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O verbo, a cura…

O verbo, a cura
por Abel Sidney



…a palavra também é cura, alguém me disse.
corri, pois, ao dicionário, para desvendar
todos os sentidos que tal verbo possa sustentar.

cura, além de vigário em alguma aldeia, povoado
é processo de tratamento para se apurar
para curtir, secar, enfim, algo melhorar

como tornar, no entanto, uma palavra curativo?
como colocá-la direto sobre a ferida?

eis que naquela madrugada, matutando
ouça uma resposta também em verso
de alguém que tinha noção do que dizia:

à palavra boa não basta estar alinhada
bem vestida, segundo a gramática regular
pois além da fina vestidura a revestir
ou da embalagem com o belo a estampar
há sentimentos que precisam se fazer sentir,
acionado pela vontade de acolher, de servir…

com estes últimos versos ainda vagueando
pus-me a me lembrar dos vínculos que se faz
do verbo em ação, cordial, com o algo mais
que poucos desejam, ousam expressar

lembrei-me de almofada, de cetim, de aconchegar
de ombro amigo, de fino trato, gentileza
mesmo de duras verdades , ditas com jeito
que curam se faladas com delicadeza…

não importará pois discutir ou nos debatermos
nos embaraços em torno da sintomatologia
pois ao conhecido, ao familiar ou amigo
pouco lhe dirá questões de geografia…

próximos ou distantes estejam eles
o certo é que as palavras que correm frouxas,
pelo correio, emeio ou qualquer canal
há de tocá-los, livrando-os de muito mal –
doenças imaginárias ou reais, seja o que for
de coceiras que pó-de-mico mental traz
a preocupações que o verbo amigo desfaz…

assim encerro este poema, conclamando
os amigos que de prosa e verso vissem se expressando:
há feridas a se curar aqui tão perto!

É isso.

Leiam mais poemas e escritos no blog do autor:
http://abelsidney.blogspot.com/

pensando a Poesia com Arnaldo Antunes



Obrigada Sérvio, pela dica colada de teu blog!

muDanças, para não cair no esquecimento

MuDanças
por Carmen Silvia Presotto



Ah, Be My Baby! Calças arrastando pelo chão, cara lavada, pachuli, flores na cabeça, tênis ou tamanco?
Andar desleixado, épocas duras, fugas.

Ditadura!

Andar desleixado…irreverência…continência!
Podres Poderes!
Brasil grande, para alguns até demais…
Imensas fronteiras, incríveis barreiras…
Apesar de Vocês!
Amamos, suamos, cantamos, dançamos, driblamos, não desbrasileiramos…
E aqui ficamos, catando mudança
De Baixo Dos Caracóis,
esperançosos de que havia baianos em dança inglesa,
beatlemaniamente saudosos e confiantes de que o
Haiti Não Fosse Aqui.

Leiam toda a crônica poética
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cancionistas pedem passagem

titatitã_arnaldoantunes
Foto: Luciane Maria Strack,Projeto Unimúsica 2009-UFRGS.

Imagem
Arnaldo Antunes

Palavra lê
Paisagem contempla
Cinema assiste
Cena vê
Cor enxerga
Corpo observa
Luz vislumbra
Vulto avista
Alvo mira
Céu admira
Célula examina
Detalhe nota
Imagem fita
Olho olha

É, Poeta! Como disseste:Cancionista é ir atrás da música feito palavra viva, tipo consciências de interfaces de onde as palavras se encaixam até virarem clarão, ganhar rua ou ir para o Baú de Fertilidade até poderem respirar…

Vidráguas a mais canção!!!

dois anos depois, é hoje, uma carta vidráguas a Arnaldo Antunes

Querido Poeta!

“Poesia é Visual”… Psiu!

Com concretas palavras, cimentamos a VOZ do POETA, feito pá de argamassa colocamos nossa língua a trabalhar junto aos dedos para que num pulsar de sangues, sejamos elos, um anel, pontes entre palavras.

Palavras Concretas, canais de leituras entre boca-coração, vamos deCantando na poeira da vida outros olhares para que o gosto das sílabas sigam além das palavras, ritmos que serão versos, cantos que conVersem e sigam canção a outros significantes e nesse andar, colhemos o ritmo que deságua em rios que nos resignifiquem.

Aí, querido Poeta, sabemos que saliva é clareza, síntese, interação que colam forma e conteúdo e unem carneMente – poesia, oral idade, jogo lúdico – que nos imaginam para um dia poder existir.

E a vida não seria isso?

É verdade: “ a poesia tem público muito pequeno, e a canção popular acaba sendo um poderoso meio de veiculação da linguagem poética cantada.” Mas será que sem poesia haveria o vice versa?

Psia, entre piscina e pia, está a água, linguagem, mar de tudos que vai além do imaginável, portanto batizável já que quem a usa é quem vai reinventá-la, e “ qualquer coisa que não fique ilesa, qualquer coisa, qualquer coisa que não fixe “ e escorra, desCANTA, perfura a realidade, criando outros cenário, subverte os olhos a olhar o que antes nem existia…

Sim, a Poesia é visual, por isso deveria tocar a todos, tipo sangue que batuca ossos, cérebro e coração que colocam nossas mãos a produzir conversas, encontros e desejo de ser lida…por isso te envio EncaiXes – Livro de Poesia – produzido e por Vidráguas e co-editado com a Razão, uma produção pequena, mas feito nascente que acredita que entre palavras, entrelaçaremos mais mídias para que o canto dos pássaros prossiga… à Foz!

Ave Poesia!

E parabéns pela entrevista na revista Língua Portuguesa e sucesso com o novo livro e como dizes: “ os grandes professores são os que conseguem motivar os seus alunos.”
Um abraço carinhoso,

Carmen Silvia Presotto
em novembro de 2006, Porto Alegre,HOJE.