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A Senhora Selvagem um livro, um comentário…

À senhora selvagem, Berenice Sica Lamas
por Luiz Olyntho Telles da Silva



Braque – Paciência

Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! Não veras nenhum pais como este!
Olha que céu! Que mar! Que rios! Que floresta!
A natureza, aqui perpetuamente em festa,
É um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que a vida há no chão! Vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera
Fecunda e luminosa, a eterna primavera!
Boa terra! Jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha…
Quem com o seu suor a fecunda e umedece,
Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece.
Criança! Não veras nenhum pais como este!
Imita na grandeza a terra em que nasceste!

OLAVO BILAC – Soneto à Pátria

Um livro de poemas? De prosa? Autobiografia? Talvez uma historia do mundo, uma parte da história do mundo, do ottocento aos nossos dias. A senhora selvagem é um pouco como ver o retrato lírico de nossos avòs, ainda em preto e branco, passando pelo sépia, ganhando cores e começando a quebrar formas, decompondo-se, como em quadro de Braque, talvez para melhor nos deixar ver o que a forma fechada fecha.

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gotas de elixir, destilação…

gota de elixir
destilação

dançamos um balé
terreno celeste
me brotam pétalas
manchas da idade
lâmpadas respiração pedras
brutas
pronta a fusão
notas de um perfume
riso que sobe da terra
fecunda o ar

Poema de Berenice Sica Lamas que estará amanhã na Feira do Livro autografando o Livro Construtores de História: Famílias Italianas do RS, uma coletânea junto a outros autores.

Sucesso Berenice e obrigada pelo convite!

destilação…

gota de elixir
destilação

dançamos um balé
terreno celeste
me brotam pétalas
manchas da idade
lâmpadas respiração pedras
brutas
pronta a fusão
notas de um perfume
riso que sobe da terra
fecunda o ar

Poema de Berenice Sica Lamas

estilhaços…

02

o perigo do
caos interno
estilhaços
vazios
são navios
atracados
porto inseguro
viagem à vista
no veludo das mãos
na pata do tigre


na unha afiada e
filósofa

Poema de Berenice Sica Lamas
Fotografia de Sebastião Salgado

as orelhas do inverno

as orelhas do inverno pressentem folhas rubras
avermelhadas marrom laranjas tontas de folia do sol.

Poema de Berenice Sica Lamas, Ângulos & Dobras, editora Movimento