Deixa o presente e o futuro na pele da liberdade. E diz que “o poeta nasce para fabricar a pele.”

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cartas preciosas, assim caminha a Poesia…

*Obrigada, Professor Armindo Trevisan por permitir compartilhar esta preciosidade em Vidráguas!!!


Cartas a Um jovem Poeta
Cecilia Meireles
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“Armindo Trevisan, caro Amigo:

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Dada a franqueza com que me escreve, procurarei atender a seu pedido, relativo à minha opinião sobre versos.Não acredite na minha opinião. (Sublinhado pela missivista. Toda vez que o fizermos, é porque ela o fez). Nenhuma opinião alheia vale nada, em si mesma. ( isto não é literatura). O que vale é a opinião própria, do artista. Mas, para que essa opinião valha, efetivamente, é preciso que ele se construa, se edifique. E só assim poderá criar e, ao mesmo tempo, fazer autocrítica.

Uns lhe dirão: gosto destes versos, não gosto daqueles, etc. Acontece que V. goste do que os outros não gostam, e vice-versa. Porque uns vêem os versos de fora, como obra criada e V. os vê de dentro, como instante de criação. E isso é muito confuso.

Quanto à espontaneidade, sem dúvida é uma qualidade, mas excessiva, pode tornar-se mecânica. Tenha cuidado. Escreva, guarde, deixe de ver o que escreveu por algum tempo, depois volte a ler, como se fosse não autor, mas leitor.

(…)lembre-se que cada um de nós é uma pessoa diferente, guardando tênues correlações com as demais. Cada um de nós tem um ritmo de alma. Deixe que seja esse o de seus versos.

Meu conselho – como professora de Literatura posso dá-lo, mas V. não é obrigado a segui-lo, pois um jovem de 20 anos deve estar contra tudo, é natural que esteja, mas aos 30 está de acordo com o que lhe diziam… Meu conselho: procure, primeiro, ter uma idéia clara da Literatura Brasileira. Procure uma boa história da Literatura. Não há muitas. Se encontrasse a de Ronald de Carvalho, teria um panorama conciso e útil. As de Romero e Veríssimo(José) são boas, mas um pouco inatuais. Procure sentir o espírito das letras, nos poucos séculos da nossa história. Dada a sua origem italiana, faça o mesmo em relação à grande, à bela literatura de seus antepassados. Verá por essa leitura, a evolução que experimentam os poetas – que é a evolução do mundo. Nada se repete. Mesmo que um tema seja o mesmo, o tratamento é diferente, as palavras são outras, o giro de linguagem, etc. É o que torna reconhecível um poeta, um escritor, uma época, um país…

Depois da História da Literatura Brasileira, poderá estudar uma História da Literatura Geral… É uma pena que seja tão mal ensinada a Literatura, mesmo nas faculdades… Em seguida, vá as antologias, de diferentes épocas e países. Para ter uma visão do mundo das letras. Não creio isso desnecessário. Pense num pianista: ele pode ter o dom de executar ou compor, mas para adquirir a plenitude desse dom, precisa conhecer o instrumento, a técnica, etc. Não é só cantar: é conhecer os sons, e a sua combinação, etc. Não é só escrever: é preciso conhecer o instrumento: a palavra, como som, sentido, repercussão…

Naturalmente, há o poeta popular, o trovador, o que não sabe como faz o que faz. Também há, é certo. Mas é o poeta popular, note bem. É outra categoria.
Se quer um conselho mais: não tenha pressa. Aos vinte anos, todos estão com pressa. Por que? Depois – conheço vários casos – desanimam, se o grande esforço de publicar um livro( porque custa muito caro!) não é correspondido com grande aceitação por parte do público, – em geral displicente em matéria artística, pobre para comprar tudo quanto aparece, e, como é natural, mais voltados para os valores mais amadurecidos.

Não é porque não sejam bons os seus versos, – mas porque poderão ser melhores. Todos começam modestamente. A vida é breve, a arte é longa – e não se pode começar pela perfeição. Nem pela experiência. A experiência vem depois. E o sofrimento. E o descobrimento ou a invenção do mundo. Pelo menos do mundo particular que cada um possui, e que é a única revelação a fazer… A nossa visão da vida… Como um relato de marinheiro de volta do fim do mundo. Com a família, a tribo atenta, a ouvi-lo, aprendendo com o que ele viveu…

Leia Rilke. Leia os grandes. Tagore, Fernando Pessoa. Garcia Lorca. Leia os antigos. Horácio, Ovídio, Virgilio. E os gregos. Leia os chineses. Esse delicado Li-Po, que vai amar, e Tu-Fu, e tantos… Leia os árabes, muito derramados em amor, mas com uma prodigiosa riqueza de imagens, e os meus queridos persas, que falarão sempre de vinho, etc., mas o vinho é outro… transponha isto misticamente. Leia.Leia.

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um poema e um Sr.Livro a caminho da semana do Livro

A LUZ DE TUA PELE
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À luz de tua pele invento a noite.
Nela me embrenho até à morte alheia.
Ninguém é mais sozinho do que o açoite
que apaga tua luz, e me incendeia.

Armindo Trevisan em A DANÇA DO FOGO. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2001.